- Que em toda cousa haja um Interno e um Externo, e que o Externo depende do Interno, como o corpo depende de sua alma, vê-se por um exame conveniente de cada causa no Mundo. No homem isso é manifesto; todo o corpo depende da mente, e por conseqüência em cada causa que procede do homem há um interno e um externo, em cada uma de suas ações há a Vontade da mente, e em cada uma de suas expressões há o Entendimento da mente, semelhantemente, em cada um de seus sentidos. Em cada pássaro e em cada bêsta, e mesmo em cada inseto e em cada verme, há um interno e um externo; além disso também em cada árvore, em cada planta e em cada germe, e mesmo em cada pedra e em cada grão de poeira do húmus; para ilustrar isso, é suficiente alguns exemplos tomados do bicho-da-seda, da abelha e do grão de poeira. E' pelo interno do bicho-da-seda que seu externo é levado a fiar a seda, e em seguida a voar como borboleta; é pelo interno da abelha que seu externo é levado a sugar o mel das flores, e a construir células de uma forma admirável; o interno do grão de poeira do húmus, pelo qual é levado o seu externo, é seu esforço para fecundar as sementes; ele exala de seu pequeno seio alguma cousa que se introduz nos íntimos da semente, e a leva a produzir; e este interno, acompanha a vegetação até à sua nova semente. Dá-se o mesmo nos opostos, nos quais há também um interno e um externo; assim na aranha, o interno pelo qual seu externo é levado, é a faculdade e por conseguinte a inclinação para construir artisticamente uma teia, do meio -da qual ela espreita as moscas que voam para as devorar; dá-se o mesmo com qualquer outro inseto nocivo, e com cada serpente, e também com cada bêsta feroz das florestas; igualmente com cada homem ímpio, astucioso e velhaco.