- Por fim a conversação se encetou sobre o Homem Interno e o Homem Externo; e foi dito que os homens que percebem interiormente as coisas estão na luz do vero, que é a luz do Céu, e que os homens que percebem exteriormente as cousas não estão em luz alguma do vero, porque estão somente na luz do Mundo; que assim os homens Interiores estão na Inteligência e na Sabedoria, e os homens Exteriores na loucura e em uma visão ao contrário; que os homens Interiores são espirituais porque pensam pelo espírito levado acima do corpo, vêem por isso os veros na luz; mas que os homens Exteriores são naturais-sensuais, porque pensam pelas ilusões dos sentidos do corpo, por isso vêem os veros como em um nevoeiro, e quando meditam sobre eles, vêem os falsos como veros; que os homens Internos são como os que se mantêm no campo sobre uma Montanha, ou em uma cidade sobre uma Torre, ou no mar sobre a gávea de um navio; e que os homens Externos são como os que permanecem no vale ao pé da montanha, ou em um calabouço sob a Torre, ou no navio abaixo da gávea, os quais não vêem senão os objetos mais próximos; além disso, os homens Internos são como os que habitam no segundo ou no terceiro andar de uma Casa ou de um Palácio, cujas paredes são uma continuidade de janelas com vidros de cristal, e que vêem ao longe de todos os lados na cidade, e aí distinguem até ao menor edifício; e os homens Externos são como os que habitam o rés do chão, cujas, janelas estão com papel colado, e que não vêem nem mesmo a rua fora da casa, mas só vêem o que está na casa, e isso mesmo só com o auxílio de uma vela ou da lareira; os homens Internos são também como Águias que do alto dos ares vêem em uma grande extensão tudo o que está abaixo dêles; e os homens Externos são, ao contrário, como os galos cantando muito alto sobre um poleiro diante das galinhas que esgaravatam a terra; e, além disso, os homens Internos percebem que as cousas que sabem, relativamente às que não sabem, não são senão como a água de um cântaro relativamente à água de um lago; e os homens. Externos percebem que sabem tudo. Esta conversação foi muito agradável para os Africanos, porque, pela vista interna, de que gozam mais que os outros reconheceram que isto é assim.