. Em João, a Palavra quanto ao sentido espiritual ou interno é assim descrita no Apocalipse:
“Vi o céu aberto, e eis, um cavalo branco, e Aquele que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro, e em justiça julga e combate. Seus olhos, como uma chama de fogo, e sobre a Sua cabeça, muitos diademas; tendo um nome escrito que ninguém conhece senão Ele Mesmo, e trajando uma vestimenta tinta de sangue; e chama-se o Seu nome: A Palavra de Deus. E os exércitos que estão nos céus O seguiam sobre cavalos brancos, vestidos de fino linho branco e limpo. E tem, sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa, um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap. 19:11-14, 16).
O que cada uma dessas coisas encerra só é possível saber pelo sentido interno. É evidente que todas, sem exceção, são representativas e significativas, a saber, o ‘céu aberto’, o ‘cavalo branco’, ‘Aquele que estava montado sobre ele julgando e combatendo em justiça’, ‘Seus olhos como uma chama de fogo’, ‘muitos diademas sobre a Sua cabeça’, o ‘nome que ninguém conhece exceto Ele’, a ‘vestimenta tinta de sangue que Ele trajava’, os ‘exércitos que estão nos céus e que O seguiam sobre cavalos brancos, vestidos de linho branco e limpo’, e o ‘nome escrito sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa’. Diz-se claramente que é a Palavra e que o Senhor Mesmo é a Palavra, porquanto se diz: ‘Seu nome se chama a Palavra de Deus’, e, depois: ‘Ele tem, sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa, um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores’. Pela interpretação de cada vocábulo é evidente que aqui a Palavra é descrita quanto ao sentido espiritual ou interno. O ‘céu aberto’ representa e significa que o sentido interno da Palavra é visto no céu e, por conseguinte, no mundo, pelos quais e para os quais o céu é aberto. O ‘cavalo’, que é branco, representa e significa o entendimento da Palavra quanto aos seus interiores. Que o ‘cavalo’ tenha essa significação ver-se-á na sequência. ‘Aquele que estava montado’ nele é o Senhor quanto à Palavra, assim, a Palavra, coisa que é evidente, e por isso se diz: ‘Seu nome se chama a Palavra de Deus’. Por causa do bem Ele é chamado ‘Fiel, que julga em justiça’, e por causa do vero é chamado ‘Verdadeiro, que combate em justiça’, porque o Senhor mesmo é a Justiça. ‘Seus olhos como uma chama de fogo’ significam o Divino Vero proveniente do Divino Bem de Seu Divino Amor. ‘Sobre a Sua cabeça muitos diademas’ significa todos os bens e todos os veros da fé. ‘Tendo um Nome escrito que ninguém conhece senão Ele mesmo’ significa que nenhum outro, exceto Ele e aquele a quem Ele o revela, vê qual é a Palavra no sentido interno. ‘Trajando uma vestimenta tinta de sangue’ significa a Palavra na letra, à qual se fez violência. Os ‘exércitos nos céus, que O seguiam sobre cavalos brancos’ significam os que estão no entendimento da Palavra quanto aos interiores. ‘Vestidos de fino linho branco e limpo’ significa os mesmos no vero do bem. O ‘nome escrito sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa’ significa o bem e o vero, e a sua qualidade. Por estas coisas e pelas que precedem e as que seguem é evidente que, aí, se prediz que no último tempo da igreja o sentido espiritual ou interno da Palavra será aberto, e o que deve então suceder também está escrito aí, nos versículos 17-21. Que tais coisas sejam significadas por essas palavras não há necessidade de se mostrar aqui, pois cada uma dessas coisas foi mostrada nos Arcanos Celestes, por exemplo: Que o Senhor seja a Palavra, porque Ele é o Divino Vero (n. 2533, 2803, 2894, 5272 e 7678). Que a Palavra seja o Divino Vero (n. 4692, 5075 e 9987). Que seja dito que Ele estava ‘montado sobre um cavalo, julgando e combatendo em justiça’ é porque o Senhor é a Justiça; que o Senhor seja chamado ‘Justiça’ é porque Ele salvou o gênero humano por Seu próprio poder (n. 1813, 2025, 2027, 9715, 9809, 10019 e 10152); e que a Justiça seja o Mérito que pertence ao Senhor, só (n. 9715 e 9979). Que ‘os olhos como uma chama de fogo’ signifiquem o Divino Vero que vem do Divino Bem do Divino Amor é porque os olhos significam o entendimento e o vero da fé (n. 2701, 4403 a 4421, 4523 a 4534, 6923, 9051 e 10569); e a chama de fogo, o bem do amor (n. 934, 4906, 5215, 6314 e 6832). Que ‘os diademas’ que estavam sobre a Sua cabeça signifiquem todos os bens e todos os veros da fé (n. 114, 3858, 6335, 6640, 9863, 9865, 9868, 9873 e 9905). Que ‘tendo um nome escrito que ninguém conhece senão Ele mesmo’ signifique que nenhum outro senão o Senhor, e aquele a quem Ele o revela, vê qual é a Palavra no sentido interno é porque o Nome significa a qualidade da coisa (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3006, 3237, 3421, 6674 e 9310). Que ’trajando uma vestimenta tinta de sangue’ signifique a Palavra na letra, à qual se fez violência, é porque a vestimenta significa o vero que reveste o bem (n. 1073, 2576, 5248, 5319, 5954, 9212, 9216, 9952 e 10536), mormente o vero nos últimos; por conseguinte, a Palavra na letra (n. 5248, 6918, 9158 e 9212) e porque o ‘sangue’ significa a violência feita ao vero pelo falso (n. 374, 1005, 4735, 5476 e 9127). Que os ‘exércitos nos céus O seguiam sobre cavalos brancos’ signifique os que estão no entendimento da Palavra quanto aos interiores é porque os ‘exércitos’ significam os que estão nos veros e nos bens do céu e da igreja (n. 3448, 7236, 7988 e 8019), o ‘cavalo’, o entendimento (n. 3217, 5321, 6125, 6400, 6534, 7024, 8146 e 8381) e o ‘branco’, o vero que está na luz do céu, por conseguinte, o vero interior (n. 3301, 3993, 4007 e 5319). Que os ‘vestidos de fino linho branco e limpo’ signifiquem os mesmos no vero segundo o bem é porque o ‘fino linho’ ou o estofo de linho significa o vero de origem celeste, isto é, o vero procedente do bem (n. 5319 e 9469). Que o ‘nome escrito sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa’ signifique o vero e o bem, e a sua qualidade, é porque a ‘vestimenta’ significa o vero, o ‘nome’ significa a qualidade, como observado acima, e a ‘coxa’ significa o bem do amor (n. 3021, 4277, 4280, 9961 e 10488). Que ‘Rei dos reis e Senhor dos senhores’ seja o Senhor quanto ao Divino Vero e quanto ao Divino Bem; que o Senhor seja chamado ‘Rei’ por causa do Divino Vero (n. 3009, 5068 e 6148) e seja chamado ‘Senhor’ por causa do Divino Bem (n. 4973, 9167 e 9194). Sendo assim, vê-se qual é a Palavra no sentido espiritual ou interno, e que nela não há vocábulo algum que não signifique algo espiritual, isto é, alguma coisa pertencente ao céu e à igreja.