WH 11

Emanuel Swedenborg
De que se trata no Apocalipse 19

. No sentido interno ou Espiritual da Palavra há inúmeros arcanos. A Palavra, em seu sentido interno, contém inúmeras coisas que ultrapassam a concepção humana (n. 3085 e 3086). Há, também, coisas inefáveis e inexplicáveis (n. 1955) que só se apresentam aos anjos e só eles compreendem (n. 167). O sentido interno da Palavra contém arcanos do céu, que se referem ao Senhor e ao Seu reino nos céus e nas terras (n. 1 a 4 e 937). Esses arcanos não se mostram no sentido da letra (n. 937, 1502 e 2161). Muitas coisas que, nos Profetas, aparecem como sem nexo, se apresentam, no sentido interno, ligadas entre si numa bela ordem (n. 7153 e 9022). Não há uma única palavra, nem mesmo um só iota, que possa ser cortado do sentido literal da Palavra em sua língua original, sem que não haja interrupção no sentido interno; e por isso é que, pela Divina Providência do Senhor, a Palavra foi conservada tão inteira quanto a todo acento (n. 7933). Há coisas inúmeras em cada particularidade da Palavra (n. 6617, 6620 e 8920) e em cada vocábulo (n. 1869). Há inúmeras coisas na Oração Dominical, e em cada uma de suas expressões (n. 6619); e nos preceitos do Decálogo, no sentido externo dos quais há, entretanto, coisas que foram conhecidas de cada nação, sem revelação (n. 8862, 8902). Do céu me foi mostrado que em cada serifa [corniculo] de letra da Palavra, na língua original, há santidade; vide, na obra O Céu e o Inferno, o n. 260, onde são explicadas as palavras do Senhor, a saber,

“Que nem um iota ou nem um til passará da Lei’ (Mt. 5:18)

Na Palavra, particularmente na parte profética, há duas expressões que parecem designar uma mesma coisa, mas uma se refere ao bem e a outra ao vero (n. 683, 707, 2516 e 8339). Na Palavra, os bens e os veros foram ligados de um modo admirável, e essa conjunção é manifesta unicamente a quem conhece o sentido interno (n. 10554). E, assim, na Palavra e em cada uma de suas coisas há o casamento Divino e o casamento celeste (n. 683, 793, 801, 2173, 2516, 2712, 5138 e 7022); o casamento Divino, que é o casamento do Divino Bem e do Divino Vero, assim, no céu o Senhor, em Quem, só, existe esse casamento (n. 3004, 3005, 3009, 4137, 5194, 5502, 6343, 7945, 8339, 9263 e 9314). Com efeito, por ‘Jesus’ é significado o Divino Bem e por ‘Cristo’ o Divino Vero; assim, por ambos os nomes é significado o casamento Divino no céu (n. 3004, 3005 e 3009). Em cada uma das coisas da Palavra, em seu sentido interno, há esse casamento, por conseguinte o Senhor quanto ao Divino Bem e ao Divino Vero (n. 5502). O casamento do bem e do vero procedendo do Senhor no céu e na igreja se chama casamento celeste (n. 2508, 2618, 2803, 3004, 3211, 3952 e 6179). Assim, sob esta relação, a Palavra é como se fosse o céu (n. 2173 e 10126). Na Palavra, o céu é comparado a um casamento por causa do casamento do bem e do vero ali (n. 2758, 3132, 4434 e 4835). O sentido interno é a própria doutrina genuína da igreja (n. 9025, 9430 e 10400). Os que compreendem a Palavra segundo o sentido interno conhecem a verdadeira doutrina mesma da igreja, porque o sentido interno a contém (n. 9025, 9430 e 10400). O interno da Palavra é também o interno da igreja, como também o interno do culto (n. 10460). A Palavra é a doutrina do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo (n. 3419 e 3420).

A Palavra é, na letra, como uma nuvem, e no sentido interno é a glória. Vide, no prefácio de Gênesis 18, os n. 5922 e 6343, onde estas palavras são explicadas:
“Que o Senhor virá nas nuvens do céu com glória”.
A ‘nuvem’ também, na Palavra, significa a Palavra no sentido da letra, e a ‘glória’, a Palavra no sentido interno. (Vide, no prefácio de Gênesis 18, os n. 4060, 4391, 5922, 6343, 6752, 8106, 8781, 9430, 10551 e 10574). As coisas que estão no sentido da letra, em relação às que o sentido interno encerra, são como rudes projeções ao redor de um cilindro ótico polido, pelos quais, contudo, se apresenta no cilindro uma bela imagem de homem (n. 1871). Os que querem e reconhecem somente o sentido da letra são representados no mundo espiritual por uma velha decrépita, mas os que querem e reconhecem ao mesmo tempo o sentido interno são representados por uma virgem decentemente vestida (n. 1774). A Palavra, em todo o complexo, é a imagem do céu, porque a Palavra é o Divino Vero, e o Divino Vero faz o céu, e o céu se assemelha a um homem; e, sob esta relação, a Palavra é como a imagem de um homem (n. 1871). Vide, na obra O Céu e o Inferno, que o céu em um só complexo se assemelha a um homem (n. 59 a 67); e que o Divino Vero procedente do Senhor faz o céu (n. 126 a 140 e 200 a 212). A Palavra se apresenta perante os anjos com beleza e encanto (n. 1767 e 1768). O sentido da letra é como o corpo, e o sentido interno é como a alma desse corpo (n. 8943).

Daí, a Palavra tem a vida pelo sentido interno (n. 1405 e 4857). A Palavra é pura no sentido interno, e não aparece assim no sentido da letra (n. 2362 e 2395). As coisas que estão no sentido da letra são santas pelas coisas internas (n. 10126 e 10276). Nas partes históricas da Palavra há também um sentido interno, mas este está por dentro desses históricos (n. 4989). Assim, as partes históricas da Palavra, como também as proféticas, contêm arcanos do céu (n. 755, 1659, 1709, 2310 e 2333). Os anjos os percebem não historicamente, mas dogmaticamente, porque os percebem espiritualmente (n. 6884). Os arcanos interiores que estão nas partes históricas se apresentam menos claramente ao homem do que os que estão nas partes proféticas; e isso, porque a mente se acha em intenção e intuição a respeito dos históricos (n. 2176 e 6597). É mostrado, além disso, qual é o sentido interno da Palavra (n. 1756, 1984, 2004, 2663, 3035, 7089, 10604 e 10614). E ilustrado por comparações (n. 1873).

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