Glossário
Afetar – Aqui usado no sentido de causar ou produzir em efeito em algo ou alguém; inspirar; comover; sensibilizar. Por exemplo: “as coisas que devem ser do amor afetam a vontade do homem” AE 114.
Concordância verbal nos Escritos – vide Singularização
David – Nome do rei de Israel. Quando em itálico, aqui, designa todo o livro dos Salmos, indiferentemente dos seus autores, de acordo com o costume de Swedenborg.
Escortação, escortar, escortatório etc. - Um termo muitíssimo usado nos Escritos em latim éa Palavra ‘scortor, aris, ari’ e os substantivos ‘scortum,i’; ‘scortatio, onis’; e ‘scortatus, us’. Esses termos são assim traduzidos no dicionário Latim-Português de A. Gomes Ferreira: ‘Scortor, aris, ari – (verbo depoente intransitivo) -1. Frequentar os prostíbulos; ser devasso. Scortum, i – 1. Pele, couro; 2. Meretriz; 3. Homem prostituído. Scortatio, onis – não consta. Scortatus, us – (scortor) m. Libertinagem, devassidão”. Nos dicionários portugueses adotados na tradução desta obra não consta nenhum termo equivalente, que seriaa Palavra ‘escortar’, nem os substantivos ‘escortação’, ‘escortador’ etc. A tradução mais lógica seria, portanto, ‘praticar devassidão’ e ‘devasso’ etc. No entanto, há quase um século, isto é, desde as primeiras traduções em língua portuguesa, os termos ‘escortar’, ‘escortação’ etc. vêm sendo utilizados, de sorte que seu significado é bem conhecido na terminologia dos Escritos em nosso idioma. É, pois, um termo aceito e compreendido pelos leitores dos Escritos em português, especialmente pelo seu abundante emprego na obra Amor Conjugal. Em razão disso, preservou-se na presente tradução a forma portuguesa do substantivo ‘escortação’ muito embora não conste nos dicionários. Quanto ao verbo, foi preferida a forma ‘cometer escortação’ ou ‘praticar escortação’. É interesse observar que, embora o vocábulo ‘escortação’ não conste nos dicionários portugueses, seu equivalente se encontra, todavia, em vários idiomas, mesmo que na grafia latina, como por exemplo, no holandês: scortatio, significando adultério; no alemão, scortatio, significando fornicação; e no inglês, scortatio, significando obscenidade.
Espada – Há vários termos no original latino para o termo ‘espada’, a saber: Romphaea, gladium, machaera. Nesta obra, gladium foi traduzida simplesmente como ‘espada’, mas a ocorrência mais significativa no livro do Apocalipse é a ‘romphaea’, traduzida como ‘espada larga’.
Estender e expandir - Embora pareçam sinônimos, são empregados distintamente no latim, pelo que se manteve a forma, por exemplo “expandir as asas” ao invés de ‘estendê-las’, mas, especialmente, no contexto de “expandir os céus e estender a terra” (AE 274)
Mincha – Oferta de manjares nas Igrejas Israelita e Judaica, feita com flor de farinha e azeite.
Moisés – Nome do líder israelita. Quando em itálico, refere-se aqui aos cinco primeiros livros da Palavra, de acordo com a designação frequente de Swedenborg.
Penitência – A definição do Dicionário Houaiss é: “1. arrependimento ou remorso por erro que se cometeu, esp. por haver ofendido os mandamentos divinos; contrição, metanóia. 2. A pena imposta para expiação desse erro”. Nos Escritos de Swedenborg, porém, o termo “penitência” não é o remorso (ou contrição) nem a pena imposta, mas, sim, um processo inteiro, a saber: examinar-se, conhecer e reconhecer os próprios males, vê-los em si e confessar-se culpado por causa deles, suplicar o auxílio do Senhor e, então, começar efetivamente uma vida nova, abstendo-se do mal e praticando os usos de seu dever.
Prazer – vide Sensações ou afeições
Pronomes – Os pronomes pessoais, tanto os retos quanto os demonstrativos e oblíquos, que se referem diretamente ao Senhor são todos grafados em maiúsculas no original latino, forma que é mantida nas traduções para o português.
Proprium – Segundo a definição do dicionário Chadwick, de acordo com a instrução das Doutrinas Celestes: 1 – Uma qualidade peculiar do homem que o distingue... 3 – O ser dos seres humanos, considerado como essencialmente mau, o ego.
Sensações ou afeições – Para designar sensações, há muitos mais vocábulos no latim do que podem ser traduzidos no português, coisa que também ocorre com o inglês. Por isso, al-guns vocábulos acabam tendo a mesma tradução em nosso idioma. Por exemplo, ‘prazer’ pode ser a tradução dos termos latinos ‘jucunditas’, ‘beneplacitum’ ou ‘voluptas’, dependendo do contexto. De modo geral, procurou-se manter aqui a seguinte consistência para tradução de termos que designam as sensações: ‘jucunditas’ = prazer; ‘laetitia’ = alegria e, depois, prazer; ‘gaudium’ = regozijo e, depois, alegria; ‘delectatio’ = deleite e, depois, prazer; ‘voluptas’ = volúpia e, depois, prazer; ‘beneplacitum’ = beneplácito, bel-prazer, e, depois, prazer.
Singularização de termos e concordância verbal – Swedenborg emprega muito frequentemente o que aqui chamaremos de singularização de termos, no sentido de que omite a concordância verbal ou aglutina dois sujeitos num só. Por exemplo, ele usaa Palavra “proceder” na forma singular na frase: “Pode-se ver de onde procede o bem e vero”, em vez de usar a forma plural “procedem”; ou: “O que é o bem e vero”, em vez de “o que são...”. Assim, parece que os dois, “bem e vero” são referidos como um só objeto, um só sujeito, pelo quea Palavra ficou no singular. São duas entidades distintas, mas, talvez, pelo fato de estarem unidas no Senhor, são referidas como uma só, ea Palavra fica na pessoa singular (“procede”, “é”). O mesmo acontece com o adjetivo “mesmo” que fica no singular, em vez de “mesmos”. Por isso, sempre que possível, mantivemos aqui essa forma. No entanto, como se disse acima, isto é coisa frequente, mas não constante. Porque às vezes esses termos que formam casamentos são tratados como dois sujeitos distintos. Vemos exemplos de um e outro casos numa única frase, que se segue (os verbos foram sublinhados): “Quoniam cuivis affectioni est suum jucundum, et inde cogitationi suum amoenum, constare potest, unde est bonum et verum, tum quid bonum et verum in sua essentia sunt”. Em português: “Visto que cada afeição tem o seu prazer e, daí, cada pensamento tem o seu deleite, pode-se ver de onde vem o bem e vero, e, também, o que são o bem e vero em sua essência”. A fim de diferenciar um caso do outro, procuramos empregar artigos definidos num caso e omitir um deles no outro, isto é, no caso em que “bem” e “vero” estão regidos por um verbo singular (ou qualificados por um adjetivo singular), usamos o artigo só no primeiro termo. Assim: “O que é o bem e vero”. E, no caso em que a regência segue a regra gramatical normal, usamos artigos para cada termo. Assim: “O que são o bem e o vero”. O mesmo se aplica a outros termos, tais como: “o infinito e o eterno” e “o infinito e eterno” etc.
Urim e Thumim – Também chamada de peitoral do juízo, era parte da veste sacerdotal nas Igrejas Israelita e Judaica; era composto por uma placa quadrada feita de ouro e cravejada com doze pedras preciosas, por cujo brilho o Senhor inspirava respostas às indagações do sacerdote. Os termos vêm do hebraico “luzes e integridades”.
Vero do bem – (verum ex bono) A preposição latina ‘ex’ indica procedência, ou seja, mostra que o vero procede ou nasce do bem, revelando uma derivação, assim como a semente procede do fruto. Portanto, o termo “vero do bem”, muitíssimo visto nesta obra, não in-dica posse, ou seja, não é o vero que pertence ao bem. O mesmo é válido em relação a outros termos, como: ‘falso do mal’, ‘fé da caridade’ e outros menos usados.
Vero e verdade – Os dois termos (verum e veritas) coexistem no original. Na maioria das vezes, o latim usa ‘verum’ e poucas vezes ‘veritas, atis’, razão pela qual se manteve a distinção na tradução, em vez de se omiti-la e traduzir tudo por ‘verdade’. É comum nos Escritos o uso de um adjetivo usado como substantivo: bonum = bem, verum = vero etc.