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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Os antiquíssimos não comparavam todas as coisas que estavam no homem a bestas e aves, mas as chamavam assim. Tal era a linguagem deles, a qual se manteve na Antiga Igreja de após o dilúvio e foi conservada igualmente nos Profetas. Chamavam de ‘serpentes’ às coisas sensuais do homem, porque, como as serpentes estão próximas da terra, também as coisas sensuais estão próximas do corpo; daí chamavam de ‘veneno de serpente’ aos raciocínios pelos sensuais sobre os mistérios da fé, e aos raciocinadores mesmos chamavam de ‘serpentes’. Como estes se entregam muito aos raciocínios pelas coisas do sentido ou pelas coisas visíveis como as que são terrestres, corpóreas, mundanas e naturais, é dito que “a serpente era mais astuta do que toda fera do campo”.
[2] Diz-se semelhantemente em Davi:
“Aguçam a sua língua como serpente, o veneno da áspide está sob os lábios deles” (Sl. 140:4–6 [Em JFA, 140:3–5]),
onde se trata daqueles que seduzem os homens por meio dos raciocínios. No mesmo:
“...Andam errados desde o útero, falando mentiras. Têm veneno semelhante ao veneno de serpente. Como a venenosa áspide surda tapa o seu ouvido para não ouvir a voz dos que murmuram, dos que se associam às sociedades de sábios” (Sl. 58:4–6 [Em JFA, 3–5]);
aqui são chamados ‘venenos de serpente’ os raciocínios que são tais que nem mesmo ouvem o que é sábio ou a voz dos que sabem. Daí ter havido entre os antigos esta locução, que “a serpente tapa o ouvido”. Em Amós:
“Como alguém que chega na casa e apoia sua mão na parede e uma serpente o morde. Não será de trevas o dia de JEHOVAH e não de luz? e de escuridão, e não haverá esplendor nele?” (5:19, 20);
a ‘mão na parede’ é o próprio poder e a confiança nas coisas dos sentidos, de onde resulta a cegueira que é descrita.
[3] Em Jeremias:
“A voz do Egito irá como de uma serpente, porque com força eles irão, e virão a ela com machados, como rachadores de lenha. Cortam a sua floresta, dito de JEHOVAH, porque não será investigada, pois foram multiplicados mais do que o gafanhoto, e não têm número. Será envergonhada a filha do Egito; será entregue nas mãos do povo do norte” (46:20, 22 a 24).
‘Egito’ está pelo raciocínio sobre as coisas Divinas a partir das coisas sensuais e científicas; os raciocínios são chamados ‘voz de serpente’, e a cegueira decorrente daí é significada pelo ‘povo do norte’. Em Jó:
“Veneno de áspides ele sugará, língua de víbora o matará; não verá os ribeiros, as correntes dos rios de mel e manteiga” (20:16, 17);
‘rios de mel e manteiga’ são as coisas espirituais e celestes, que não serão vistas pelos raciocinadores; os raciocínios são chamados ‘veneno de áspides’ e ‘língua de víbora’. Abaixo, nos versículos 14 e 15, serão vistas mais coisas sobre a serpente.

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