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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Na antiguidade, foram denominados serpentes aqueles que tiveram confiança mais nas coisas dos sentidos do que nas coisas reveladas. Hoje é ainda pior, porque há não só os que em nada creem exceto se virem e sentirem, mas há também os que se confirmam por meio de conhecimentos ignorados pelos antiquíssimos e, assim, se cegam muito mais. Para que se saiba de que modo os que concluem sobre as coisas celestes por meio das coisas dos sentidos, dos conhecimentos e das coisas filosóficas se cegam, a ponto de, depois, não mais verem ou ouvirem coisa alguma, e serem não só serpentes surdas, mas até serpentes voadoras, que são mais perniciosas, de que também se trata na Palavra, seja, para exemplo, o que eles creem a respeito do espírito:
[2] Quem é sensual, ou quem crê só nos sentidos, nega que o espírito existe, porque não o vê; afirma que o espírito nada é, dizendo: “Pois não o sinto; o que vejo e toco, isto sei que existe”. Quem é científico, ou quem conclui pelos conhecimentos, diz: “Que é o espírito senão talvez um sopro, ou um calor, ou alguma coisa que se deduz de sua ciência, que na morte se dissipa? Acaso os animais também não têm corpo, sentidos, um análogo de razão? e dizem que eles morrerão e que o homem viverá!” Assim ele nega que o espírito existe. Os filósofos, que querem ser mais engenhosos do que os outros, falam do espírito em termos que eles mesmos não conhecem, por estarem em contestação sobre esses termos. Afirmam não ser aplicável ao espírito um só vocábulo que tire alguma coisa do material, do orgânico ou da extensão. Assim subtraem o espírito de suas ideias, de sorte que este se dissipa para eles e se torna nada.
[3] Os mais sensatos, porém, até dizem que o espírito é o pensamento. Mas quando raciocinam sobre o pensamento, como eles o separam do que é substancial, acabam concluindo que deve dissipar-se quando o corpo expira. Assim, todos os que raciocinam pelas coisas dos sentidos, pelos conhecimentos e pelas coisas filosóficas negam que o espírito existe; e, quando o negam, não creem em coisa alguma do que se diz sobre o espírito e sobre as coisas espirituais. Mas, ao contrário, se os simples de coração são interrogados, eles dizem que sabem que o espírito existe porque o Senhor disse que eles viveriam depois da morte. Estes não extinguem o seu racional, mas vivificam-no pela Palavra do Senhor.

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