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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que pelos ‘nefilins’ sejam significados aqui aqueles que, pela persuasão de sua elevação e preeminência não fizeram caso algum das coisas santas e verdadeiras, vê-se pelas coisas que precederam e pelas que logo se seguirão, a saber, que imergiram as coisas doutrinais em suas cobiças, que são significadas pela frase: “os filhos de Deus entraram às filhas do homem” e, aqui, que ‘geraram para eles’. A persuasão a respeito de si e de suas fantasias cresce também segundo a multidão das coisas que entram, até que, enfim, a persuasão se torna indelével. E quando se ajuntam as coisas doutrinais da fé, então, por princípios muito persuasivos, não fazem caso algum de todas as coisas santas e verdadeiras, e se tornam nefilins. Essa raça que viveu antes do dilúvio é tal que, como foi dito, por suas medonhas fantasias, que se espalham deles como uma esfera envenenada e sufocante, mata, por assim dizer, e sufoca qualquer espírito, a ponto de o espírito não saber sequer pensar, de tal modo que se vê semimorto. E se o Senhor, pelo Seu Advento ao mundo, não tivesse libertado o mundo dos espíritos de uma raça tão venenosa, ninguém teria podido permanecer lá; assim, teria perecido o gênero humano, que é governado pelo Senhor por meio de espíritos. Por isso eles são agora mantidos num inferno debaixo de algo como se fosse uma pedra nebulosa e densa, sob o calcanhar do pé esquerdo, donde não saem por pouco que seja. Assim o mundo dos espíritos fica livre dessa turba tão hostil. Dessa turba e de sua esfera de venenosíssima persuasão falar-se-á à parte, pela Divina Misericórdia do Senhor. Esses são os que se chamam ‘nefilins’, que não fazem caso algum de tudo o que é santo e verdadeiro. Também se faz menção deles depois, na Palavra, mas de seus descendentes, chamados ‘enaquins’ e ‘refaíns’. Que tenham sido chamados ‘enaquins’, vê-se em Moisés:
“Os exploradores da terra de Canaã disseram: Ali vimos os nefilins, filhos de Enak, dos nefilins, e fomos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim fomos aos olhos deles” (Nm. 13:33).
Que tenham sido também chamados ‘refaíns’, vê-se também em Moisés:
“Os emins antes habitaram na terra de Moabe, povo grande, e numeroso, e alto, como os enaquins; foram eles também considerados refaíns, como os enaquins, e os moabitas os chamavam emins” (Dt. 2:10, 11).
Os ‘nefilins’ não são mais mencionados, mas os ‘refaíns’, que são descritos nos profetas como tendo sido tais, como em Isaías:
“O inferno embaixo se agitou por ti, vindo ao encontro de ti; excitou por ti os refaíns” (14:9);
tratando-se dos infernos onde se acham os tais. No mesmo:
“Os mortos não vivem, os refaíns não se levantarão, os que visitaste e os destruíste, e fizeste perecer toda memória deles” (Is. 26:14);
onde também se trata do inferno deles, do qual não mais se levantarão. E no mesmo:
“Viverão os teus mortos; o meu cadáver eles ressurgirão. Despertai e cantai, ó habitantes do pó, porque orvalho de ervas será teu orvalho; mas a terra dos refaíns rejeitarás” (Is. 26:19);
‘terra dos refaíns’ é o inferno, de que se falou. Em Davi:
“Será que farás milagres aos mortos? Será que se levantarão os refaíns e confessar-te-ão?” (Salmo 88:10);
tratando-se, semelhantemente, do inferno deles, e que não podem se levantar e infestar a esfera do mundo dos espíritos com o veneno de sua medonha persuasão. Mas foi provido pelo Senhor que fantasias e persuasões tão medonhas não imbuíssem mais o gênero humano. Os que viveram antes do dilúvio eram de uma natureza e um gênio tais que poderiam ser imbuídos, por uma causa ainda desconhecida; sobre isto se falará também na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor.

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