Texto
. Que o ‘frio’ signifique nenhum amor ou nenhuma caridade e fé, e que o ‘calor’ ou ‘fogo’ signifique o amor ou a caridade e a fé, pode-se ver por estas passagens na Palavra, em João, ditas à Igreja de Laodiceia:
“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; antes fosses frio ou quente; mas, como és morno, e nem és frio nem quente, vomitar-te-ei de Minha boca” (Ap. 3:15, 16);
onde ‘frio’ está em lugar de nenhuma caridade, e ‘quente’ em lugar de muita. Em Isaías:
“Assim disse JEHOVAH: Repousarei e esperarei em Meu lugar, como um calor sereno sobre a luz, como uma nuvem de orvalho no calor da seara” (18:4);
onde se trata da igreja nova plantada; o ‘calor sobre a luz e o calor da seara’ estão em lugar do amor e da caridade. No mesmo:
“O fogo de JEHOVAH em Sião, e a fornalha em Jerusalém” (Is. 31:9);
o ‘fogo’ está em lugar do amor. Sobre os querubins vistos por Ezequiel:
“Uma semelhança de animais; a aparência deles é como brasas de fogo ardentes, como a aparência de lâmpadas; ele corre entre os animais; e um esplendor de fogo, e do fogo saindo um fulgor” (1:13);
[2] E, no mesmo, a respeito do Senhor:
“Sobre a expansão, que [estava] sobre a cabeça dos querubins, como uma aparência de pedra de safira, uma semelhança de trono, e sobre a semelhança de trono, uma semelhança como a aparência de um homem sobre ele, acima. E vi como uma aparência de brasa acesa, como uma espécie de fogo, dentro dela [e] ao redor, desde a aparência de Seus lombos e acima; e desde a aparência de Seus lombos e atrás, vi como uma aparência de fogo, cujo esplendor [estava] ao redor” (Ez. 1:26, 27; 8:2);
aí, o ‘fogo’ está em lugar do amor. Em Daniel:
“O Antigo de dias se assentou; o Seu trono de chama de fogo, as rodas dele um fogo ardente; um rio de fogo emanando e saindo de diante d’Ele; mil milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante d’Ele” (7:9, 10);
o ‘fogo’ está em lugar do amor do Senhor. Em Zacarias:
“Serei para ele, dito de JEHOVAH, um muro de fogo ao redor” (2:5);
onde se trata da Nova Jerusalém. Em Davi:
“JEHOVAH faz de seus anjos, ventos; de seus ministros, um fogo flamejante” (Sl. 104:4);
o ‘fogo flamejante’ está em lugar do celeste espiritual.
[3] Como o ‘fogo’ significava o amor, o fogo também se tornou um representativo do Senhor, o que se vê pelo fogo, sobre o altar do holocausto, que nunca se apagasse (Lv. 16:9, 12, 13), representando a misericórdia do Senhor. Por isso, antes que Aharão entrasse ao propiciatório, devia oferecer incenso com fogo tomado do altar do holocausto (Lv. 16:12–14). Também por isso, para que fosse significado que o culto era aceito pelo Senhor, era enviado fogo do céu e consumia os holocaustos, como em Lv. 9:24 e outras passagens. Pelo ‘fogo’, na Palavra, é significado também o amor do proprium e as suas cobiças, com o qual o amor celeste não podia de modo algum concordar; por isso também os dois filhos de Aharão foram consumidos com fogo, por terem oferecido fogo estranho (Lv. 10:1, 2). O ‘fogo estranho’ é todo amor de si e do mundo e todas as cobiças desses amores. Além disso, também, o amor celeste não pode aparecer aos ímpios senão como um fogo ardente e que consome, e por isso na Palavra o fogo que consume se atribui ao Senhor, como o fogo sobre o Monte Sinai, que representava ou o amor ou a misericórdia do Senhor, percebido perante o povo como um fogo que consome. Por isso eles disseram a Moisés que não os fizesse ouvir a voz de JEHOVAH Deus e ver o grande fogo, para que não morressem (Dt. 18:16). O amor ou a misericórdia do Senhor aparece assim aos que estão no fogo dos amores de si e do mundo.