ac 1010

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Derramar sangue de homem no homem’. Que isto signifique extinguir a caridade, e ‘no homem’ seja com o homem, vê-se pela significação de ‘sangue’, de que se tratou anteriormente, que é o santo da caridade, e pelo fato de se dizer ‘sangue de homem no homem’, isto é, sua vida interna, que não está nele, mas com ele, pois a vida do Senhor é a caridade, que não está no homem, mas com o homem, porque o homem é imundo e profano. Que ‘derramar sangue’ seja fazer violência à caridade, vê-se por passagens na Palavra e pelas coisas que foram citadas anteriormente (n. 374 e 376), onde se mostrou que a violência feita à caridade se chama ‘sangue’.
[2] No sentido da letra, ‘derramar sangue’ é matar, mas, no sentido interno, é ter ódio ao próximo, como o Senhor ensina em Mateus:
“Ouvistes o que foi dito aos antigos, não matarás, [e] qualquer que matar estará sujeito a juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que sem motivo se encolerizar contra seu irmão estará sujeito a juízo” (5:21, 22);
‘encolerizar-se’, aqui, significa afastar-se da caridade, a cujo respeito se viu anteriormente (n. 357); por conseguinte, é o ódio. Quem tem ódio, não somente não tem caridade alguma, mas também faz violência à caridade, isto é, “derrama sangue”. No ódio se encerra a morte mesma do homem, o que se vê claramente pelo fato de que quem tem ódio nada deseja mais do que matar o outro, e o mataria, se os vínculos externos não o impedissem. Por isso a morte do irmão e o derramamento de seu sangue é o ódio; e, como é o ódio, é tal em cada ideia sua contra ele. Acontece de modo semelhante em relação à profanação. Quem profana a Palavra, como foi dito, não somente tem ódio à verdade, mas também a extingue ou mata, o que se vê claramente na outra vida por aqueles que profanaram. Por mais que tenham parecido honestos, sábios e devotos na forma externa quando viveram no corpo, na outra vida eles têm ódio mortal ao Senhor e a todos os bens do amor e veros da fé, por estes serem contrários aos seus ódios mortais, suas rapinagens e seus adultérios, os quais eles encobriram com uma aparência de santidade e adulteraram [os bens e veros] em seu favor.
[3] Que a profanação seja o ‘sangue’, vê-se, além das passagens que foram anteriormente referidas no n. 374, por esta em Moisés:
“Qualquer um da casa de Israel que matar um boi, ou um cordeiro, ou uma cabra, nos arraiais, ou o que matar fora do arraial e à entrada da tenda da aliança, não o trouxer para oferecer como oferta a JEHOVAH diante do habitáculo de JEHOVAH, a esse varão será imputado o sangue; derramou sangue, e esse varão será cortado do meio do seu povo” (Lv. 17:3-4);
‘sacrificar’ em outra parte que não sobre o altar que está junto da tenda representava a profanação, pois ‘sacrificar’ era coisa santa, mas, nos ‘arraiais’ e ‘fora do arraial’ era o profano.

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