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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E erijo a Minha aliança convosco’. Que isto signifique a presença do Senhor em todos os que têm caridade, e que isto se refira aos que ‘saem da arca’ e a ‘toda fera da terra’, isto é, aos homens dentro da igreja e aos homens fora da igreja, vê-se pelo que foi dito há pouco. Que o Senhor faça a aliança também com os que estão fora da igreja e são chamados gentios, ou que Se conjunte a Eles pela caridade, a coisa se passa assim: o homem da igreja pensa que todos os que estão fora da igreja, que são os chamados gentios, não podem ser salvos, pelo fato de não terem as cognições da fé e, por causa disso, desconhecerem inteiramente o Senhor. Eles dizem que sem fé e sem cognição do Senhor não há salvação, e assim condenam todos os que estão fora da igreja. De fato, há muitos desses que estão em alguma doutrina, mesmo em heresias, que acham que todos os que estão fora da igreja, ou que não pensam como eles, não são salvos, quando, todavia, a coisa se passa inteiramente diferente. O Senhor tem misericórdia para com todo o gênero humano e quer salvar e atrair a Si todos os que estão no universo.
[2] A misericórdia do Senhor é infinita e não se deixa limitar aos poucos que estão na igreja, mas se estende a todos em todas as terras do universo. Não é culpa deles o fato de terem nascido fora da igreja e, assim, estarem na ignorância da fé, e, por causa disso, ninguém é jamais condenado por não ter fé no Senhor por desconhecê-Lo. Quem é que, se pensa bem, jamais dirá que a maior parte do gênero humano perecerá de morte eterna porque não nasceu na Europa, onde há relativamente poucos? E quem é que, se pensa bem, jamais dirá que o Senhor deixaria tão grande multidão de homens nascerem para perecer de morte eterna? Isto seria contra o Divino e contra a misericórdia. E, além disso, os que estão fora da igreja, os que são chamados gentios, vivem uma vida muito mais moral do que aqueles que estão na igreja, e abraçam muito mais facilmente a verdadeira doutrina da fé, o que se pode ver ainda mais manifestamente pelas almas na outra vida.
[3] Do mundo assim chamado cristão vêm os piores de todos, os que têm ódio mortal ao próximo e ódio mortal ao Senhor; são adúlteros mais do que todos em todas as terras do universo. Mas não é assim com os outros que vêm de outras partes do mundo, porque muitos desses que adoram ídolos são de tal disposição que abominam os ódios e os adultérios, e têm receio dos cristãos por serem tais e desejarem atormentar a cada um. De fato, esses gentios são tais que, quando instruídos pelos anjos a respeito dos veros da fé, e de que o Senhor governa o universo, ouvem facilmente e facilmente se imbuem da fé, rejeitando, assim, os seus ídolos. Por isso, os gentios que viveram uma vida moral e na caridade mútua e na inocência são regenerados na outra vida. Quando vivem no mundo, o Senhor está presente neles na caridade e na inocência, pois nada existe de caridade e de inocência senão pelo Senhor. Além disso, o Senhor lhes dá a consciência do que é reto e bom, segundo a religiosidade deles, e insinua na consciência deles a inocência e a caridade, e, quando há inocência e caridade na consciência, então se deixam imbuir facilmente do vero da fé oriundo do bem. O Senhor mesmo disse isto, assim, em Lucas:
“Alguém disse a Jesus: Senhor, são poucos que são salvos? Ele lhes disse: [...] Vereis Abrahão, Isaque e Jacó e todos os profetas no reino de Deus, mas vós lançados fora. Virão do oriente e do poente, e do norte, e do meio-dia, reclinando-se no reino de Deus; e eis que há últimos que são os primeiros, e há primeiros que serão os últimos” (13:23, 28–30);
por ‘Abrahão, Isaque e Jacó’ se entendem todos os que estão no amor, como se mostrou anteriormente.

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