Texto
. Que Abrão, Nahor e Harã tenham sido os filhos de Terah, e que foram também nações que derivaram seus nomes deles como de seus pais, e que por eles são significados, aqui, os cultos idolátricos, é o que se vê pelas coisas que foram demonstradas acima, e então também segundo isto: que por ‘Terah’, de quem eles foram filhos, é significada a idolatria; mas quais foram os cultos idolátricos significados aqui pelos três filhos de Terah, e depois por Ló, filho de Harã, pode-se ver pelo culto idolátrico se for examinado segundo os gêneros. Existem quatro cultos idolátricos no geral, um mais interior que o outro, os três interiores são assim como filhos de um único pai, o quarto é como filho do terceiro. Existem cultos idolátricos internos e externos; os cultos idolátricos internos condenam o homem, mas não sucede o mesmo com os cultos idolátricos externos. Quanto mais o culto idolátrico for interior, tanto mais ele condena; ao contrário, quanto mais ele for exterior, tanto menos ele condena. Os idólatras internos não reconhecem Deus, mas adoram a si próprios e adoram o mundo; e os seus ídolos são todas as cobiças; os idólatras externos podem, ao contrário, reconhecer Deus apesar de ignorarem qual é o Deus do universo. Os idólatras internos são conhecidos pela vida que eles adquiriram para si, vida que se afasta tanto da vida da caridade quanto mais interiores são suas idolatrias; os idólatras externos são somente conhecidos pelo culto e, ainda que sejam idólatras, podem, todavia, ter a vida da caridade. Os idólatras internos podem profanar as coisas santas, mas os idólatras externos não o podem; por isso é que, para que as santidades não sejam profanadas, a idolatria externa é tolerada, como é possível ver pelo que se disse anteriormente (n. 571, 582), e acima, no vers. 9 (n. 1327).