Texto
. Conversei algumas vezes, na outra vida, sobre a percepção, com os que, enquanto viviam no mundo, creram que tinham podido penetrar e entender todas as coisas. [Eu lhes disse] que os anjos percebem que o que eles pensam e dizem, querem e fazem vem do Senhor; mas nunca esses espíritos puderam conceber o que é a percepção; eles imaginavam que, caso tudo influísse assim, eles se achariam inteiramente privados de vida, porque então eles nada pensariam por si próprios ou por seu proprium, no qual eles puseram a vida, e que assim seria um outro que pensaria e não eles mesmos, que, por conseguinte, eles não seriam os órgãos de nenhuma vida. Mas se lhes disse que há, entre ter a percepção e não a ter, uma diferença de vida tal qual a diferença que existe entre a luz e as trevas, e que os espíritos começam a viver neles quando recebem uma tal percepção, porque então eles vivem pelo Senhor, tendo também um proprium que lhes é dado com todas as felicidades e todos os prazeres. Mostrou-se-lhes também, por muitas experiências, o que se passa a respeito da percepção, e então eles reconheceram que ela existe; mas, depois de um intervalo de tempo, eles recaíram novamente na ignorância sobre este ponto, [então] eles duvidaram e negaram. Pode-se ver por esse modo quanto é difícil que o homem possa compreender o que é a percepção.