Texto
. As almas que tinham chegado à outra vida admiravam-se de que houvesse uma tal comunicação dos pensamentos dos outros e de que se soubesse imediatamente não só qual é o caráter de um outro, como também qual é a sua fé. Mas, foi-lhes dito que o espírito recebe faculdades muito mais excelentes quando ele é separado do corpo. Na vida do corpo influem os objetos dos sentidos, depois, as fantasias que resultam dos que, por esse motivo, se gravam na memória e, além disso, as solicitudes sobre o futuro, as diversas cobiças excitadas pelas coisas externas, as preocupações a respeito do alimento, da roupa, da habitação, das cobiças e muitas outras coisas sobre as quais, na outra vida, não se dirige o seu pensamento. Por isso, estas coisas, uma vez afastadas como obstáculos e empecilhos, junto com os objetos corporais que pertencem a uma sensação grosseira, é impossível que os espíritos deixem de estar em um estado mais perfeito. As mesmas faculdades ficam, mas são muito mais perfeitas, mais brilhantes e muito mais livres, principalmente com os que viveram na caridade e na fé ao Senhor, portanto, na inocência; as suas faculdades se elevam imensamente acima das que eles tiveram no corpo, até afinal as dos anjos do terceiro céu.