ac 1641

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Os espíritos conversam entre si, na outra vida, como homens na terra, e os que são bons, com toda a familiaridade da amizade e do amor. É o que ouvi muitas vezes, e reconheci que por sua linguagem eles exprimem em um minuto mais coisas do que o homem pode exprimir em uma hora, porque a sua linguagem, como foi dito, é a linguagem universal de todas as línguas por meio das ideias, que são anteriores às palavras. Eles falam das coisas com tanta finura e perspicácia, por intermédio de uma ligação de razões que se seguem em ordem e são convincentes, que, se o homem tivesse conhecimento, ficaria repleto de surpresa. Agregam a isso a persuasão e a afeição e, por esse modo, animam os seus discursos.
[2] Até, às vezes, eles os oferecem ao mesmo tempo à vista pelas representações e, portanto, os vivificam. Se, por exemplo, a conversação incide sobre o pudor e então se trata de saber se ele é possível sem o respeito; com o homem esse assunto só pode ser discutido por numerosos raciocínios apoiados por argumentos e exemplos e, apesar disso, fica duvidoso, mas com o espírito a questão é esclarecida em um minuto pelos estados da afeição do pudor que são variados em ordem, depois, pelos da afeição do respeito e, assim, pelas conveniências e desconveniências que se percebem e que se veem ao mesmo tempo em representativos que se juntam ao discurso e pelos quais se obtém logo a conclusão que se deduz, por conseguinte, de si própria dos dissentimentos assim reconduzidos ao acordo. O mesmo acontece com todos os outros assuntos. As almas chegam a essa faculdade logo depois da morte; e então os bons espíritos não têm maior prazer do que o de instruírem os espíritos noviços e ignorantes.
[3] Os próprios espíritos não sabem que eles falam entre si uma linguagem tão perfeita e que são dotados de tão preciosa qualidade exceto se lhe é dado pelo Senhor refletir nisso, pois tal linguagem lhes é natural e é como ínsita. Acontece com isso como acontece com o homem quando ele tem a sua mente [animum] posta no sentido das coisas e não nas palavras nem na linguagem; ele fala então sem refletir nas palavras e não sabe, às vezes, que linguagem empregou.

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