Texto
. Que o ‘monte’ [ou ‘montanha’] seja o amor de si e o amor do mundo, é o que se vê pela significação do ‘monte’ de que em breve se falará. Todo mal e todo falso existem pelo amor de si e pelo amor do mundo e não têm outra origem, porque o amor de si e o amor do mundo são opostos ao amor celeste e ao amor espiritual; e como são os opostos destes amores, são eles que se esforçam continuamente para destruir as coisas celestes e espirituais do Reino de Deus. Pelo amor de si e pelo amor do mundo existem todos os ódios; e pelos ódios, todas as vinganças e todas as crueldades; e pelos ódios, vinganças e crueldades, todos os dolos; em uma palavra, todos os infernos.
[2] Que pelos ‘montes’, na Palavra, seja significado o amor de si e o amor do mundo, é o que se pode ver pelas passagens seguintes: Em Isaías:
“Os olhos da soberba do homem serão humilhados, e será rebaixada a altivez dos homens;... o dia de JEHOVAH Zebaoth [virá] sobre todos os soberbos e altivos; ... sobre todos os montes altos e sobre todas as colinas elevadas e sobre toda torre excelsa” (2:11, 12, 14, 15).
Os ‘montes altos’ são evidentemente o amor de si, e as ‘colinas elevadas’, o amor do mundo.
[3] No mesmo:
“Todo vale será elevado e toda montanha e colina serão humilhadas” (Is. 40:4).
É ainda evidentemente o amor de si e o amor do mundo. No mesmo:
“Devastarei as montanhas e as colinas, secarei toda a erva delas” (Is. 42:15).
Igualmente; e as ‘montanhas’ são o amor de si, e as ‘colinas’ o amor do mundo. Em Ezequiel:
“Serão derrubadas as montanhas e cairão os degraus, e toda muralha na terra cairá” (38:20).
[4] Em Jeremias:
“Eis Eu contra ti, [diz JEHOVAH,] ó montanha que destrói, destruindo toda a terra; e estenderei a Minha mão contra ti, e lançar-te-ei pelas rochas e farei de ti montanha de combustão” (51:25);
onde se trata de Babel e da Caldeia, que significam, como já se mostrou, o amor de si e o amor do mundo. No cântico de Moisés:
“O fogo se abrasou na Minha ira, e arderá até o inferno ínfimo, e devorará a terra e o produto dela, e inflamará os fundamentos das montanhas” (Dt. 32:22).
Os ‘fundamentos das montanhas’ são os infernos, como claramente se diz; os infernos são denominados fundamentos das montanhas porque o amor de si e o amor do mundo lá reinam e deles procedem.
[5] Em Jonas:
“As águas envolveram-me até a alma, o abismo cercou-me; a alga se apegara à minha cabeça. Aos cortes das montanhas desci; as trancas da terra [estavam] sobre mim para a eternidade; mas fizeste subir da cova as minhas vidas, ó JEHOVAH, meu Deus!” (2:6, 7 [Em JFA, 2:5, 6]).
As tentações do Senhor contra os infernos são assim profeticamente descritas por Jonas quando ele estava no ventre de um grande peixe; elas o são também em outras passagens da Palavra, principalmente em Davi. Aquele que está nas tentações está nos infernos; é o estado e não o lugar o que faz que se esteja nos infernos.
[6] Como as montanhas e as torres significam o amor de si e do mundo, pode-se ver daí o que é significado quando se diz que o Senhor foi conduzido pelo diabo sobre uma alta montanha e sobre o pináculo do templo; pode-se ver que Ele foi conduzido aos mais penosos combates de todos contra os amores de si e do mundo, isto é, contra os infernos. As montanhas, tomadas também em um sentido oposto, como é o costume, significam o amor celeste e o amor espiritual, como já se mostrou (n. 795, 796).