ac 1756

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. São essas as coisas que, em geral, esses acontecimentos envolvem no sentido interno; mas quando todas e cada uma das coisas são explicadas segundo a significação das palavras, a série mesma e a sua beleza não podem se apresentar tão bem como se elas fossem abrangidas por uma só ideia. Quando elas são todas entendidas por uma só ideia, as que estão esparsas então se apresentam em uma coerência num conjunto magnífico. Dá-se com isso como com um homem que escuta alguém falar e que dirige a sua atenção sobre as palavras; ele não capta então a ideia daquele que fala tão bem como se ele não prestasse atenção às palavras ou à sua significação. De fato, sucede com o sentido interno da Palavra, em relação ao sentido externo ou literal, pouco mais ou menos como com um discurso de que se ouvem apenas as palavras e em cuja significação se presta menos ainda atenção quando a mente se aplica unicamente ao sentido das coisas que significam as palavras daquele que fala.
[2] O modo mais antigo de escrever era representativo das coisas por meio de pessoas e de palavras através das quais entendiam coisas completamente diferentes. Os autores profanos arranjavam então assim as suas narrações históricas, até mesmo para as coisas que se referiam à vida civil e à vida moral, e até de tal sorte, que nada era absolutamente tal qual estava escrito quanto à letra, mas havia outra coisa entendida sob esse escrito. Eles iam até o ponto de apresentarem as afeições, fossem quais fossem, como deuses e deusas em honra dos quais, na continuação do tempo, os pagãos instituíram cultos divinos. Toda pessoa instruída pode ter conhecimento disso, pois nos resta ainda desses livros antigos. Esses autores obtiveram esse modo de escrever dos antiquíssimos de antes do dilúvio, os quais representavam para si as coisas celestes e Divinas pelas que viam sobre a terra e no mundo, e assim, enchiam a sua mente e a sua alma de prazeres e delícias, considerando os objetos do universo, normalmente os cuja força e ordem constituíam a beleza. Todos os livros da igreja desses tempos foram, pois, escritos assim; tal é o livro de Jó; tal é a sua imitação, tal é o Cântico dos cânticos de Salomão; tais foram os dois livros de que Moisés faz menção (Nm. 21:14–29), além de muitos outros que pereceram.
[3] Esse estilo foi revelado depois, por causa de sua antiguidade, não só entre os pósteros de Jacó, ao ponto que tudo que não era escrito nesse estilo não era venerado como Divino; por isso quando eles eram impelidos por um espírito profético como Jacó (Gn. 49:3–17), Moisés (Êx. 15:1–21; Dt. 33:2–29), Balaão, que era um dos filhos da Síria, do oriente, onde estava ainda a Igreja Antiga (Nm. 23:7–10, 19–24; 24:5–9, 17–24), Débora, Barak, (Jz. 5:2–31), Ana (1Sm. 2:2 a 10), e muitos outros; eles então falavam do mesmo modo, e isso por muitas coisas ocultas. Ainda que à acepção de um número muito reduzido de pessoas, não se compreendia nem se sabia que as suas palavras significavam as coisas celestes do Reino e da Igreja do Senhor, entretanto, impressionado e cheio de espanto e de admiração, sentia-se que o Divino e a santidade estavam nelas.
[4] O mundo sábio, porém, ignora ainda que os históricos da Palavra sejam semelhantes, isto é, representativos e significativos das coisas celestes e espirituais do Reino do Senhor quanto a cada nome e quanto a cada palavra; apenas se sabe que a Palavra, até o menor iota, foi inspirada, e que há dentro dela arcanos celestes em todas e cada uma das suas partes.
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