ac 1880

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Além disso, quanto ao que diz respeito em geral aos espíritos e aos anjos, que todos são almas de homens vivendo depois da morte do corpo, eles têm sentidos muito mais finos do que os dos homens; eles têm a visão, a audição, o olfato e o tato, mas não o paladar. Entretanto, os espíritos e, com mais forte razão, os anjos, não podem, por sua vista, isto é, pela vista do espírito, ver coisa alguma do que existe no mundo, por isso que para eles a luz do mundo, ou a luz solar, é como uma escuridão espessa. Do mesmo modo, o homem por sua vista, isto é, pela vista do corpo, nada pode ver do que existe na outra vida; pois para ele a luz do céu, ou a luz celeste do Senhor, é como uma escuridão espessa.
[2] Contudo, os espíritos e os anjos podem ver, quando apraz ao Senhor, pelos olhos do homem, as coisas que estão no mundo; mas o Senhor só permite isso no homem ao qual Ele concede falar com os espíritos e os anjos e estar ao mesmo tempo com eles. Foi-lhes concedido ver, através de meus olhos, as coisas que estão no mundo, e que até se ouvisse os homens que falavam comigo, e tão claramente como eu próprio. Sucedeu algumas vezes, que, por mim, alguns deles viram em sua presença, absolutamente como antes da sua morte, amigos que eles tinham tido na vida do corpo, ficaram aflitos. Espíritos [que eram mulheres] viram também os seus maridos e [outros] seus filhos, e queriam que eu dissesse a estes que eles se acham ao lado deles e que eles os viam, e que eu lhes contasse o estado em que eles se achavam na outra vida; mas foi-me proibido lhes dizer e lhes revelar que eles eram vistos desse modo por suas esposas e por seus pais falecidos. Uma outra razão me teria impedido ainda de fazê-lo, é que estes teriam pensado que eu estava louco, ou que era um delírio da imaginação, pois eu muito bem sabia que embora confessassem de boca que há espíritos e que os mortos eram ressuscitados, eles não o teriam crido sinceramente em seu coração.
[3] Quando, pela primeira vez, a minha vista interior foi aberta e que, por meus olhos, os espíritos e os anjos viram, no mundo, as coisas que estavam no mundo, eles ficaram tão atônitos que diziam que era o milagre dos milagres; eles foram afetados de uma alegria nova por haver assim comunicação da terra com o céu e do céu com a terra; esse prazer durou alguns meses, mas desde que isso se lhes tornou familiar, nada surpreende mais. Fui instruído de que os espíritos e os anjos que estão com os outros homens nada veem do que está no mundo, mas que somente percebem os pensamentos e as afeições daqueles com os quais eles estão. De tudo isso, pude concluir que o homem foi criado de tal sorte que, vivendo na terra no meio dos homens, vivesse também ao mesmo tempo no céu entre os anjos, e reciprocamente de modo que o céu e a terra estivessem juntos e fizessem um só, e que os homens soubessem o que há no céu e os anjos o que há no mundo, e que falecendo, os homens passassem assim do Reino do Senhor na terra para o Reino do Senhor nos céus, mas não como para outro, mas sim como para o mesmo onde eles tinham estado quando viviam no corpo. Como, porém, o homem se tornou tão corporal, ele fechou o céu a si próprio.

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