Texto
. Que o sentido da letra da Palavra seja representativo dos arcanos Divinos e que seja o receptáculo e, por conseguinte, o repositório das coisas celestes e espirituais do Senhor, é o que se permite ilustrar por dois exemplos, mostrando, no primeiro, que por Davi se entende não Davi, mas o Senhor; e no segundo, que os nomes não significam outra coisa senão coisas reais, de onde se poderá concluir que sucede o mesmo com todas as outras expressões. Fala-se assim de Davi em Ezequiel:
“O meu servo Davi [será] rei sobre eles; e haverá um só Pastor para todos eles. [...] Habitarão sobre a terra... eles e os filhos deles, e os filhos dos filhos deles, pela eternidade; e Davi, Meu servo, [será] o príncipe deles pela eternidade” (37:24, 25);
em Oseias:
“Voltarão os filhos de Israel e buscarão a JEHOVAH, seu Deus, e a Davi, seu Rei” (3:5).
Essas coisas foram escritas por esses profetas depois do tempo de Davi; entretanto, é dito abertamente que este será seu rei e seu príncipe, de onde cada um pode concluir que por Davi, no sentido interno, se entende o Senhor; o mesmo sucede com as outras passagens em que Davi é nomeado, mesmo nos Livros Históricos.
[2] Que os nomes dos reinos, regiões, cidades e de varões signifiquem coisas reais, é o que se pode ver claramente nos Profetas; sejam, somente para exemplo, estas passagens em Isaías:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH Zebaoth: Meu povo, habitante de Sião, não temas a Asshur; com a vara ferir-te-á, levantará o bastão sobre ti no caminho do Egito. [...] JEHOVAH Zebaoth suscitará sobre ele um flagelo, como a praga de Midiã no rochedo de Horeb, e o seu bastão sobre o mar, e levantá-lo-á no caminho do Egito. [...] Virá contra Aiat; passará a Migron; a Micmas comandará pelas suas armas. Passará à Mabara; Geba [será] nossa hospedeira, tremerá Haramah; Gibeah [fugirá] de Saul. Então a tua voz, ó filha de Gallim! Escuta, ó Laish! [Serás] infeliz, ó Anatot! E errante [será] Madmenah; os habitantes de Gebim se reunirão; ainda é dia em Nob para se deter; agitará a sua mão, a montanha da filha de Sião, a colina de Jerusalém. ...cortará as brenhas do bosque com o ferro; e o Líbano cairá pelo Magnífico” (10:24, 26 a 34).
[3] Por assim dizer, aqui há meramente nomes, do que não resultaria sentido algum caso cada um desses nomes não significasse coisas reais, e se a mente se ligasse a esses nomes não se reconheceria jamais que essa é a Palavra do Senhor. Mas quem creria que todos esses nomes, no sentindo interno, encerram arcanos do céu e que por meio deles se descreve o estado dos que, por meio dos raciocínios provenientes das coisas do conhecimento, procuram entrar nos mistérios da fé; que por cada nome se descreve alguma especificidade desse estado; então, que esses raciocínios são dissipados pelo Senhor por meio das coisas celestes do amor e das coisas espirituais da fé? Que por ‘Asshur’ seja significado o raciocínio a respeito do qual se trata aqui, pode-se ver claramente pelas coisas que foram demonstradas a respeito de Asshur (n. 119, 1186); e que por ‘Egito’, as coisas do conhecimento, pelas coisas que foram demonstradas (n. 1164, 1165, 1462); vede e examinai se tal não sucede assim; o mesmo se dá com todos os outros nomes e o mesmo com cada uma das palavras.