Texto
. ‘Multiplicando multiplicarei a tua semente’; que signifique a frutificação do Homem Racional quando ele se põe sob o poder do Homem Interior adjunto ao bem, é o que se vê pela significação da ‘semente’, que é o amor e a fé, assim como se viu (n. 1025, 1447, 1510). Mas aqui, por ‘multiplicar a semente’ é significada a frutificação das coisas celestes do amor no Racional quando o Racional se submetera ao vero interior, ou Divino. A multiplicação aplica-se aos veros, enquanto a frutificação aplica-se aos bens, como se vê pelas coisas que anteriormente foram ditas e demonstradas (n. 43, 55, 913, 983); mas como se trata do Senhor, pela multiplicação é significada a frutificação, porque em Seu Racional todo vero se tornou bem, assim, Divino, o que é aplicável aqui. Não sucede o mesmo com o homem, cujo racional é formado pelo Senhor a partir do vero, ou da afeição do vero; essa afeição é o seu bem a partir do qual ele age.
[2] É impossível compreender como se operam a multiplicação e a frutificação no homem, em seu racional, a menos que se saiba como se opera o influxo; acerca deste, no geral: Há em cada homem o homem interno, o homem racional (que é intermediário) e o homem externo, como já se disse. O homem interno é o que constitui seu íntimo em virtude do qual o homem é homem e por meio do qual ele se distingue dos animais [a brutis animalibus], que não têm um tal íntimo; e esse homem interno é como a porta ou a entrada do Senhor, isto é, das coisas celestes e espirituais do Senhor, no homem. O que se opera aí não pode ser compreendido pelo homem, porque está acima de todo seu racional, a partir do qual ele pensa. A esse íntimo (ou a esse homem interno) foi submetido o racional, que se mostra como o proprium do homem; neste influem, por meio desse homem interno, as coisas celestes do amor e da fé desde o Senhor, e, por meio desse racional, nas coisas do conhecimento que pertencem ao homem externo; mas as coisas que influem são recebidas conforme o estado de cada um.
[3] A menos que o racional se submeta aos bens e veros do Senhor, esse racional, ou abafa, ou rejeita, ou perverte as coisas que influem, e mais ainda quando elas influem nas coisas sensuais do conhecimento da memória. É isso que se entende pela semente que cai, ou sobre o caminho, ou em lugares pedregosos ou entre os espinhos, assim como o Senhor ensina (Mt. 13:3 a 7; Mc. 4:3 a 7; Lc. 8:5 a 7); mas quando o racional se submete e crê no Senhor, isto é, em Sua Palavra, esse racional é como o húmus ou a boa terra na qual a semente cai e produz muito fruto.