Texto
. ‘E não será numerada, por causa da multidão’; que signifique a multiplicação até a imensidade, é o que se vê sem necessidade de explicação. Por essas palavras é significado que o vero deve assim crescer em multidão pelo bem. No Senhor, de Quem aqui se trata no sentido interno, porque todas as coisas são Divinas e infinitas, elas não podem, por isso mesmo, ser expressas, razão pela qual, para que se possa compreender por alguma ideia como se opera a multiplicação do vero oriundo do bem, deve-se falar a respeito do homem: No homem que está no bem, isto é, no amor e na caridade, a semente que ele recebeu do Senhor frutifica e se multiplica de tal modo que ela não pode ser numerada por causa de sua multidão; enquanto ele vive no corpo, não se dá isso, mas na outra vida é em um grau incrível. Com efeito, enquanto o homem vive no corpo, a semente está em seu húmus corporal, e aí ela se acha no meio das coisas espessas e densas, que são as coisas do conhecimento e as voluptuosidades, depois as preocupações e as solicitudes; mas quando ele se despojou de tudo isso, o que sucede quando ele passa para a outra vida, a semente se desprende, e ela cresce, assim como tem por habito crescer a semente de uma árvore que, quando sai do húmus, se torna primeiro um arbusto, depois uma grande árvore e, em seguida, se multiplica, de sorte que ela poderia formar um jardim composto de árvores; pois todo conhecimento, toda inteligência e toda sabedoria, seus prazeres e suas felicidades, frutificam e crescem assim eternamente; e isso provém de uma semente muito pequena, como o Senhor o ensina falando do grão de mostarda (Mt. 13:31), o que se pode ver satisfatoriamente pelo conhecimento, a inteligência e a sabedoria dos anjos, de que eles não puderam formar uma única ideia quando eram homens.