Texto
. ‘Este será um homem onagro’; que signifique o vero racional que é descrito, é o que se vê pela significação de ‘onagro’, que é o vero racional. Na Palavra, muitas vezes se faz menção de cavalos, cavaleiros, mulos e jumentos, e até agora ninguém soube que eles significam as coisas intelectuais, as racionais e as do conhecimento; que estes significam essas coisas será confirmado em seu lugar, pela Divina Misericórdia do Senhor, por muitas passagens. O ‘onagro’ é do mesmo gênero, de fato é o burro do deserto, ou o asno selvagem, e ele significa o racional do homem, não o racional em seu conjunto, mas somente no vero racional. O racional se compõe do bem e do vero, isto é, das coisas que pertencem à caridade e das coisas que pertencem à fé. O racional vero é isto que é significado pelo onagro: é esse Racional que agora é representado por Ismael e descrito neste versículo.
[2] Ninguém pode crer que o vero racional separado do bem racional seja de uma tal natureza, nem eu saberia que é tal se não tivesse sido instruído por uma viva experiência. Quer se diga ‘o vero racional’ ou ‘o homem cujo racional é tal’, é o mesmo. O homem cujo racional é tal, como ele está somente no vero, mesmo quando estivesse no vero da fé, sem estar ao mesmo tempo no bem da caridade, é absolutamente como um onagro. É um varão rabugento, não suportando coisa alguma, oposto a todo mundo, vendo cada um como no falso, imediatamente censurando, castigando, punindo sem piedade; ele não se aplica nem se esforça para conciliar as mentes [animos], porque ele considera tudo a partir do vero e não considera coisa alguma pelo o bem; daí vem que Ismael foi expulso e depois habitou no deserto, e que sua mãe tomou para ele uma esposa da terra do Egito (Gn. 21:9 a 21), todas coisas que são representativas do homem dotado de um tal racional.
[3] Faz-se menção dos onagros nos Livros Proféticos da Palavra, por exemplo, em Isaías:
“O palácio será um deserto, a multidão da cidade será abandonada, a colina e torre de vigilância será como cavernas; até o século [terão] o regozijo dos onagros, a pastagem dos gados” (32:14);
onde se trata da devastação das coisas intelectuais que, sendo devastadas quanto aos veros, são dominadas ‘a alegria dos onagros’, e, quanto aos bens, ‘a pastagem dos gados’, de sorte que o racional não existe mais. Em Jeremias:
“Os onagros ficaram sobre as colinas, sorveram o vento como as baleias, consumiram-se os olhos deles porque não [havia] ervas” (14:6);
onde se trata da seca, ou da ausência do bem e vero. Predica-se dos onagros que eles ‘sorvem o vento’ quando se busca coisas vãs em vez de coisas reais que são os veros; os seus ‘olhos que são consumidos’ significam que não se compreende o que é o vero.
[4] Em Oseias:
“Porque eles subiram à Assíria, um onagro solitário para si; Efraim por um salário de meretriz procurou os amores” (8:9);
aí se trata de Israel, ou da igreja espiritual; ‘Efraim’ designa o intelectual dessa igreja; ‘subir à Assíria’ designa o raciocinar sobre o vero para saber se é o vero; o ‘onagro solitário’ está no lugar do racional assim privado dos veros. No mesmo:
“Porque ele será entre os irmãos e como um Onagro; virá o vento oriental de JEHOVAH do deserto subindo, e secará a nascente dele, e secará a fonte dele; ele saqueará o tesouro de todos os vasos de desejo” (Os. 13:15);
onde se trata de Efraim, que significa o intelectual da igreja espiritual, cujo racional é como um onagro; trata-se de sua destruição. Em Davi:
“JEHOVAH Deus fará sair as fontes em torrentes, irão entre as montanhas. Bebida darão a todas as feras dos campos, saciarão aos onagros a sua sede” (Sl. 104:10, 11);
as ‘fontes’ estão no lugar das cognições; as ‘feras dos campos’, dos bens, e os ‘onagros’, dos veros da razão.