ac 1950

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘a mão dele em todos’ signifique que ele combaterá contra as coisas que não são veros; e que ‘a mão de todos nele’ signifique que os falsos se defenderão, é o que se vê a partir disso, que Ismael, como foi dito, significa o vero racional separado do bem. Como se diz desse vero que ‘a sua mão está em todos e a mão de todos nele’, é evidente que são essas as coisas que são significadas. Acima, foi indicado que por Abrão é representado o Homem Interno do Senhor, ou o que é o mesmo, o Seu Divino celeste e espiritual; por Isaque, o Homem Interior do Senhor, ou o Seu Divino Racional; e por Jacó, o Homem Exterior do Senhor, ou o Seu Divino Natural; aqui se trata do Racional tal qual ele seria se não fosse unido ao Interno, ou ao Divino celeste e espiritual. Como esse Racional obteve a sua natureza da vida da afeição dos conhecimentos, isto é, de Hagar, a egípcia, serva de Sarai, e como essa vida era do Homem Externo que o Senhor tinha do hereditário materno, contra o qual Ele devia combater e que Ele devia expulsar, por isso que o Racional é aqui descrito tal qual ele seria caso ficasse privado do bem racional. Contudo, depois que o Senhor humilhou tal hereditário por meio dos combates das tentações e pelas vitórias, ou seja, depois que Ele o afligiu e subjugou, e vivificou o Seu Racional mesmo pelo Bem Divino, então tal Racional se torna Isaque, ou é representado por Isaque, sendo Ismael expulso da casa com Hagar, sua mãe.
[2] Todo racional genuíno consiste no bem e no vero, isto é, no celeste e no espiritual. O bem, ou o celeste, é a alma mesma ou a vida do racional; o vero, ou o espiritual, recebe a sua vida do bem; o racional sem a vida proveniente do bem celeste é tal qual ele é descrito aqui, isto é, que ‘ele combate contra todos’ e que ‘todos combatem contra ele’. O bem racional nunca combate seja qual for o modo que se o ataque, porque ele é brando e clemente, paciente e tolerante, porque ele pertence ao amor e à misericórdia; e embora não combata, ainda assim vence todas as vezes; nunca ele pensa no combate, nem se glória da vitória; e isso, porque ele é Divino e está em segurança por si mesmo; de fato, nenhum mal pode atacar o bem, nem mesmo subsistir na esfera em que está o bem; basta que o bem se aproxime para que por si mesmo o mal se retire e caia, pois o mal é infernal e o bem é celeste. Dá-se quase o mesmo com o celeste espiritual, isto é, com o vero de origem celeste, ou com o vero que é oriundo do bem; porque esse vero é o vero formado pelo bem, de sorte que se o pode chamar a forma do bem.
[3] No entanto, o vero separado do bem, vero que é representado aqui por Ismael e descrito neste versículo, é inteiramente diferente; ele se assemelha ao onagro, combate contra todos e todos combatem contra ele; até mesmo ele só pensa e só deseja os combates; o seu prazer comum, ou a sua afeição dominante é vencer, e quando venceu, de gloriar-se da vitória; é por isso que ele é representado pelo onagro, ou asno do deserto [mulum deserti], ou asno selvagem [asinum sylvestrem], que não pode estar com os outros. Uma tal vida é a vida do vero sem o bem, ou antes, a vida da fé sem a caridade; por isso, quando o homem é regenerado, a regeneração na verdade se opera pelo vero da fé, mas sempre ao mesmo tempo pela vida da caridade, que o Senhor insinua segundo os acréscimos do vero da fé.

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