Texto
. ‘Peço, se achei graça aos Teus olhos’; que signifique o respectivo do estado do Senhor quando Ele notou essa percepção, é o que se pode ver pela ‘afeição da humilhação’ que está nessas próprias palavras e também nas seguintes: “peço [que] não passes de sobre o Teu servo”, nas quais há também humilhação. Em cada uma das expressões na Palavra existe nelas tanto a afeição como a coisa real. Os anjos celestes percebem a Palavra tal qual ela é no sentido interno quanto à afeição; os anjos espirituais a percebem tal qual ela é no sentido interno quanto a coisa real; os que percebem a Palavra no sentido interno quanto à afeição não prestam atenção às palavras que pertencem a coisa real, mas formam consigo ideias a partir da afeição e da série da afeição, e isso com uma variedade infinita; por exemplo, nestas palavras: “Peço, se achei graça aos Teus olhos, peço [que] não passes de sobre o Teu servo”; eles percebem o estado de humilhação do Senhor no Humano, mas unicamente a ‘afeição’ da humilhação; daí eles formam consigo, de um modo inefável, com uma variedade e uma abundância inexprimíveis, ideias celestes que dificilmente podem ser chamadas ideias, mas são outras tantas luzes de afeições e de percepções que se seguem em uma série contínua segundo a série da afeição das coisas que estão na Palavra, que se lê.
[2] Por esse modo pode-se ver que a percepção, o pensamento e a linguagem dos anjos celestes são mais inefáveis e muito mais ricos do que a percepção, o pensamento e a linguagem dos anjos espirituais, porque a percepção, o pensamento e a linguagem destes só estão fixados sobre a coisa segundo a série das expressões. Que tal seja a linguagem dos anjos celestes, é o que se vê na Primeira Parte (n. 1647); daí resulta que estas palavras: “peço, se achei graça aos Teus olhos” significam, no sentido celeste, o respectivo do estado do Senhor, quando Ele notou essa percepção83. Além disso, ‘achar graça aos teus olhos’ era uma fórmula habitual em todo ato respectivo, como podemos ver pelo respectivo de Labão para com Jacó:
“Disse-lhe Labão: Se, peço, achei graça aos teus olhos” (Gn. 30:27);
e pelo de Jacó a Esaú:
“Disse Jacó: Não, peço[-te], se, peço[-te], achei graça aos teus olhos” [(Gn. 33:10)];
e semelhantemente em outros lugares na Palavra.