ac 2335

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Porque na praça pernoitaremos’; que signifique que, por assim dizer, quisesse julgar a partir do vero, é o que se pode ver pela significação da ‘praça’ e pela significação de ‘pernoitar’. Na Palavra a ‘praça’ é nomeada aqui e ali e, no sentido interno, ela significa a mesma coisa que o caminho, a saber, o vero, porque a praça é um caminho na cidade, como se verá pelas passagens que serão citadas em breve. Que aqui ‘pernoitar’ seja julgar, pode-se ver pela significação da ‘noite’. Mostrou-se acima (n. 2323) que a ‘tarde’ significa o estado da igreja antes de seu último estado, quando a fé começa a ser nula, e que ela significa também a visitação que precede o Juízo. Daí, é evidente que a ‘noite’, que segue a tarde é o último estado, quando a fé começa a ser nula, e que ela significa também a visitação que precede o Juízo. Daí, é evidente que a noite que segue a tarde é o último estado, quando a fé é nula, e que é também o Juízo; de onde resulta, evidentemente, que ‘pernoitar na praça’ seja, no sentido interno, julgar a partir do vero.
[2] Quanto ao que se refere ao Juízo, ele é duplo, isto é, que ele se faz a partir do bem e a partir do vero. Os fiéis são julgados a partir do bem, e os infiéis são julgados a partir do vero. Vê-se claramente, em Mateus, capítulo 25, que os fiéis são julgados a partir do bem (vers. 34–40); e que os infiéis são julgados a partir do vero (vers. 41–46). Ser julgado a partir do bem é ser salvo, porque se recebeu o bem; mas ser julgado a partir do vero é ser danado, porque se rejeitou o bem; o bem pertence ao Senhor. Aqueles que reconhecem isso pela vida e pela fé pertencem ao Senhor, por isso são salvos; mas aqueles que não reconhecem isso pela vida nem, por conseguinte, pela fé, não podem pertencer ao Senhor e, portanto, eles não podem ser salvos. Eles são, pois, julgados segundo as ações de sua vida e segundo os seus pensamentos e os seus fins, e quando são julgados por esse modo, é impossível que não sejam danados, pois é uma verdade que o homem, de si mesmo, só faz, pensa e medita o mal, e que por si mesmo ele se precipita no inferno caso não seja desviado dele pelo Senhor.
[3] Eis, todavia, o que se passa a respeito do juízo a partir do vero: O Senhor jamais julga alguém senão a partir do bem, porque Ele quer elevar ao céu todos os homens, sejam eles quais forem; ainda mais, se fosse possível, Ele os elevaria até a Ele mesmo. Com efeito, o Senhor é a Misericórdia mesma e o Bem mesmo. A Misericórdia mesma e Bem mesmo nunca pode danar pessoa alguma, mas é o homem que, porque rejeita o bem, dana a si próprio. Do mesmo modo que o homem fugira do bem na vida do corpo, assim ele foge na outra vida; por conseguinte, ele foge do céu e do Senhor, porquanto o Senhor não pode estar senão no bem; está também no vero, mas não no vero separado do bem. Que o Senhor não dane ninguém, ou não julgue pessoa alguma para o inferno, é o que Ele mesmo diz em João:
“Não mandou Deus o Seu Filho ao mundo para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. [...] Este é o juízo: Que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (3:17, 19).
E no mesmo:
“[E,] se alguém ouvir as minhas palavras e, contudo, não crer, Eu não o julgo; pois não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (João, 12:47).
(Ver, além disso, o que já se disse sobre esse assunto nos n. 223, 245, 592, 696, 1683, 1874, 2258).
[4] Quando acima se tratou do Juízo (n. 2320, 2321), mostrou-se que é ao Divino Humano e ao Santo Procedente do Senhor que pertence todo o Juízo, segundo as palavras do Senhor em João:
“O Pai não julga a ninguém, mas todo juízo deu ao Filho” (5:22);
e, entretanto, se diz agora que o Senhor não julga pessoa alguma para ser danada; vê-se por esse modo qual é a Palavra em sua letra, vê-se que se ela não fosse entendida a partir de um outro sentido, a saber, do sentido interno, ela não seria compreendida. É só pelo sentido interno que se vê manifestamente o que há a respeito do Juízo.

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