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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que a ‘praça’ signifique o vero, é o que se pode ver por muitas passagens da Palavra, por exemplo, em João quando se fala da Nova Jerusalém:
“Os doze portões [eram] doze pérolas, cada portão era uma pérola, e a praça da cidade era de um ouro puro como vidro transparente” (Ap. 21:21).
[2] A Nova Jerusalém, é o Reino do Senhor; e como esse reino é descrito quanto ao bem e ao vero, a cidade é descrita pelas muralhas, os portões, as praças; por estas, a saber, pelas ‘praças’, entendem-se as coisas do vero que conduzem ao bem, ou todas as coisas da fé que conduzem ao amor e à caridade; e como então os veros se tornam os veros do bem e brilham assim pelo bem, diz-se que a praça era de um ouro como vidro transparente. No mesmo:
“Pelo meio da sua praça e do rio, aquém e além, [estava] a árvore da vida produzindo doze frutos” (Ap. 22:2);
onde também se trata da Nova Jerusalém, ou do Reino do Senhor; o ‘meio da praça’ é o vero da fé, como se chamam os frutos da fé, porque doze significa tudo que pertence à fé, como se explicou (n. 577, 2089, 2129, 2130).
[3] Em Daniel:
“Saibas e percebas que desde a saída da palavra, para restabelecer e edificar Jerusalém, até o Messias, o Condutor, [há] sete semanas, e sessenta e duas semanas, e serão restabelecidos e edificados a praça e o fosso” (9:25);
onde se trata do Advento do Senhor. Que ‘serão restabelecidos a praça e o fosso’, é que então o vero e o bem existirão. Que Jerusalém não foi então restabelecida e nem reedificada de novo, é isso notório; e que não deva ser restabelecida de novo, é também o que cada um pode conhecer se detiver as suas ideias não sobre um reino mundano, mas sobre o reino celeste, entendido por Jerusalém no sentido interno.
[4] Em Lucas:
“O pai de família disse ao seu servo: Vá depressa às praças e ruas da cidade, e aos pobres, mancos e cegos introduz aqui” (14:21).
Os que ficam no sentido da letra não tiram coisa alguma daí a não ser que o servo devia ir a toda a parte, e que é o que é significado por ‘ir às praças e ruas’; que, além disso, ele devia trazer todos que ele encontrasse, fossem quais fossem, é o que é significado pelos ‘pobres’, ‘manetas’, ‘coxos’ e ‘cegos’. Mas cada uma dessas palavras encerra arcanos, porque foram pronunciadas pelo Senhor. ‘Ir às praças e ruas’ significa buscar em toda a parte algum vero genuíno, ou um vero que brilha pelo bem ou pelo qual o bem seja transparente; ‘introduzir os pobres, os manetas, os coxos e os cegos’ significa introduzir os homens que se assemelhariam aos que a Igreja Antiga chama assim, e que, sendo tais quanto à fé, se achavam, contudo, na vida do bem e deveriam, portanto, ser instruídos sobre o Reino do Senhor; assim, são as nações que não tinham sido instruídas ainda.
[5] Como as praças significavam os veros, daí veio entre os judeus o rito representativo de ensinar nas praças, como se vê claramente em Mateus (6:2, 5), e em Lucas (13:26, 27). Nos Profetas, em toda a parte em que as praças são mencionadas, elas significam, no sentido interno, ou os veros ou os contrários dos veros, como em Isaías:
“O juízo foi rejeitado para trás, e a justiça ao longínquo se manteve, pois tropeçou a verdade na praça, e a retidão não pôde advir” (59:14).
No mesmo:
“Os seus filhos desfaleceram e se deitaram na cabeça de todas as praças” (Is. 51:20).
Em Jeremias:
“Subiu a morte pelas [nossas] janelas, veio aos nossos palácios, para cortar o pequenino da praça, os jovens das ruas” (9:20 [Em JFA, 9:21]).
[6] Em Ezequiel:
“Nabucodonosor pelos cascos dos seus cavalos pisará todas as tuas praças” (26:11);
onde se trata de Tiro, pela qual são significadas as cognições do vero (n. 1201); os ‘cascos dos cavalos’ são os conhecimentos que pervertem o vero. Em Naum:
“Nas praças estão em fúria os carros, chocam-se nas ruas” (2:5 [Em JFA, 2:4]);
os ‘carros’ designam a doutrina do vero. Diz-se que eles ‘estão em fúria nas praças’ quando o falso está no lugar do vero. Em Zacarias:
“Ainda habitarão os velhos machos e as velhas mulheres nas praças de Jerusalém. E as praças da cidade se encherão de meninos e meninas brincando nas praças” (8:4, 5);
trata-se das afeições do vero, assim como da alegria e do regozijo que elas proporcionam. Além de outras passagens como em Is. 24:11; Jr. 5:1; 7:34; 49:26; Lm. 2:11, 19; 4:8, 14; Sf. 3:6.

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