Texto
. ‘Desde o menino até o velho’; que signifique os falsos e males recentes e os confirmados, é o que se pode ver pela significação de ‘menino’ e de ‘velho’ quando essas expressões se dizem dos falsos e dos males, a saber, que os ‘meninos’ designam os falsos e os males que ainda não se tornaram grandes, por conseguinte, os que são recentes; e os ‘velhos’, os que alcançaram muita idade, por conseguinte, os que foram confirmados. Encontram-se, em outras passagens na Palavra, o ‘menino’ e o ‘velho’ tomados em um sentido semelhante, como em Zacarias:
“Ainda habitarão os machos velhos e as mulheres velhas nas praças de Jerusalém, ... e as praças da cidade encher-se-ão de meninos e meninas brincando nas praças” (8:4, 5);
onde ‘Jerusalém’ está no lugar do Reino do Senhor e da igreja (n. 402, 2117); as ‘praças’, aí, designam os veros (n. 2336); assim, os ‘machos velhos’ representam os veros confirmados; as ‘mulheres velhas’, os bens confirmados; os ‘meninos brincando nas praças’, os veros recentes; e as ‘meninas’, os bens recentes, assim como as afeições desses bens e as alegrias que daí provêm. Vê-se, por esse modo, como as coisas celestes e as espirituais se mudam em históricas quando caem nas coisas mundanas que estão no sentido da letra, sentido em que dificilmente parece que não se deve entender outra coisa senão velhos, meninos, mulheres, meninas.
[2] Em Jeremias:
“Derrama sobre o menininho na praça de Jerusalém e sobre a reunião dos jovens igualmente, porque também o varão com a mulher serão tomados, o velho com o [que está] cheio de dias” (6:11);
onde a ‘praça de Jerusalém’ designa os falsos que reinam na igreja (n. 2336); os falsos que são recentes e que cresceram são [respectivamente] chamados ‘menininhos’ e ‘jovens’, e os que são antigos e confirmados são chamados ‘velhos’ e ‘cheio de dias’. No mesmo:
“[...] Dispersarei em ti o cavalo e o seu cavaleiro, e dispersarei em ti o carro e o que é levado nele, e dispersarei em ti o varão e a mulher, e dispersarei em ti o velho e o menino, ...” (Jr. 51:21, 22);
aí, igualmente, o ‘velho’ e o ‘menino’ são tomados pelo vero confirmado e pelo vero recente.
[3] No mesmo:
“Subiu a morte às janelas, veio aos nossos palácios para cortar o menininho na praça, os jovens das ruas” (9:20 [Em JFA, 9:21]);
aí, o ‘menininho’ designa os veros que primeiro nascem, e que são cortados quando “a morte chega às janelas e aos palácios”, isto é, às coisas intelectuais e às coisas voluntárias. Viu-se que as ‘janelas’ são as coisas intelectuais (n. 655, 658) e que os ‘palácios’, ou as ‘casas’, são as voluntárias (n. 710).