Texto
. Todas as coisas que um homem ouve e vê, e de que ele é afetado, se insinuam, quanto às ideias e aos fins, sem que o homem o saiba, em sua memória interior, e elas ficam de sorte que nada pereça, ainda que essas mesmas coisas se apaguem na memória exterior; a memória interior é, pois, tal, que nela se gravam todas as coisas particulares e até as mais particulares que em algum momento homem pensou, pronunciou e fez, até as que lhe apareceram como uma sombra, assim como as mínimas minudências, desde a sua primeira infância, até a sua extrema velhice. Quando o homem entra na outra vida, ele tem consigo a memória de todas essas coisas, e ele é sucessivamente conduzido a lembrar-se de todas elas: é isso o seu LIVRODA VIDA, que se abre na outra vida e de acordo com o qual ele é julgado. Isto dificilmente o homem pode crer, mas nem por isso deixa de ser muito verídico. Todos os intuitos [fines] do indivíduo, que estiveram para ele na obscuridade, assim como tudo que ele pensou e tudo que depois ele disse e fez, até a mínima coisa, tudo está inscrito nesse Livro, isto é, na memória interior, e se manifesta perante os anjos como na claridade do dia todas as vezes que o Senhor o permite. E isso me foi mostrado muitas vezes, e se me tornou evidente por tantas experiências, que a tal respeito não ficou dúvida alguma em mim.