Texto
. ‘Porque disse: Certamente nenhum temor de DEUS [há] neste lugar’; que signifique o pensamento procedente da Percepção: que eles não teriam consideração pelo vero espiritual nesse estado em que eles estão, é o que se vê pela significação do ‘temor de Deus’, que é a consideração respectus pelo vero Divino ou espiritual, e pela significação do ‘lugar’, que é o estado (n. 1273, 1274, 1275, 1877). Eis o que sucede com a coisa mesma: O homem não pode aprender nenhum doutrinal puramente espiritual e celeste, isto é, Divino, porque esse doutrinal excede infinitamente a sua concepção e, portanto, também a sua fé. Todos os pensamentos do homem terminam nas coisas naturais que pertencem as suas coisas sensuais; tudo que não for dito por e segundo essas coisas sensuais não é compreendido, mas perece, assim como uma visão sem limites sobre um oceano ou sobre o universo. Se, portanto, as coisas doutrinais fossem expostas de outro modo diante do homem, elas não seriam de modo algum recebidas, assim, não se teria consideração por elas. É o que se pode bem ver por cada passagem da Palavra; as coisas mesmas puramente Divinas ali estão expostas, por essa mesma razão, de um modo natural, até sensual, por exemplo: que ali se fala das orelhas de JEHOVAH, de Seus olhos, de Sua face, em que se Lhe atribuem afeições semelhantes às do homem, como a ira e muitas outras.
[2] [Era] isto ainda mais [impressionante] na época em que o Senhor veio ao mundo; então os homens nem sequer sabiam o que era o celeste e o espiritual, e nem mesmo o que era o interno. As coisas terrestres e mundanas e, por conseguinte, as externas, ocupavam sós todas as partes de sua mente. O mesmo sucedia com os próprios Apóstolos, que pensavam que o Reino do Senhor seria como um reino do mundo, e que, por essa razão, pediram para estar assentados um à Sua direita [e] o outro à Sua esquerda, e durante muito tempo creram que eles se assentariam sobre doze tronos para julgar as doze tribos de Israel, não sabendo ainda que na outra vida eles nem mesmo poderiam julgar a menor ação de um só homem (n. 2129, no fim). A intuição sobre esse estado do gênero humano foi a causa que fez que o Senhor pensasse, a princípio, se por acaso o Racional não deveria ser consultado na Doutrina da fé; e isso provinha desse amor que consistia em velar pela salvação de todos e impedir que a Palavra perecesse.