ac 2568

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Acima, neste capítulo, foi dito que a Doutrina se tornaria nula se o racional fosse consultado (n. 2516, 2538), e também que ele não foi consultado (n. 2519, 2531). Aqui, porém, se diz que a Doutrina da fé foi enriquecida de bens e de veros tanto racionais quanto naturais. À primeira vista, essas coisas parecem que são opostas entre si e que são contrárias, mas a verdade é que elas não o são. Foi dito o que aconteceu com o Senhor, mas agora cumpre dizer o que acontece com o homem.
[2] Com o homem é absolutamente diferente considerar a Doutrina da fé a partir das coisas racionais, e outra coisa é considerar as coisas racionais a partir da Doutrina da fé; considerar a Doutrina da fé a partir das coisas racionais é não crer antes pela Palavra, ou pela doutrina que é extraída dela, senão depois quando se está persuadido, pelas coisas racionais, que assim seja; mas olhar as coisas racionais a partir da Doutrina da fé é primeiro crer na Palavra, ou na doutrina que é extraída dela, e depois confirmar pelas coisas racionais as que são certas. O primeiro modo é a ordem invertida e faz com que não se creia em coisa alguma; o segundo é a ordem genuína, e faz com que se creia melhor. O primeiro é expresso por estas palavras “tu morrerás por causa da mulher”, o que significa que a Doutrina da fé tornar-se-ia nula se o racional fosse consultado (n. 2517, 2538); o segundo é expresso por “Abimeleque deu a Abrahão rebanho o gado, e servos e servas”, o que significa que a Doutrina da fé foi enriquecida de bens e de veros racionais e naturais.
[3] Trata-se muito desses dois modos no sentido interno da Palavra, principalmente quando se trata de Asshur e do Egito, e isso porque quando se considera a Doutrina da fé a partir das coisas racionais, isto é, quando o homem não crê uma coisa da doutrina antes de ficar persuadido por elas que ela é assim, então não só a Doutrina da fé se torna nula, como também tudo que ela encerra é negado, enquanto, quando se consideram as coisas racionais a partir da Doutrina da fé, isto é, quando se crê na Palavra e que depois se confirma pelas coisas racionais as coisas que se creem, então a doutrina vive, e tudo que ela encerra é afirmado.
[4] Há por conseguinte dois princípios, um que conduz a toda extravagância e a toda loucura, o outro que conduz a toda inteligência e a toda sabedoria. O primeiro princípio é negar todas as coisas da doutrina, ou dizer em seu coração que não é possível crê-las antes de estar convencido pelas coisas que podem ser aprendidas ou sentidas; esse princípio é o que conduz a toda extravagância e a toda loucura, e deve-se denominá-lo ‘princípio negativo’. O outro princípio é afirmar as coisas que pertencem à doutrina obtida da Palavra, ou pensar consigo e crer que elas são verdadeiras porque o Senhor disse; esse princípio é o que conduz a toda inteligência e a toda sabedoria, e deve ser denominado ‘princípio afirmativo’.
[5] Quanto mais os que pensam pelo princípio negativo consultam as coisas racionais, mais eles recorrem às coisas do conhecimentos, mais interrogam as coisas filosóficas e mais eles se lançam e se precipitam nas trevas, até que finalmente acabem por tudo negar; eis as razões: é porque ninguém pode, a partir das coisas inferiores, olhar as superiores, isto é, a partir das coisas racionais, das dos conhecimentos e das filosóficas ninguém pode aprender as espirituais, nem as celestes e menos ainda as Divinas, porque elas transcendem todo entendimento, e, além disso, as coisas mais particulares ficam então envoltas em coisas negativas provenientes desse princípio. Ao contrário, os que pensam pelo princípio afirmativo podem confirmar-se pelas coisas racionais, sejam elas quais forem, e pelas coisas que pertencem ao conhecimento, quaisquer que elas sejam, até pelas coisas filosóficas que lhes podem ser acessíveis, porque todas elas são, para os conhecimentos, meios de confirmação, e elas lhes dão uma ideia mais completa da coisa.
[6] Além disso, há os que estão na dúvida antes que neguem, e há os que estão na dúvida antes que afirmem. Aqueles que estão na dúvida antes de negar são os que se inclinam para a vida do mal; quando eles são arrastados por essa vida, quanto mais pensam nas coisas da doutrina, tanto mais as negam. Porém, aqueles que estão na dúvida antes de afirmarem são os que se inclinam para a vida do bem; quando eles se deixam convencer flecti se pelo Senhor, então quanto mais eles pensam nessas coisas, tanto mais se afirmam. Como se trata ainda desse assunto nos versículos que seguem, ele será, pela Divina Misericórdia do Senhor, mais completamente ilustrado (ver n. 2588).

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