ac 2574

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E a Sarah disse’; que signifique a Percepção proveniente do vero espiritual, é o que se vê pela representação de ‘Sarah como esposa’, que é o vero espiritual Divino (n. 2507); e de ‘Sarah como irmã’, que é o vero racional (n. 2508); e pela significação de ‘dizer’, que é perceber (n. 2506). Aqui se falou a Sarah, tanto como ‘esposa’ quanto como ‘irmã’; como ‘esposa’ porque Ela foi restituída (n. 2569); como ‘irmã’, porque se diz: “dei mil [peças] de prata ao teu irmão”; e o que foi dito por Abimeleque, isto foi percebido por Sarah nesse estado, é por isso que ‘dizer a Sarah’ é perceber a partir do vero espiritual.
[2] Que essas palavras encerram mais arcanos do que possam ser expostos de modo que sejam compreendidos, é o que é evidente. Para desenvolvê-los somente um pouco seria necessário explicar previamente muitas coisas que são ainda ignoradas, por exemplo: o que é o vero espiritual; o que é a percepção que procede do vero espiritual; que a percepção que procede do vero espiritual tenha pertencido ao Senhor somente; que o Senhor, assim como implantou o vero racional no bem racional, assim implantou o vero espiritual no bem celeste, assim, continuamente, o Humano no Divino, para que houvesse em cada coisa o casamento do Humano com o Divino e do Divino com o Humano. Essas verdades e muitas outras devem preceder antes que seja possível explicar as coisas que estão neste versículo; elas são principalmente adequadas às mentes dos anjos, que estão na inteligência de tais coisas, e para os quais existe o sentido interno da Palavra. Elas lhes são apresentadas de um modo celeste, e por elas e pelas que estão neste capítulo, lhes é insinuado como o Senhor rejeitou gradualmente o humano que Ele obtivera de Sua mãe, até que, por fim, Ele não fosse mais seu filho. Que Ele também não a reconhecia mais por mãe, vê-se em Mt. 12:46–49; Mc. 3:31–35; Lc. 8:20, 21; Jo. 2:4. E como por seu próprio poder Ele fez Divino o Seu Humano, até que ele fosse um com o Pai, como Ele mesmo o ensina em João, 14:6, 8–11, e em outras passagens.
[3] Tais coisas, por intermédio de miríades de ideias e de representações, todas inefáveis, são apresentadas pelo Senhor aos anjos em uma clara luz; e isso pela razão que elas são adequadas às suas mentes, como já se disse, e que os anjos estão na bem-aventurança da sua inteligência e na felicidade de sua sabedoria, quando eles estão nesses arcanos. E, além disso, como há anjos que, enquanto eles eram homens, tiveram do Humano do Senhor a ideia de que ele era como o humano em um outro homem, para que esses anjos pudessem estar na outra vida com os anjos celestes — pois as ideias inspiradas pela afeição do bem, na outra vida, conjungem — tais erros são dissipados pelo sentido interno da Palavra, e eles são assim aperfeiçoados. Daí é possível ver quão preciosos são para os anjos os arcanos que estão no sentido interno da Palavra, ainda que talvez possam parecer de pouca importância ao homem, que, sobre semelhantes coisas, se acha em uma ideia tão obscura, que dificilmente tem ele alguma ideia.

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