Texto
. Quanto ao que diz respeito aos históricos, todos os fatos que neles são relatados são historicamente verdadeiros, exceto os dos primeiros capítulos do Gênesis, que são históricos compostos, assim como se disse na Primeira Parte; e ainda que sejam historicamente verdadeiros, eles têm sempre um sentido interno e, neste sentido, como os Proféticos, eles tratam unicamente do Senhor; eles tratam também do céu e da igreja, e das coisas que pertencem ao céu e à igreja, mas essas coisas pertencem ao Senhor, por isso é que por elas os históricos têm em vista o Senhor e são, por conseguinte, a Palavra. Os históricos ali são todos representativos e cada uma das palavras pelas quais eles são descritos são coisas significativas. Que os históricos sejam representativos, é o que se vê pelas explicações que até aqui foram dadas sobre Abrahão e o que se verá pelas que serão apresentadas, pela Divina Misericórdia do Senhor, sobre ‘Isaque’, ‘Jacó e os seus doze filhos’, sobre o ‘Egito’, sobre a ‘peregrinação do povo no deserto’, sobre a ‘sua entrada na terra de Canaã’ e sobre os outros acontecimentos.
[2] Que cada uma das palavras pelas quais eles são descritos sejam significativas, é também o que se vê claramente pelo que foi explicado, por exemplo, que os nomes significam coisas, por exemplo: o Egito, o conhecimento, Asshur, o racional, Efraim, o intelectual, Tiro, as cognições, Sião, a igreja celeste, Jerusalém, a igreja espiritual, e assim por diante; que o mesmo acontece com as palavras, por exemplo, que ‘rei’ significa o vero, o ‘sacerdote’, o bem, e que todos os outros têm uma significação interna, como reino, cidade, casa, nação, povo, jardim, vinha, bosque de oliveiras, ouro, prata, cobre, ferro, aves, bestas, pão, vinho, azeite [óleo], manhã, dia, luz, e isso constantemente, tanto nos Livros Históricos como nos Livros Proféticos, ainda que tenham sido escritos por diversos autores e em épocas diferentes. Essa significação jamais teria sido tão constante se a Palavra não tivesse descido do céu. Nisso se pode ver que há um sentido interno na Palavra, e, além disso, nisto que a Divina Palavra nunca pode se ocupar simplesmente de homens, por exemplo, de Abrahão, de Isaque, de Jacó, de sua posteridade, que foi a mais malvada das nações, de seus reis e de suas esposas, de seus filhos e de suas esposas, de seus filhos e de suas filhas, de suas meretrizes, de suas rapinas, e de coisas iguais que, consideradas em si mesmas, nem sequer são dignas de serem mencionadas na Palavra caso por elas não fossem representadas e significadas as coisas que estão no Reino do Senhor: estas são dignas da Palavra.