ac 2762

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que o ‘cavalo’ signifique o entendimento, isso vem unicamente das coisas representativas na outra vida, onde muitíssimas vezes, no mundo dos espíritos, se veem cavalos, e isso com muita variedade, e também cavaleiros sobre cavalos, e todas as vezes que eles aparecem, eles significam o intelectual. Há continuamente entre os espíritos tais representativos, por isso é que o cavalo é o representativo do intelectual, que, quando se faz menção de cavalos na Palavra, os espíritos e os anjos que estão próximos do homem sabem logo que se trata do intelectual. Daí também vem que cavalos brilhantes como fogo aparecem a certos espíritos pertencentes a um outro globo; quando imbuídos de inteligência e de sabedoria, eles são elevados do mundo dos espíritos ao céu. Esses cavalos foram também vistos por mim enquanto esses espíritos eram arrebatados. Por esse modo eu pude ver o que é significado pelo “carro de fogo” e “os cavalos de fogo” que foram vistos por Eliseu quando Elias subiu aos céus no meio de um turbilhão, e também o que é significado pela exclamação que então Eliseu fez:
“Meu Pai, Meu Pai, carro de Israel e os seus cavaleiros!” (2Rs. 2:11, 12);
e pelas mesmas palavras que Jeoás, rei de Israel, disse a Eliseu quando este morreu:
“Meu Pai, Meu Pai, carro de Israel e os seus cavaleiros!” (2Rs. 13:14);
que por ‘Elias’ e por ‘Eliseu’ foi representado o Senhor quanto à Palavra, dir-se-á em outra parte pela Divina Misericórdia do Senhor, a saber, pelo ‘carro de fogo’ a Doutrina do amor e da caridade extraída da Palavra, e a Doutrina da fé procedente daí, pelos ‘cavalos de fogo’. A Doutrina da fé é a mesma coisa que o entendimento da Palavra quanto às coisas interiores, ou o sentido interno. Que nos céus apareçam carros e cavalos entre os espíritos e os anjos, é o que consta não só de que carros e cavalos foram vistos por profetas, por exemplo, por Zacarias (cap. 1:8–10; 6:3–7) e por outros, até pelo moço de Eliseu, de que assim se fala no Livro dos Reis:
“Abriu JEHOVAH os olhos do moço de Eliseu, e viu, e eis o monte cheio de cavalos e de carros de fogo ao redor de Eliseu” (2Rs. 6:17);
além disso, no fato que, no mundo dos espíritos aparecem continuamente carros e cavalos na parte em que habitam os inteligentes e os sábios, e isso, como se disse, porque os carros e os cavalos representam as coisas que pertencem à sabedoria e à inteligência. Que, depois da morte, os ressuscitados que entram na outra vida veem um jovem que lhes é representado montando um cavalo e depois apeando-se do cavalo, e que por esse modo é significado que eles devem ser instruídos nas cognições do bem e vero antes de poderem entrar no céu, é o que se disse na Primeira Parte (n. 187, 188). Sabia-se muito bem, na Igreja Antiga, que os carros e os cavalos tinham tais significações, como se pode ver também pelo Livro de Jó, que é um livro da Igreja Antiga; nele se acham estas palavras:
“Deus lhe fez esquecer a sabedoria e não lhe repartiu a inteligência, segundo o tempo, ela se elevou ao alto, ela se ri do cavalo e de seu cavaleiro” (39:20, 21 [Em JFA, 39:17, 18]).
A significação do cavalo, que é o intelectual, passou da Igreja Antiga para os sábios dos arredores, até a Grécia; daí vem que eles, quando descreveram o sol, pelo qual é significado o amor (n. 2441, 2495), puseram nele o deus da sua sabedoria e da sua inteligência, e lhe atribuíram um carro e quatro cavalos de fogo; e que eles, quando descreveram o deus do mar, porque pelo ‘mar’ são significados os conhecimentos no geral (n. 28, 2120), deram-lhe também cavalos; e que, quando descreveram a origem dos conhecimentos, que procedem do intelectual, imaginaram um cavalo alado que, com o casco fez jorrar uma fonte junto a qual habitavam virgens, que são os conhecimentos; e pelo Cavalo de Tróia não foi significada outra coisa senão as astúcias sugeridas por seu entendimento para derrubar as muralhas. Mesmo hoje, quando se descreve o intelectual, ele é representado comumente — segundo o costume recebido desses antigos — por meio de um cavalo com asas, ou Pégaso, e a fonte, ou nascente, designa a erudição; mas dificilmente há hoje alguém que saiba que o ‘cavalo’, no sentido místico, significa o entendimento, e a ‘fonte’, o vero; ainda menos se sabe que esses significativos passaram, por derivação, da Igreja Antiga aos gentios.

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