ac 2768

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E DEUS tentou Abrahão’; que signifique as gravíssimas e íntimas tentações do Senhor, é o que se vê pelas coisas que seguem. Que por Abrahão seja representado e, no sentido interno, entendido o Senhor, é o que se vê claramente por todas as coisas que precedem onde se tratou de Abrahão. Que o Senhor tenha tido tentações gravíssimas e íntimas que, no sentido interno, são descritas neste capítulo, é o que vai ser explicado. Em relação ao que também se diz, que “Deus tentou”, é segundo o sentido da letra, em que as tentações e muitas outras coisas são atribuídas a Deus, mas de acordo com o sentido interno há que Deus a ninguém tenta, pois livra sem cessar das tentações, tanto quanto é possível ou tanto quanto a libertação não causa mal, e tendo em vista continuamente o bem, ao qual ele conduz aquele que está nas tentações. De fato, Deus nunca contribui de outro modo com as tentações; e ainda que se diga d’Ele que Ele permite, a verdade é que não é segundo a ideia que se tem de permissão, a saber, que Ele contribui a permitindo, porquanto o homem não pode compreender de outro modo senão que aquele que permite também o quer. É porém o mal no homem que faz a tentação e até mesmo que induz à tentação. Deus não está de nenhum modo na causa da tentação, como também um rei ou um juiz não está no motivo de que um homem faça o mal e por causa disso sofra as penas [que competem a esse mal]; com efeito, o indivíduo que se separa das leis da ordem Divina, que tendem todas para o bem e, daí, para o vero, se arremessa nas leis opostas à ordem Divina, as quais tendem para o mal e para o falso, e, portanto, para as punições e os tormentos.

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