Texto
. ‘E voltaremos a vós’; que signifique a conjunção depois, é o que também se pode ver sem mais explicação. Como neste capítulo se trata das gravíssimas e íntimas tentações do Senhor, há uma descrição de todos os estados que Ele assumiu quando as suportou. O primeiro estado é descrito no vers. 3; o segundo, neste versículo; o terceiro, no versículo seguinte, e os outros, depois. Contudo, esses estados não podem ser expostos de modo a serem compreendidos pela concepção ordinária, a não ser que se conheça antecipadamente o acervo de coisas, não apenas sobre o Divino do Senhor, Divino que é aqui representado por Abrahão, como também sobre Seu Humano Divino que é [representado] por Isaque, e sobre o estado desse Racional quando Ele empreendia e sofria os combates das tentações, Racional que é aqui o menino. Além disso, cumpre saber o que vem a ser o Racional anterior e qual é a sua qualidade, e também o que é o natural em relação a este; depois, qual é o estado quando um é adjunto ao outro, e qual é o estado quando eles estão mais ou menos separados. Cumpre saber ainda muitas coisas a respeito das tentações, por exemplo, o que vêm a ser as tentações exteriores e interiores, depois, quais as tentações íntimas e gravíssimas que o Senhor sofreu, das quais se trata neste capítulo. Enquanto tais coisas forem ignoradas, não é possível descrever (de modo que sejam compreendidas) as que estão neste versículo; e caso fossem descritas, até mesmo claramente, ainda assim pareceriam obscuras. Para os anjos, porque estão na luz do céu pelo Senhor, todas essas coisas estão manifestas e claras; ainda mais, elas são bem-aventuradas por serem celestíssimas.
[2] Aqui se dirá apenas que o Senhor nunca pôde ser tentado quando estava no Divino mesmo, porque o Divino está infinitamente acima de toda tentação, mas o pôde quanto ao Humano; é por causa disto que, a fim de padecer gravíssimas e íntimas tentações, Ele ajuntara a Si primeiro o humano, isto é, o Racional e o natural (como vem descrito no vers. 3), e depois disto, Ele Se separou deles (como se diz neste versículo), mas que ainda tinha retido alguma coisa pela qual pudesse ser tentado, por isso é que não se diz aqui ‘Isaque, meu filho’ mas o ‘menino’, pelo qual se entende o Racional Divino em tal estado, isto é, no estado do vero e disposto aos combates gravíssimos e íntimos das tentações (n. 2793). Que nem o Divino mesmo nem o Divino Humano possa ser tentado, é o que qualquer um pode ver por este único fato, que os anjos não podem sequer se aproximar do Divino; e ainda menos os espíritos que induzem às tentações não podem se aproximar, e menos ainda os infernos. Daí fica claro que o Senhor veio ao mundo e Se revestiu do próprio estado humano com a fraqueza dele, para que assim pudesse ser tentado quanto ao humano, e por meio das tentações subjugar os infernos, e também repor todas e cada uma das coisas na obediência e na ordem, e assim salvar o gênero humano, que se afastara tanto do Supremo Divino.