Texto
. Que o Divino Vero é o Filho, e o Divino Bem é o Pai, é o que se pode ver pela significação do ‘filho’, que é o vero, de que se tratou (n. 489, 491, 533, 1147, 2633); e pela do ‘pai’, que é o bem; depois, pela concepção e o nascimento do vero, no fato que ele provém do bem. O vero não pode ser e existir de outro lugar senão do bem, como se demonstrou muitas vezes. Aqui, que o ‘filho’ seja o Divino Vero, e o ‘pai’, o Divino Bem, é porque a união da Essência Divina com a Essência Humana e da Essência Humana com a Essência Divina é o Casamento Divino do Bem com o Vero e do Vero com o Bem do qual provém o casamento celeste. Com efeito, em JEHOVAH, ou seja, no Senhor, nada há senão o infinito; e porque [tudo que está n’Ele é] o infinito, não pode ser compreendido por ideia alguma, senão que Ele é o Ser e o Existir de todo Bem e Vero ou o Bem mesmo e o Vero mesmo. O Bem mesmo é o Pai, e o Vero mesmo é o Filho, mas como há um Casamento Divino, como foi dito, do Bem e do Vero, e do Vero e do Bem, o Pai está no Filho e o Filho no Pai, como o Senhor mesmo o ensina em João:
“Jesus disse a Felipe: Não crês que Eu [estou] no Pai e o Pai em Mim? ...Crede-Me que Eu [estou] no Pai e o Pai em Mim” (14:10, 11);
e em outras passagens do mesmo Evangelista:
“Jesus disse aos judeus: Se, pois, em Mim não credes, crede nas obras, para que conheçais e creiais que o Pai está em Mim e Eu no Pai” (10:36, 38);
e nesta passagem:
“Eu oro por eles; pois todas as Minhas coisas são Tuas, e [as] Tuas, Minhas; para que todos sejam um, do mesmo modo que Tu, ó Pai, [estás] em Mim, e Eu em Ti” (17:9, 10, 21);
e em outro lugar:
“Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado n’Ele; se Deus é glorificado n’Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo. ...Pai, glorifica o Teu Filho, para que também o Teu Filho Te glorifique” (13:31, 32; 17:1).
[2] Daí se pode ver qual é a união do Divino e do Humano no Senhor, a saber, que seja mútua e de um com o outro, ou seja, recíproca; é essa União que é denominada o Casamento Divino, do qual descende o casamento celeste, que é o Reino do Senhor mesmo nos céus, por isso se diz assim em João:
“Nesse dia conhecereis que Eu [estou] no Meu Pai, e vós em Mim, e Eu em vós” (14:20);
e em outro lugar:
“Oro por estes, para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, [estás] em Mim e Eu em Ti, para que também eles, em Nós, sejam um, Eu neles e Tu em Mim, para que o amor com que Me amaste esteja neles, e Eu neles” (17:21, 22, 23, 26);
que este casamento celeste seja do bem com o vero e do vero com o bem, foi visto (n. 2508, 2618, 2728, 2729 e seguintes).
[3] E porque o Divino Bem jamais pode ser e existir sem o Divino Vero, e o Divino Vero jamais sem o Divino Bem, mas que eles são e existem mútua e reciprocamente um no outro, daí é manifesto que o Casamento Divino tenha existido desde a eternidade, isto é, que de toda eternidade o Filho esteve no Pai e o Pai no Filho, assim como o Senhor mesmo o ensina em João:
“Agora, glorifica-Me Tu, ó Pai, em Ti mesmo, com a glória que tive em Ti antes que o mundo fosse” (17:5);
mas o Divino Humano, que nasceu de toda eternidade, nasceu também no tempo, e o que nasceu no tempo e foi glorificado é o mesmo; daí vem que o Senhor disse tantas vezes que Ele ia para o Pai, Que O enviou, isto é, que voltaria ao Pai; e em João:
“No princípio era a Palavra (a Palavra é o mesmo que o Divino Vero) e a Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra; ela estava no princípio em Deus; todas as coisas foram feitas por meio dela, e sem ela nada foi feito do que foi feito.”
Quanto ao restante
“a Palavra se fez carne e habitou em nós, e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito desde o Pai, cheio de graça e de verdade” (1:1, 2, 3, 14);
ver também João, 3:13; 6:62.