Texto
. ‘Os anos das vidas de Sarah’; que signifique enquanto algum Vero Divino restava, é o que se vê pela significação de ‘ano’, que é o período inteiro que pertence a uma igreja desde o começo até o fim, por conseguinte, [pela significação] dos ‘anos’, que são os períodos de que se acaba de tratar (n. 2905); e pela significação de ‘vidas de Sarah’, que são os estados quanto ao Vero Divino, de que também se tratou acima (n. 2904), portanto, aqui, que é o termo quando não havia mais vero Divino nenhum restante; é também uma consequência do que procede.
[2] Que o ‘ano’ signifique o tempo inteiro do estado da igreja desde o começo até o fim, ou, o que é o mesmo, um período inteiro e, consequentemente, os anos signifiquem os tempos ou os períodos compreendidos no [estado] geral, é o que se pode ver por estas passagens na Palavra: Em Isaías:
“[...] JEHOVAH Me ungiu para evangelizar os aflitos, Me enviou para curar os quebrantados de coração, para proclamar a liberdade aos cativos, e aos encarcerados a libertação em todo o modo, para proclamar o ano do beneplácito de JEHOVAH e o dia da vingança para o nosso Deus; ...” (61:1, 2);
onde se trata do Advento do Senhor; o ‘ano do beneplácito de JEHOVAH’ é o tempo da nova igreja. No mesmo:
“O dia da vingança [está] no Meu coração, e veio o ano dos Meus remidos” (Is. 63:4);
trata-se igualmente do Advento do Senhor; o ‘ano dos remidos’ está pelo tempo da nova igreja. No mesmo:
“O dia da vingança de JEHOVAH, o ano das retribuições pelo processo de Sião” (Is. 34:8);
igualmente.
[3] O mesmo tempo é também chamado o ‘ano da visitação’ em Jeremias:
“Trarei o mal sobre os varões Anaeoth, no ano da visitação deles” (11:23).
No mesmo:
“Trarei sobre Moab o ano da visitação deles” (Jr. 48:44).
É isto ainda mais manifesto em Ezequiel:
“Depois de muitos dias visitarás, na posteridade dos anos virá sobre uma terra virada pela espada, reunidas de muitos povos, sobre as montanhas de Israel que serão em devastação continuamente” (38:8);
a ‘posteridade dos anos’ está pelo último tempo da igreja, que então se torna nula, aqueles que antes tinham sido pela igreja, tendo sido rejeitados e outros tendo sido recebidos de outra parte. Em Isaías:
“Assim me disse o Senhor: Em ainda um ano, segundo os anos de um mercenário, e se consumirá toda a glória de Kedar” (21:16);
aí também é o último tempo.
[4] Em Ezequiel:
“No teu sangue que derramaste, ré te tornaste, e nos teus ídolos que fizeste, [tu] te poluíste, e fizeste aproximar os teus dias, e vieste até os teus anos, por isso te tornei o opróbrio das nações, e escárnio de todas as terras” (22:4);
‘vir até os teus anos’ está no lugar de chegar ao fim, quando o Senhor se retira da igreja. Em Isaías:
“Agora falou JEHOVAH, dizendo: Em três anos, como anos de um mercenário e se envelhecerá a glória de Moab, em toda a multidão grande, e o resíduo [será] pouco, muito pequeno” (16:14);
‘em três anos’ está também pelo fim da igreja anterior, que ‘os três’ signifiquem o completo e o princípio, foi visto (n. 1825, 2788).
[5] É semelhante com ‘sete’ e então ‘setenta’ (n. 720, 728, 901); daí, em Isaías:
“E sucederá, nesse dia, e em olvido será entregue Tiro [durante] setenta anos, segundo os dias de um Rei único; no fim de setenta anos sucederá a Tiro segundo o cântico da meretriz. E sucederá no fim de setenta anos, e JEHOVAH visitará Tiro, e [ela] voltará a recompensa de meretrício” (23:15, 17);
‘setenta anos’ está por um período inteiro pelo qual uma igreja existiu até que ela expira; esse período é também designado pelos dias de um só rei, porque o rei significa o vero da igreja (n. 1672, 1728, 2016, 2069). O cativeiro de setenta anos, em que estiveram os judeus, encerra também alguma coisa semelhante. Fala-se também a respeito disso assim em Jeremias:
“Servirão essas nações ao rei de Babel setenta anos, e sucederá [que] quando se completarem os setenta anos, visitarei sobre o rei de Babel, e sobre essa nação, dito de JEHOVAH, a iniquidade deles” (25:11, 12; 29:10).
[6] Que o ‘ano’ e então também os anos sejam um período inteiro da igreja ou o tempo da sua duração, é o que ainda se pode ver em Malaquias:
“Eis, envio o Meu Anjo, e preparará o caminho diante de Mim, e subitamente virá ao Seu templo o Senhor a Quem vós buscais, e o Anjo da aliança a Quem desejais; Eis, vem, disse JEHOVAH Zebaoth; e quem suportará o dia da vinda d’Ele? Então doce será a JEHOVAH a oferta de Judá e de Jerusalém, segundo os dias do século, e segundo os anos antigos” (3:1, 2, 4);
onde se trata do Advento do Senhor; os ‘dias do século’ estão pela Igreja Antiquíssima, e os ‘anos antigos’, pela Igreja Antiga; a ‘oferta de Judá’, pelo culto oriundo do amor celeste, e a ‘oferta de Jerusalém’, pelo culto proveniente do amor espiritual; vê-se manifestamente que aqui não é Judá que é entendido, nem Jerusalém. Em Davi:
“Pensei nos dias da antiguidade, e nos anos dos séculos” (Sl. 77:6 [Em JFA, 77:5]);
onde os ‘dias da antiguidade’ e os ‘anos dos séculos’ designam as mesmas igrejas; é ainda mais manifesto em Moisés:
“Lembra-te dos dias do século, atentai para os anos de geração em geração; interroga ao teu pai e [ele] anunciar-te-á, aos teus velhos e [eles] dirão a ti. Quando o Altíssimo der a herança às nações, e Ele mesmo separar os filhos do homem” (Dt. 32:7, 8).
[7] Que ‘ano’ e ‘anos’ seja o tempo pleno da igreja, é ainda o que se vê em Habacuque:
“Ó JEHOVAH! Ouvi a Tua fama; temi, JEHOVAH, a Tua obra; no meio dos anos, vivifica-o, no meio dos anos conhecido [o] faças, na ira da misericórdia lembra-Te. Deus virá de Temã, e o Santo, da montanha de Paran” (3:2, 3);
trata-se do Advento do Senhor; ‘no meio dos anos’ está pela plenitude dos tempos. O que é a plenitude dos tempos, foi visto acima (n. 2905).
[8] Assim como o ano e os anos significam o tempo pleno entre um e outro limite, o começo e o fim, quando se dizem do Reino do Senhor na terra, isto é, da igreja, assim também eles significam a eternidade quando predicados do Reino do Senhor no céu, como em Davi:
“Deus, por geração e geração dos Teus anos, ...e Tu [és] o mesmo, e os Teus anos não se consumirão; os filhos dos teus servos permanecerão, e a semente deles diante de ti se afirmará” (Sl. 102:25, 28, 29 [Em JFA, 102:24, 27, 28]).
No mesmo:
“Dias sobre dias do Rei, acrescentarás, os anos d’Ele, segundo a geração e geração, e habitará eternamente diante de Deus” (61:7, 8);
onde os ‘anos’ designam a eternidade, com efeito, trata-se do Senhor e de Seu Reino.
[9] Que os cordeiros que eram oferecidos em holocausto e em sacrifício fossem filhos de um ano (Lv 12:6; 14:10; Nm 5:12; 7:15, 21, 27, 33, 39, 45, 51, 57, 63, 75, 81, e em outras passagens), era para significar as coisas celestes da inocência no Reino do Senhor, coisas celestes que são eternas; daí também o holocausto dos novilhos filhos de um ano, mencionado em Miqueias (6:6) como muito agradável.
[10] Que o ‘ano’, no sentido interno, não signifique um ano, é ainda o que se pode ver no fato que os anjos, que estão no sentido interno da Palavra, não podem ter ideia alguma de ano; mas como o ano é o pleno de um tempo na natureza pertencente ao mundo, é por isso que em vez do ano eles têm a ideia de pleno relativamente aos estados da igreja, e a ideia da eternidade relativamente aos estados do céu; para os anjos os tempos são estados (n. 1274, 1382, 2625, 2788, 2837).