Texto
. ‘A terra [é] de quatrocentos siclos de prata’; que signifique o preço da redenção pelo vero, vê-se pela significação de ‘quatrocentos siclos’, de que se tratará no que segue; e pela significação da ‘prata’, que é o vero (n. 1551, 2048, 2938). Que os ‘quatrocentos siclos’ signifiquem o preço da redenção, vem isso de que ‘os quatrocentos’ significam a vastação, e o ‘siclo’, o preço. O que é vastação, foi visto (n. 2455, 2682, 2694, 2699, 2701, 2704), a saber, que seja dupla, uma quando a igreja perece inteiramente, isto é, quando não há mais caridade ou nenhuma fé, então se diz que ela está devastada ou deserta; a outra, quando os das igrejas são reduzidos ao estado de ignorância e também ao estado de tentação, a fim de que neles os males e falsos sejam separados e, por assim dizer, dissipados. Os que emergem dessa vastação, eles são os que são especificamente chamados redimidos, pois então eles são instruídos nos bens e veros da fé e são reformados e regenerados pelo Senhor; deles se trata nos locais citados. Agora, como quatrocentos, predicados do tempo, por exemplo, quatrocentos anos, significam a duração e o estado da vastação, do mesmo modo os quatrocentos, quando predicados do siclo, significam o preço da redenção, e quando, ao mesmo tempo, se nomeia a prata, eles significam o preço da redenção pelo vero.
[2] Que os ‘quatrocentos anos’ signifiquem a duração e o estado da vastação, pode-se ver pelas coisas que foram ditas a Abrahão:
“JEHOVAH disse a Abrahão: Conhecendo conhecerás, que a tua semente será peregrina na terra [que] não [é] deles, e servirão a eles, e os afligirão quatrocentos anos” (Gn. 15:13);
onde se vê que por ‘quatrocentos anos’ se entende a duração [da moradia] dos filhos de Israel no Egito; mas que não é a duração deles no Egito que é significada, mas que seja alguma coisa que não se torna manifesta a ninguém, exceto pelo sentido interno, é o que se pode ver no fato que a duração dos filhos de Israel no Egito foi apenas a metade desse tempo, como é evidente pelos nascimentos desde Jacó até Moisés. Com efeito, de Jacó nasceu Levi, de Levi, Kehath [ou Coate], de Coate, Anrão, e de Anrão, Aharão e Moisés (Êx. 6:16–20); Levi e seu filho Coate vieram com Jacó ao Egito (Gn. 46:11); daí Moisés era da segunda geração [depois de Coate], e Moisés tinha 80 anos quando falou ao faraó (Êx. 7:7). Pode-se, pois, ver que, desde a entrada de Jacó até a saída de seus filhos, houve cerca de 215 anos.
[3] Torna-se ainda mais evidente que por quatrocentos anos, na Palavra, se entende coisa diferente do que é significado por esse número no sentido histórico, a partir do que foi dito “que a morada dos filhos de Israel, que habitaram no Egito, fora de trinta anos e quatrocentos anos, e sucedeu, no fim dos trinta anos e quatrocentos anos, e sucedeu, neste mesmo dia, que todos os exércitos de JEHOVAH saíram da terra do Egito” (Êx. 12:40, 41); quando, todavia, a duração dos filhos de Israel ali fora apenas a metade desses anos, mas que desde a entrada de Abrahão no Egito tenha se passado 430 anos, razão por que se disse dessa forma, por causa do sentido interno que está oculto nessas palavras. No sentido interno, pela peregrinação dos filhos de Jacó no Egito é representada e significada a vastação da igreja, cujo estado e duração estão descritos pelo número trinta e quatrocentos anos; por ‘trinta’, o estado da vastação dos filhos de Jacó, que foi nula, porque eles eram tais que não puderam ser reformados por nenhum estado de vastação (a respeito da significação do número trinta, ver o n. 2276); e por ‘quatrocentos anos’, o estado de vastação geral daqueles que são da igreja.
[4] Aqueles, pois, que saem dessa vastação, esses são os que são chamados os redimidos, o que também é evidente pelas palavras de Moisés:
“Por isso, dize aos filhos de Israel: Eu [sou] JEHOVAH, e retirar-vos-ei de debaixo dos fardos do Egito e livrar-vos-ei da servidão deles, e redimir-vos-ei com braço estendido e por juízos grandes” (Êx. 6:6);
e em outro lugar:
“Retirou-vos JEHOVAH por mão forte, e redimiu a ti da casa dos servos, da mão do faraó, rei do Egito” (Dt. 7:8; 13:6 [Em JFA, 13:5]);
e em outro lugar:
“Lembrai de que foste escravo na terra de Egito, mas JEHOVAH teu Deus te resgatou” (Dt. 15:15; 24:18).
Em Samuel:
“...o teu povo a quem Tu redimiste do Egito” (2Sm. 7:23).
Como aqueles que emergem do estado de vastação são ditos redimidos, por isso por ‘quatrocentos siclos’ é significado o preço da redenção.
[5] Que o ‘siclo’ significa o preço, ou a avaliação, vê-se por estas passagens na Palavra: Em Moisés:
“Toda tua avaliação será no siclo da santidade” (Lv. 27:25);
e em outro lugar:
“Uma alma quando prevaricada a prevaricação, e pecou por erro a respeito das coisas santas de JEHOVAH, e trará o seu resgate a JEHOVAH, um carneiro intacto do rebanho, na tua avaliação, por prata de siclos, em siclo da santidade” (Lv. 5:15);
daí é evidente que o ‘siclo’ significa o preço ou a avaliação. Diz-se ‘siclo da santidade’ porque o preço, ou a avaliação, diz respeito ao vero e bem pelo Senhor, o vero e bem pelo Senhor é a santidade mesma na igreja; daí vem que se diga ‘siclo da santidade’ também em vários outros lugares, por exemplo: Êx. 30:23; Lv. 27:3; Nm. 3:47, 50; 7:13, 19, 25, 31, 37, 43, 49, 55, 61, 67, 73; 18:16.
[6] Que o siclo seja o preço da santidade é o que se vê claramente em Ezequiel, onde se trata da Terra Santa e da Cidade Santa; ali se fala assim do siclo:
“O siclo ali [será] de vinte geras, vinte siclos, vinte e cinco siclos, quinze siclos, a mina (libra) será para vós" (45:12);
qualquer um pode ver que aí pelo siclo e pela libra e pelos números, são significadas as coisas santas, isto é, o bem e o vero; porque a Terra Santa e a Cidade Santa, ou a Nova Jerusalém, de que se trata nessa passagem, não é outra coisa senão o Reino do Senhor, onde não há siclo, nem geras, nem libra nem numeração por essas peças e por esses pesos, mas onde o próprio número, pela significação no sentido interno, determina a avaliação, ou o preço, do bem e vero.
[7] Em Moisés:
“Que o varão dará em expiação a sua alma, para que não haja praga, um meio siclo em siclo de santidade, vinte geras o siclo, e que o meio siclo fosse o therumah (a oblação) a JEHOVAH” (Êx. 30:12, 13);
aí as ‘dez geras, que fazem o meio siclo’ são as relíquias que vêm do Senhor; as relíquias são os bens e veros escondidos no homem, viu-se que elas são significadas por ‘dez’ (n. 576, 1838, 1906, 2284); que as relíquias sejam os veros escondidos pelo Senhor no homem, foi visto (n. 1906, 2284); razão por que são chamadas o therumah, ou a oblação a JEHOVAH, e que se diz que por elas haverá expiação da alma. A razão por que às vezes se diz que o siclo era de vinte geras, como no lugar citado e também em Lv. 27:25; Nm. 3:47; 18:16, e em outros lugares, é porque o siclo de vinte geras significa a avaliação dos bens das relíquias. Que vinte seja o bem das relíquias, foi visto (n. 2280). É também por isso que o siclo era um peso com que se avaliava tanto o preço do ouro como o da prata (Gn. 24:22; Êx. 37:24; Ez. 4:10; 45:12), o preço do ouro, porque o ouro significa o bem (n. 113, 1151, 1552), e o preço da prata porque a prata significa o vero (n. 1551, 2048). Daí fica agora evidente que uma ‘terra de quatrocentos siclos de prata’ significa o preço da redenção pelo vero. Como se trata da igreja espiritual que o Senhor reforma e regenera pelo vero (n. 2954), é por isso que se diz da terra. Que a terra significa a igreja, ver n. 662, 1066, 1067, 1262, 1733, 1850, 2117, 2118 no fim.