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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Que não tomes mulher para o meu filho das filhas do cananeu’; que signifique que o Racional Divino não deveria ser conjungido a nenhuma afeição que discorda do vero, é o que se vê pela significação de ‘tomar uma mulher’, que é ser conjungido por meio da aliança do casamento; pela significação de ‘meu filho’, a saber, de Isaque, que é o Racional Divino do Senhor (n. 1893, 2065, 2083, 2630); pela significação das ‘filhas’, que são as afeições (n. 489, 490, 491, 568, 2362); e pela significação do ‘cananeu’, que é o mal (n. 1444, 1573, 1574). Daí vem que as ‘filhas do cananeu’ sejam as afeições que discordam do vero. Trata-se aqui do Vero Divino, que deve ser adjunto ao Bem Divino do Racional do Senhor, como se pode ver pelo Conteúdo (n. 3013): pela mulher que deve ser associada pela aliança do casamento se entende esse Vero mesmo que deve, por uma via geral, ser evocado do homem natural; por ‘meu filho’ entende-se o Racional do Senhor quanto ao Bem, ao qual [Racional esse vero] deve ser adjunto ou associado. Daí se pode saber que por ‘não tomar uma mulher das filhas de cananeu para o filho’ é significado que ele não seria conjunto a nenhuma afeição que discorda do vero. Toda conjunção do vero com o bem se faz pela afeição, nunca vero algum entra realmente no racional do homem e aí é conjungido, a não ser por meio da afeição, pois na afeição está o bem do amor, que é unicamente o que conjunge (n. 1895), o que também se pode conhecer por aquele que reflete.
[2] Que as ‘filhas do cananeu’ signifiquem as afeições que discordam do vero, isto é, as afeições do falso, pode-se ver pela significação das filhas; com efeito, na Palavra, as filhas são mencionadas em muitos lugares, e qualquer um pode aí ver que não são as filhas que são entendidas, como, por exemplo, a filha de Sião, a filha de Jerusalém, a filha de Társis, a filha de meu povo, que estas sejam as afeições do bem e do vero, foi demonstrado nos lugares citados acima; e porque são afeições do bem e do vero, elas também são a igreja, pois as igrejas são igrejas a partir dessas afeições. Daí vem que pela ‘filha de Sião’ é significada a igreja celeste, e isso provém da afeição do bem; mas pela ‘filha de Jerusalém’ é significada a igreja espiritual proveniente da afeição do vero (n. 2362); [esta igreja] também é significada pela ‘filha de meu povo’ (Is. 22:4; Jr. 6:14, 26; 8:19, 21, 22, 23; 14:17; Lm. 2:11; 4:6; Ez. 13:17).
[3] Daí se vê o que é significado pelas ‘filhas das nações’, por exemplo, pelas ‘filhas dos filisteus’, as ‘filhas do Egito’, as ‘filhas de Tiro e de Sidon’, as ‘filhas de Edom’, as ‘filhas de Moab’, as ‘filhas dos caldeus’ e ‘de Babel’, as ‘filhas de Sodoma’, que, a saber, são as afeições do mal e do falso de que se compõem as suas religiosidades, assim, as próprias religiosidades. Que seja essa a significação das ‘filhas’, pode-se ver por estas passagens: Em Ezequiel:
“[...] As filhas das nações lamentarão [sobre] o Egito... Pranteia sobre a multidão do Egito, e faze-a descer, ela e as filhas das nações magnificas para a terra dos inferiores com os que descem à cova” (32:16, 18);
as ‘filhas das nações magníficas’ estão pelas afeições do mal. Em Samuel:
“Não indicai em Gath, não evangelizai nas praças de Askalon, talvez se regozijem as filhas dos filisteus, talvez exultem as filhas dos incircuncisos” (2Sm. 1:20).
Em Ezequiel:
“Escortada estiveste com os filhos do Egito,... entreguei-te à alma dos que te odiavam, das filhas dos filisteus, [...] antes que fosse revelado o teu mal, como no tempo da ignomínia das filhas da Síria e de todos os arredores dela, das filhas dos filisteus que te desprezavam do arredor” (16:26, 27, 57).
Qualquer um pode ver que não são filhas que são aqui entendidas, mas que são as religiosidades de tais que são aqui significados pelos filisteus, e religiosidades que são tais que nelas se fala muito da fé e que nelas não se pratica de modo algum a vida da fé (ver n. 1197, 1198); por isso também se diz que eles são incircuncisos, isto é, sem caridade.
[4] Em Jeremias:
“Sobe a Gilead, e toma o bálsamo, ó virgem filha do Egito;... Bagagem de migração faz para ti, ó habitante, filha do Egito;... Envergonhada está a filha do Egito, foi entregue à mão do povo do norte” (46:11, 19, 24);
a ‘filha do Egito’ está no lugar da afeição de raciocinar a respeito dos veros da fé (se tal coisa é assim) a partir dos conhecimentos, assim, está no lugar da religiosidade que surge dessa afeição e que é tal que nada crê senão o que pode compreender pelos sentidos, portanto, não crê em nada que pertence ao vero da fé (ver n. 215, 232, 233, 1164, 1165, 1186, 1385, 2196, 2203, 2209, 2568, 2588).
[5] Em Isaías:
“Disse: Não continuará mais a te exultar, ó opressa virgem, filha de Sidon” (23:12).
Em Davi:
“A filha de Tiro [estará] com presente, às tuas faces pedirão os ricos do povo” (Sl. 45:13 [JFA, 45:12]);
o que é a ‘filha de Sidon’ e a ‘filha de Tiro’, vê-se pela significação de Sidon e Tiro, de que se tratou (n. 1201). Em Jeremias:
“Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom; ... consumou-se a tua iniquidade, ó filha de Sião; não continuará a te fazer migrar, será visitada a tua iniquidade, ó filha de Edom ...” (Lm. 4:21, 22).
Em Isaías:
“Como uma ave vagando, uma ninhada [que] se escapa, serão as filhas de Moab” (16:2).
No mesmo:
“Desce e assenta[-te] sobre o pó, ó virgem filha de Babel; assenta-te à terra, não [há] trono, ó filha dos caldeus. Assenta[-te] silenciosa, e entra nas trevas, ó filhas dos caldeus, porque não continuará [que] te chamem senhora dos reinos” (Is. 47:1, 5).
Em Jeremias:
“Um povo vem do norte, ... ordenado como um varão para a guerra, sobre ti, ó filha de Babel” (50:41, 42).
No mesmo:
“[...] A filha de Babel [é] como eira, [no] tempo para debulhá-la” (Jr. 51:33).
Em Zacarias:
“Ai! Sião! Escapa-te, [tu] que habitas com a filha de Babel” (2:11 [Em JFA, 2:7])
Em Davi:
“A filha de Babel foi devastada” (Sl. 137:8).
Em Ezequiel:
“As tuas irmãs, Sodoma e as filhas dela, voltarão ao seu antigo (estado)”, e Samaria e as filhas dela voltarão ao seu antigo estado, ...” (16:55).
[6] Que, nessas passagens, pelas ‘filhas’ não se entendem filhas, qualquer um pode ver, mas sim que são entendidas as afeições que discordam do vero, assim, as religiosidades que procedem dessas afeições; mas quais são essas religiosidades, é o que se vê pela significação desses povos, por exemplo pela de Edom, de Moab, dos caldeus, de Babel, de Sodoma, de Samaria, de que se tratou aqui e ali nas explicações dos capítulos anteriores de Gênesis. Daí, agora se vê o que é significado aqui pelas ‘filhas do cananeu’.
[7] Que não se contrairia matrimônio com as filhas dos cananeus se referia também a essas coisas espirituais [nisto], que o bem e o falso, assim como o mal e o vero não deviam ser conjungidos, porquanto é daí que vem a profanação. A proibição era também o representativo desse assunto, de que se trata em Deuteronômio (8:3), e em Malaquias:
“Profanou Judá a santidade de JEHOVAH, porque amou e esposou179a filha de um deus estrangeiro” (2:11).

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