Texto
. ‘E ele habitava na terra do sul’; que signifique daí na luz Divina, é o que se vê pela significação de ‘habitar’, que é viver (n. 1293), e que essa palavra se predica a respeito do bem (n. 2260, 2451, 2712); e pela significação da ‘terra do sul’, que é a Divina Luz. Com efeito, o ‘sul’ [ou meio-dia] significa a luz, e de fato a luz da inteligência, que é a sabedoria (n. 1458); mas a ‘terra do sul’ significa o lugar e o estado em que há essa luz; assim, aqui, que ‘Isaque veio vindo de Beer-lahai-roi, e ele habitava na terra do sul’ significa que o Divino Bem Racional, porque nasceu do Divino Vero, estava na Divina Luz.
[2] Na Palavra, menciona-se muitas vezes da luz, e por ela, no sentido interno, é significado o vero que provém do bem; mas no sentido interno supremo, pela Luz é significado o Senhor mesmo, porque é Ele que é o Bem e Vero mesmo. Há também realmente uma Luz no céu, que é infinitamente mais luminosa do que a luz na terra (ver n. 1053, 1117, 1521 ao 1533, 1619 ao 1632); nessa Luz se veem mutuamente os espíritos e os anjos, e por ela é conspícua toda a glória que está no céu. Contudo, essa luz, quanto à luminosidade, se mostra de fato semelhante a luz no mundo, mas ainda assim não é semelhante, pois não é natural, mas sim espiritual. Ela tem em si a sabedoria, assim de tal modo que ela não é outra coisa senão a sabedoria, que brilha assim diante dos olhos deles; é até por isso que, quanto mais os anjos são sábios, mais eles estão em uma iluminação pela Luz (n. 2776). Essa Luz ilumina também o entendimento do homem, principalmente o [homem] regenerado, mas não é apercebida pelo homem enquanto ele está na vida do corpo, por causa da luz do mundo, que então reina. Os maus espíritos, na outra vida, se veem também mutuamente, e também veem várias coisas representativas, que existem no mundo dos espíritos, e isso, na verdade, a partir da luz do céu, mas é um lume tal qual é o de um fogo de carvão, porquanto a luz do céu é vertida em um tal lume quando a eles banha.
[3] Quanto ao que concerne a origem mesma da Luz, ela existiu desde a eternidade pelo Senhor só, pois o Divino Bem mesmo, e o Divino Vero, de que procede a Luz, é o Senhor. O Divino Humano, que [é] de toda a eternidade (João, 17:5), foi essa Luz mesma; a qual Luz, porque não podia mais afetar o gênero humano, que tanto se afastou do bem e do vero, assim, da Luz, e tanto tinha se precipitado nas trevas, por isso o Senhor quis revestir o Humano mesmo pelo nascimento, porquanto assim Ele pôde iluminar não só as coisas racionais do homem, mas também as naturais dele. Com efeito, Ele fez Divino em Si tanto o Racional como o Natural, a fim de que a Luz pudesse também estar nos que estivessem em tão densas trevas.
[4] Que o Senhor seja a Luz, isto é, o Bem e Vero mesmo, e que assim d’Ele provenha toda inteligência e sabedoria, por conseguinte, a salvação, é o que se pode ver por muitas passagens na Palavra; por exemplo, em João:
“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e Deus era a Palavra. [...] N’Ela estava a vida, e a vida era a Luz dos homens; [...] João veio para dar testemunho da Luz não era ele a Luz, mas para dar testemunho da Luz,... Não era ele a Luz, mas para testemunhar da Luz. Era a Luz verdadeira que ilumina o todo homem que vem ao mundo” (1:1, 4, 7, 8, 9).
A Palavra era o Divino Vero, assim, o Senhor mesmo quanto ao Divino Humano, de que se diz que ‘a Palavra estava com Deus’ e que ‘Deus era a Palavra’.
[5] No mesmo:
“Este é juízo: Que a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a Luz” (João, 3:19;
a Luz esta pelo Divino Vero. No mesmo:
“Jesus disse: Eu sou a Luz do mundo, quem Me seguir, não andará em trevas, mas terá a Luz da vida” (João, 8:12).
No mesmo:
“Ainda um pouco de tempo a Luz está convosco; andai enquanto tendes a Luz, para que as trevas não vos apreendam; enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para que filhos da Luz sejais” (João, 12:35, 36).
No mesmo:
“Quem vê a Mim, vê Aquele que Me enviou; Eu, a Luz, vim ao mundo, e todo aquele que crê em Mim, não permaneça em trevas” (Jo. 12:45, 46).
Em Lucas:
“Viram, os meus olhos, a tua salvação, que preparaste diante da face de todos os povos, a Luz para revelação das nações, e a glória do teu povo, Israel” (2:30, 31, 32);
[é o cântico] profético de Simeão a respeito do Senhor quando Ele nasceu.
[6] Em Mateus:
“O povo que estava assentado nas trevas viu umaLuz grande, e aos que estavam assentados na região e na sombra da morte, uma Luz se elevou” (4:16; Isaías, 9:1).
A partir dessas passagens, vê-se claramente que o Senhor, quanto ao Divino Bem e Vero no Divino Humano, é chamado ‘Luz’; e também nos Proféticos do Antigo Testamento, como em Isaías:
“Estará, a Luz de Israel, em fogo, e o Santo dele, em chama” (10:17).
No mesmo:
“Eu JEHOVAH, chamei-Te na justiça, e dar-Te-ei por aliança do povo, e para Luz das nações” (Is. 42:6).
No mesmo:
“Dei-Te por Luz das nações, para que sejas a minha salvação até a extremidade da terra” (Is.49:6).
No mesmo:
“Levanta-te, sê iluminada, porque veio a tua Luz, e a glória de JEHOVAH se levantou sobre Ti; andarão as nações para tua Luz, e os reis para o esplendor do teu levantar” (Is. 60:1, 3).
[7] Que toda a Luz do céu, por conseguinte, toda sabedoria e toda inteligência, vem do Senhor, em João:
“A Cidade Santa, Jerusalém nova, descendo de Deus do céu, preparada como uma noiva ornada para o marido, não tem necessidade de sol, nem de lua, para que brilhem nela, a glória de Deus a iluminará, e a Lâmpada dela [será] o Cordeiro” (Ap. 21:2, 23).
Da mesma depois:
“Noite não haverá ali, nem necessidade terão de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina” (Ap. 22:5).
[8] Em Isaías também:
“Não terás mais o sol por luz durante o dia, e por esplendor a lua não brilhará para ti, mas terás JEHOVAH por luz da eternidade, e o teu Deus por Sua glória [decus]. Não se porá mais o teu sol, e a sua lua não se recolherá, porque JEHOVAH será para ti por luz da eternidade” (60:19, 20);
‘não haverá mais o sol para luz durante o dia, e em esplendor a lua não brilhará’ está por que não as coisas que pertencem à luz natural, mas sim as que pertencem à luz espiritual, as quais são significadas por que ‘JEHOVAH será por luz de eternidade’. Que JEHOVAH, mencionado aqui e em outras passagens no Antigo Testamento, seja o Senhor, foi visto (n. 1343, 1736, 2156, 2329, 2921, 3023, 3035).
[9] Que Ele é a Luz do céu, o Senhor também mostrou abertamente aos três discípulos, Pedro, Tiago e João, a saber, quando, na transfiguração, “Sua face resplandeceu como o Sol e as Suas vestimentas se tornaram como a Luz” (Mt. 17:2). A ‘face como o Sol’ era o Divino Bem; as ‘vestimentas como a Luz’ era o Divino Vero; daí se pode saber o que se entende por estas palavras na bênção:
“JEHOVAH faça luzir Suas faces sobre ti e tenha misericórdia de ti” (Nm. 6:25).
(Que as ‘faces de JEHOVAH’ seja a Misericórdia, a paz, o bem, ver n. 222, 223; e que o ‘Sol’ seja o Divino Amor, assim, que seja o Divino Amor do Senhor que aparece equivalente ao Sol no céu dos anjos, n. 30 ao 38, 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 2441, 2495.)