Texto
. ‘E o servo narrava a Isaque todas as palavras que fez’; que signifique a percepção oriunda do Divino natural a respeito do modo como a coisa se tinha, vê-se pela significação de ‘narrar’, que é perceber; a percepção, com efeito, é uma narração interna, por assim dizer; é por isso que perceber é expresso, nos históricos da Palavra, por ‘narrar’, e também por ‘dizer’ (n. 1791, 1815, 1819, 1822, 1898, 1919, 2080, 2619, 2862); pela significação do ‘servo’, aqui, que é o Divino natural, de que se tratará no que segue; e pela significação de ‘palavras’, que são as coisas [ou os fatos] (n. 1785); significações a partir das quais se vê que “o servo narrava todas as palavras que fez” significa que o Divino Bem Racional percebera, pelo Divino natural, de que modo a coisa acontecia. A coisa assim se tem: o Racional está no grau acima do natural, e o Racional Bem, no Senhor, foi Divino, mas o Vero, que devia ser elevado do natural, não foi Divino antes de ter sido conjunto ao Divino Bem do Racional. Para que, pois, o Bem do Racional influísse no natural, devia haver um intermediário, esse intermediário não pôde ser outro senão um natural que participasse do Divino; esse natural é representado pelo servo mais antigo da casa de Abrahão, que administrava tudo que ele tinha (n. 3019, 3020); que esse servo signifique o Divino natural, foi visto (n. 3191, 3192, 3204, 3206).