Texto
. ‘Abrahão adicionou, e tomou uma mulher’; que signifique o segundo estado do Senhor, a Quem ‘Abrahão’ representa, e que ‘Abrahão e Sarah’ representaram o Senhor quanto ao Divino Celeste, e ‘Abrahão e Keturah’, quanto ao Divino Espiritual, vê-se pelas coisas que foram ditas e demonstradas até agora, a respeito de Abrahão e de sua esposa Sarah, e pelas coisas que são aqui lembradas a respeito de Abrahão e de Keturah. Mas porque se diz que Abrahão, aqui, representa o segundo estado do Senhor, e que Abrahão e Sarah representaram o Senhor quanto ao Divino Celeste, e que Abrahão e Keturah O representaram quanto ao Divino Espiritual, é necessário saber o que é o Divino Celeste e o que é o Divino Espiritual.
[2] O Divino Celeste e o Divino Espiritual são considerados relativamente àqueles que recebem o Divino do Senhor, porque o Senhor aparece a cada um de acordo com a qualidade daquele que recebe, como se pode ver pelas coisas que foram ditas nos n. 1838, 1861; e é claramente manifesto por isto, que o Senhor apareça de um modo aos celestes mas de outro modo aos espirituais, visto que aos celestes Ele aparece como Sol, e aos espirituais, como Lua (n. 1529, 1530, 1531, 1838). O Senhor aparece aos celestes como Sol, porque eles estão no amor celeste, isto é, no amor ao Senhor; mas como Lua aos espirituais, porque eles estão no amor espiritual, isto é, na caridade para com o próximo. A diferença é qual a que existe entre a luz do Sol durante o dia e a luz da Lua durante a noite, depois, qual a que existe entre o calor de uma e outra luz, de que resultam as germinações. São essas as coisas que se entendem no primeiro capítulo do Gênesis por estas palavras:
“E fez Deus dois luminares grandes, o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite” (vers. 16).
[3] Em geral o Reino do Senhor é celeste e espiritual, isto é, compõe-se dos celestes e dos espirituais; e porque o Divino do Senhor aparece aos celestes como celeste, e aos espirituais como espiritual, vem daí que se diga que Abrahão e Sarah tenham representado o Senhor quanto ao Divino Celeste, e Abrahão e Keturah, quanto ao Divino Espiritual. Como, porém, dificilmente há alguém que saiba o que é o celeste e o que é o espiritual, e então quem são esses, vejam-se as coisas que foram ditas e demonstradas anteriormente, a saber: o que é o celeste e o que é espiritual, n. 1155, 1577, 1824, 2048, 2184, 2227, 2527; quem são os celestes e quem são os espirituais, n. 2088, 2669, 2708, 2715; que o homem celeste seja a semelhança do Senhor e faça o bem a partir do amor, e que o espiritual seja a imagem do Senhor e faça o bem a partir da fé, n. 50, 51, 52, 1013; que os celestes percebem o vero a partir do bem, e que nunca raciocinem a respeito do vero, n. 202, 337, 607, 895, 1121, 2715; que no homem celeste o bem é semeado em sua parte voluntária, mas no homem espiritual, em sua parte intelectual; e que nessa parte nos espirituais seja criada uma nova vontade, n. 863, 875, 890, 897, 927, 1023, 1043, 1044, 2250; que os celestes, do bem mesmo, vejam coisas infindas, mas que os espirituais, porque raciocinam para saber se tal coisa é assim, não podem chegar ao primeiro limite da luz dos celestes, n. 2718; que os espirituais estão relativamente na obscuridade, n. 1043, 2708, 2715; que o Senhor tenha vindo ao mundo para salvar os espirituais, n. 2661, 2726, 2833, 2834.