Texto
. ‘E Jokshan gerou Sheba, e Dedan’; que signifique as derivações da primeira sorte, é o que se vê pela representação de ‘Jokshan’ e de seus filhos ‘Sheba’ e ‘Dedan’, de que se vai falar. Aqui, como são meros nomes e que por eles são significados os estados e as derivações da igreja espiritual do Senhor, deve-se dizer como a coisa se passa a esse respeito no geral: A igreja celeste difere da igreja espiritual nisto, que aqueles que são da igreja celeste, e que são chamados celestes, estão no amor, a saber, no bem e no vero do amor, mas aqueles que são da igreja espiritual e que são chamados espirituais, estão na fé, a saber, no bem e no vero da fé. O bem que há nos celestes pertence ao amor ao Senhor, e o vero que há neles pertence ao amor para com o próximo; mas o bem nos espirituais pertence à caridade para com o próximo, e o vero neles pertence à fé até onde esta é a doutrina da caridade. Daí se pode ver que no Reino espiritual do Senhor, assim como em Seu Reino celeste, há o bem e o vero, mas com muita diferença.
[2] Cumpre saber, além disso, que aqueles que estão nesses Reinos se distinguem entre si pelo bem e pelo vero, a causa é, porque há aqueles que estão mais no bem, e há aqueles que estão mais no vero, daí vem então derivações, a saber, derivações do bem e derivações do vero. As derivações do bem no Reino espiritual do Senhor são as que são representadas pelos filhos de Jokshan, dos quais se trata neste versículo, mas as derivações do vero nesse Reino são as que são representadas pelos filhos de Midiã, dos quais se trata no versículo seguinte. Ora, como há duas classes de espirituais, a saber, aqueles que estão mais no bem e aqueles que estão mais no vero, por isso eles têm duas sortes de doutrinais, a saber, os doutrinais da caridade e os doutrinais da fé. Os doutrinais da caridade para os que estão no bem da fé e são aqui significados pelos filhos de Jokshan, mas os doutrinais da fé para os que estão no vero da fé e são significados pelos filhos de Midiã.
[3] Sheba e Dedan são os que constituem a primeira classe, isto é, aqueles que, no Reino Espiritual do Senhor, estão no bem da fé e que têm os doutrinais da caridade; daí vem que por Sheba e Dedan são significadas as cognições das coisas celestes, ou, o que é o mesmo, aqueles que estão nas cognições das coisas celestes, isto é, que estão nos doutrinais da caridade, pois os doutrinais da caridade são as cognições, e o celeste pertence à caridade que o homem espiritual possui. Que ‘Sheba’ e ‘Dedan’ sejam esses homens, é o que na Primeira Parte se mostrou (n. 117, 1168, 1171, 1172); mas ali Sheba e Dedan são bisnetos de Cam e são chamados filhos de Rama. Mas deve-se saber que Cham, como também Jafée Shem, nunca tenham existido, mas que aqueles que foram da igreja depois do dilúvio, dita Noé, tenham sido distinguidos quanto aos bens e aos veros em três classes, classes que foram assim chamadas (n. 736, 1062, 1065, 1140, 1141, 1162); e aqui e ali em outras passagens. Contudo, foram nações assim chamadas, mas a partir de outros, por exemplo Sheba e Dedan, que foram, como aqui é evidente, provenientes de Jokshan, filho de Abrahão proveniente de Keturah.
[4] Que Sheba sejam aqueles que estão nas cognições das coisas celestes, assim, os que estão no bem da fé, vê-se pelas passagens que foram alegadas (n. 117, 1171); e que Dedan semelhantemente, pelas que foram citadas no n. 1172, e, além disso, por estas: Em Isaías:
“Profético acerca da Arábia: Na floresta na Arábia pernoitareis, tropas de Dedan; ao encontro do que tem sede trazei águas, habitantes da terra de Thema; com o seu pão vinde ao encontro do errante; pois diante das espadas estão errantes, diante da espada estendida” (21:13, 14);
‘pernoitar na floresta’ é ser desolado quanto ao bem, pois a ‘Arábia’ designa os que estão nos celestes, isto é, aqueles que estão no bem da fé; ali, ‘pernoitar na floresta’ é não mais estar nos bens, daí a desolação, que também é descrita por ‘estar errante [ou vagar] diante da espada’, ‘diante da espada estendida’. As coisas celestes, isto é, os bens da fé, ou, o que é o mesmo, as obras da caridade, que são para eles, são significadas por ‘trazer águas ao encontro daquele que tem sede’ e ‘vir ao encontro do errante com pão’.
[5] Em Jeremias:
“Tomei o cálice da mão de JEHOVAH, e fiz beber todas as nações para as quais JEHOVAH me enviou; a Jerusalém e às cidades de Judá, e aos seus reis e aos seus príncipes, para entregá-los a desolação; ... ao faraó, rei do Egito, e aos seus servos, e aos seus príncipes, e a todo o seu povo; ... a todos os reis de Tiro, e a todos reis de Sidom; ... a Dedan e a Thema, e a Buz, e a todos os cortados do ângulo; ... a todos os reis de Zinri, e a todos os reis de Elam, e a todos os reis da Média, e a todos os reis do norte” (25:17–19, 22, 23, 25, 26);
aí também se trata da desolação da igreja espiritual; as diferenças dessa igreja são lembradas em ordem e significadas por ‘Jerusalém’, as ‘cidades de Judá’, o ‘Egito’, ‘Tiro’, ‘Sidom’, e ‘Dedan’, ‘Thema’, ‘Buz’, ‘Zinri’, ‘Elam’, a ‘Média’.
[6] Em Ezequiel:
“Shebah e Dedan, e os mercadores de Társis, e todos os seus leões jovens dir-te-ão: Não vieste tu para espoliar o espólio? Não é para predar a presa que congregaste a tua congregação, para levar a prata e o ouro, para pegar o gado e as posses, para espoliar o espólio grande despojo?” (38:13);
aí se trata de Gog, por quem é significado o culto externo separado do interno, o que é o idolátrico (n. 1151). ‘Shebah e Dedan’ estão pelos internos do culto, a saber, os bens da fé; ‘Társis’ pelo culto externo correspondente; a ‘prata’, o ‘ouro’, o ‘gado’, as ‘posses’, o ‘espólio’, que ‘Gog’, ou o externo do culto separado de junto do interno, quer arrebatar são as cognições do bem e do vero, por causa das quais combatem e que defendem os que são Sheba e Dedan, razão por que são chamados ‘leões jovens’. Sheba, no sentido próprio, são os que estão nas cognições do bem, Dedan os que estão nas cognições do vero proveniente do bem.