Texto
. ‘E os filhos de Midiã, Efah, e Efer, e Enoque, e Abidah, e Eldaah’; que signifique as derivações desde a terceira sorte, pode-se ver pela representação de ‘Midiã’, que são aqueles que estão no vero da fé, dos quais se tratará abaixo; e como aqueles que estão no vero da fé são ‘Midiã’, segue-se que os filhos são as derivações que daí provêm. Com aqueles que estão no vero da fé acontece assim: Ninguém é admitido no Reino do Senhor senão aquele que está no bem da fé, porquanto o bem da fé pertence à vida. A vida da fé permanece, mas não a doutrina da fé, a não ser o quanto ela faz um com a vida. Mas, mesmo assim, aqueles que estão no vero da fé, isto é, que professam a fé e a dizem essencial por causa disso, que assim os ensinaram, e que apesar disso, ainda assim, estão no bem da vida, isto é, que de coração são cristãos e não de boca, esses estão no Reino espiritual do Senhor. Com efeito, qualquer um pode facilmente estar persuadido de que a fé é o essencial quando isso é assim transmitido pelos mestres, e quando, na idade da meninice, é-se imbuído dessa opinião; e porque ouvem aqueles que são muitíssimo doutos e assim falam os prelados, alguns dos quais temem dizer que é o bem da vida, porque a vida os dana; além disso também porque as coisas que pertencem à fé influem de um modo perceptível, não acontece assim com as que pertencem à caridade.
[2] Aqueles que estão, pois, no vero da fé e ainda assim no bem da vida, esses são os chamados ‘Midiã’; porém, os veros segundo os quais eles vivem são os ‘filhos de Midiã’. Do mesmo modo que aqueles que estão no vero da fé conjunto ao seu bem são Midiã, do mesmo modo também, no sentido oposto, são aqueles que estão no falso a partir disso, que não há neles o bem da vida, como se pode ver pelas passagens seguintes: Em Isaías:
“Uma multidão de camelos cobrir-te-á, os dromedários de Midiã e de Efah, todos os de Sheba virão; ouro e incenso carregarão, e os louvores de JEHOVAH anunciarão” (60:6);
onde se trata do Reino espiritual do Senhor; os ‘dromedários de Midiã e Efa’ estão pelos doutrinais, os doutrinais do bem são o ‘ouro’, os doutrinais do vero são o ‘incenso’; uns e outros são os ‘louvores de JEHOVAH’; assim se vê o que significa ‘Efah’. Que pelos ‘midianitas que tiraram José da cova, e o venderam aos ismaelitas e, no Egito, a Potifar’ (Gn. 37:28, 36), sejam significados os que estão no vero do bem simples, ver-se-á na sequência desses versículos, pela Divina Misericórdia do Senhor.
[3] Que pelos ‘midianitas’ também são significados aqueles que estão no falso, porque os bens da vida não estão neles, pode-se ver pelo que se diz a respeito de Midiã em Moisés, a saber: que “Os antigos de Moabe e os antigos de Midiã, com prestígios na mão, foram a Balaão e lhe pronunciaram as palavras de Balak” (Nm. 22:4, 7, e seguintes). ‘Moabe’, no sentido bom, está pelos que estão no bem natural e se deixam facilmente seduzir, mas no sentido oposto está no lugar daqueles que adulteram os bens (n. 2468). ‘Midiã’, no sentido bom, está no lugar daqueles que estão no vero simples do bem, como foi dito, e assim facilmente se permitem persuadir; no oposto, como aqui, estão no lugar daqueles que falsificam os veros. As falsificações são significadas pelos ‘prestígios na mão’, e os fatos provenientes dos falsos são significados por isso, que ‘eles enviaram a Balaão para agir contra os filhos de Israel186’, que são os bens e, daí, os veros da fé.
[4] As escortações dos filhos de Israel com as mulheres dos midianitas, de onde resultou uma praga que foi cessada pelo que Fineias trespassou uma midianita com um homem de Israel em um lupanar (Nm. 25:6, 7, 8, e seguintes), significam a mesma coisa, pois pelas escortações eram representadas as falsificações do vero (n. 2466, 2729); e como as falsificações do vero são as que são significadas no sentido interno pelas escortações, foi por isso que, por uma ordem, “doze mil dos filhos de Israel feriram os midianitas, mataram os reis deles, e todo macho, e as mulheres que eles conduziram cativas, que conheceram um varão; e, além disso, dividiram entre si” (Nm. 25:16, 17; 31:1 ao fim). Que eram doze mil, é porque ‘doze’ significa todas as coisas da fé (n. 577, 2089, 2129 no fim, 2130 no fim), pelas quais os falsos são destruídos; os ‘reis’ que eles mataram são os falsos; o mesmo acontece com o ‘macho’; as ‘mulheres que conheceram um varão’ são as afeições do falso; o ‘predado’ que consistia em ‘ouro’, ‘prata’, ‘gado miúdo’, são os veros que tinham sido falsificados, daí é evidente que tudo, em geral e em particular, é representativo da punição e da destruição do falso pelos veros.
[5] Semelhantemente as coisas referidas a respeito dos midianitas no Livro dos Juízes, a saber:
“Que os filhos de Israel, porque fizeram o mal aos olhos de JEHOVAH, tinham sido entregues na mão de Midiã sete anos; e que os filhos de Israel, por causa de Midiã, fizeram para si cavernas nas montanhas, e antros, e lugares fortificados; e quando Israel fez semente, que Midiã e Amalek, e os filhos do oriente tinham subido e corromperam o produto da terra deles; e em seguida, que eles foram libertos por Gideão por trezentos que lamberam as águas com a língua como o cães, e que tinham sido despedidos para casa os que se tinham curvado sobre os joelhos e beberam; além de várias outras coisas relatadas nos capítulos 6, 7, 8.
Ali também tudo em geral e em particular é representativo da falsificação do vero, e por isso mesmo da punição, até este ponto que eles eram destruídos por tais coisas que são significadas pela ação de lamber a água com a língua como um cão. Mas seria demasiado longo explicar aqui o que cada coisa significa em particular no sentido interno; pela Divina Misericórdia do Senhor se dirá [mais a esse respeito] em seu lugar. Em Habacuque:
“Viu e dissipou as nações, e dispersadas foram às montanhas do tempo, e humilharam-se as colinas do século; sob Aveu vi as tendas de Cushan, e abalaram-se as cortinas da terra de Midiã” (3:6, 7);
aí se trata do Advento do Senhor, as ‘tendas de Cushan’ estão no lugar da religiosidade proveniente do mal; as ‘cortinas da terra’ de Midiã estão pela religiosidade proveniente do falso.