Texto
. ‘E saiu o primeiro, ruivo ele todo, como uma túnica peluda’; que signifique o bem natural da vida do vero, é o que se vê pela significação de ‘sair’, que é nascer; pela significação de ‘ruivo’, que é o bem da vida, de que se tratará no que segue; e pela significação de ‘túnica peluda’, que é o vero do natural, de que também se tratará no que segue; que este tenha sido o primeiro [a sair], significa que o bem é o primeiro quanto à essência, como acima foi dito (n. 3299). É dito também ‘uma túnica peluda’ para que seja significado que o bem foi revestido do vero como de um vaso ou de um corpo extremamente delicado, como também foi dito acima (n. 3299). Na Palavra, a ‘túnica’ não significa outra coisa no sentido interno, senão o que reveste uma outra coisa, é também por isso que os veros são comparados a vestimentas (n. 1073, 2576).
[2] Que o ‘ruivo’ ou o ‘vermelho’ signifique o bem da vida, vem disso: é porque todo bem pertence ao amor, e o amor mesmo é o fogo celeste e espiritual, e é mesmo comparado ao fogo e também chamado ‘fogo’ (ver os n. 933, 934, 935, 936); depois, o amor é também comparado ao sangue, e é também chamado ‘sangue’ (n. 1001). Como um e outro se avermelham, por isso o bem, que pertence ao amor, é significado pelo ‘ruivo’ ou o ‘vermelho’, como também se pode ver por essas passagens na Palavra: Na profecia de Jacó, então Israel:
“Lavará no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas o seu vel. Vermelho de olhos mais do que o vinho192 e os dentes brancos mais do que o leite” (Gn. 49:11, 12);
onde se trata de Judá, por quem ali se entende o Senhor, como qualquer um pode ver; ali a ‘vestimenta’ e o ‘vel’ são o Divino Natural do Senhor; ‘vinho’ e ‘sangue das uvas’ é o Divino Bem e o Divino Vero do Natural; desse bem se diz que seja ‘vermelho de olhos mais do que o vinho’, e desse vero, que ‘tem os dentes brancos mais do que o leite’; é a conjunção do bem e do vero no Natural que é assim descrita.
[3] Em Isaías:
“Quem [é] este que vem de Edom, ...vermelho quanto à vestimenta, e as vestimentas como as de quem pisa no lagar?” (63:(1,) 2);
onde ‘Edom’ está no lugar do Divino Bem do Divino Natural do Senhor, como se tornará evidente pelas coisas que seguem; ‘vermelho quanto à vestimenta’ é o bem do vero; as ‘vestimentas como as de quem pisa no lagar’ é o vero do bem. Em Jeremias:
“Alvos eram os nazireus dele mais do que a neve, eram mais brancos do que o leite; os ossos eram vermelhos mais do que as gemas193 que se avermelham, [como] uma safira [era] o polimento deles” (Lm. 4:7);
pelos ‘nazireus’ era representado o Senhor quanto ao Divino Humano, principalmente quanto ao Divino Natural; assim, ali, o bem é representado por isto, que os ossos eram mais vermelhos do que as gemas avermelhadas.
[4] Como o vermelho significa o bem, principalmente o bem do natural, é por isso que, na Igreja Judaica, onde todas e cada uma das coisas eram representativas do Senhor e, daí, do Seu Reino, consequentemente, do bem e do vero, porque o Reino do Senhor é formado deles, “ordenou-se que a cobertura da tenda fosse de peles de carneiros vermelhos” (Êx. 25:5; 26:14; 35:5, 6, 7, 23; 36:19); e também que “a água da expiação fosse feita com as cinzas de uma vaca ruiva” (Nm. 19:2 e seguintes); a não ser que a cor vermelha significasse alguma coisa celeste no Reino do Senhor, nunca teria sido ordenado que os carneiros fossem vermelhos e a vaca fosse ruiva. Todo aquele que considera a Palavra como santa reconhece que por essas coisas foram representadas coisas santas. Como a cor vermelha tinha essa significação, é também por isso que coisas de cor escarlate, púrpura e jacinto, tinham sido bordadas e atadas às coberturas da Tenda (Êx. 35:6, 7, 23).
[5] Como quase todas as expressões também têm um sentido oposto, como foi dito muitas vezes, assim também o ‘vermelho’; ele significa então o mal que pertence ao amor de si, e isso vem também de que as cobiças do amor de si são comparadas ao fogo e são chamadas ‘fogo’ (n. 934, 1297, 1527, 1528, 1861, 2446); são semelhantemente comparadas ao sangue e chamadas ‘sangue’ (n. 374, 954, 1005); daí o ‘vermelho’, no sentido oposto, tem essa significação, como em Isaías:
“Disse JEHOVAH: Se tiverem sido os vossos pecados como o escarlate, como a neve embranquecerão; se tiverem sido vermelhos como a púrpura, como a lã serão” (1:18).
Em Naum:
“O escudo dos fortes de Belial tornou-se vermelho; os varões de força serão cobertos de púrpura, em um fogo de pequenas tochas [estarão] os carros [nesse] dia” (2:4 [Em JFA, 2:3]).
Em João:
“Foi visto um outro sinal no céu: eis um dragão grande ruivo, tendo sete cabeças, e sobre as cabeças sete diademas” (Ap. 12:3);
no mesmo:
“Vi, e eis um cavalo branco, e quem se assentava sobre ele tinha um arco; a ele foi dada uma coroa; este saiu vencendo para vencer194; então saiu um outro cavalo, ruivo, e ao que estava sentado sobre o cavalo foi dado tirar a paz da terra, e para que se matassem uns aos outros, donde lhe foi dada uma espada grande195; depois saiu um cavalo preto, e finalmente um cavalo pálido, que tinha por nome morte” (Ap. 6:2 ao 8).