Texto
. ‘E Esaú foi varão que sabia de caçada’; que signifique o bem da vida proveniente dos veros sensuais e científicos202, é o que se vê pela representação de ‘Esaú’, que é o bem da vida, de que se tratou acima; e pela significação de ‘varão que sabe da caçada’, que são aqueles que estão na afeição do vero, de que se tratará. Com efeito, o ‘varão sabendo’ é predicado da afeição do vero ou daqueles que estão na afeição do vero; a ‘caçada’ por sua vez significa os veros mesmos, mas os veros que pertencem ao homem natural e do qual provêm os bens; e porque os veros do homem natural são essas coisas que são chamadas conhecimentos (n. 3293), e que os conhecimentos são principalmente de dois gêneros, ou de dois graus, a saber, os sensuais e os científicos [ou dos sentidos e dos conhecimentos], pela ‘caçada’ aqui são significados uns e outros. É nos sensuais que estão os meninos, e é nos científicos que eles estão quando crescem. Ninguém, com efeito, pode estar nos veros dos conhecimentos [ou científicos], antes de ter estado primeiro nos veros dos sentidos [ou sensuais], pois é pelos sensuais que se adquirem as ideias dos conhecimentos; em seguida, a partir dos conhecimentos é possível aprender e compreender os veros ainda mais interiores, que são chamados doutrinais, os quais são significados pelo ‘varão do campo’, de que se tratará logo no que segue.
[2] Que pela ‘caçada’ sejam significados os veros dos sentidos e dos conhecimentos, nos quais aprendem e pelos quais são afetados aqueles que estão no bem da vida, é porque pela ‘caçada’, no sentido lato, compreende-se as coisas que são capturadas por meio da caçada, como carneiros, bodes, cabras e outras bestas semelhantes; que estas sejam os bens espirituais, foi visto (n. 2180, 2830); e também porque as armas da caçada, que eram a ‘aljava’, o ‘arco’ e as ‘flechas’ são os doutrinais do vero (n. 2685, 2686, 2709). Que a ‘caçada’ significa tais coisas, pode-se ver pelas palavras que são dirigidas a Esaú por seu pai, Isaque, no capítulo 27:
“Toma, peço, as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e caça para mim uma caça, e faça-me uma iguaria como amei” (vers. 3, 4);
e pelas que são dirigidas a Jacó, que Isaque toma por Esaú, no mesmo capítulo:
“Traz-me para que [eu] coma da caça do meu filho, para que a minha alma te abençoe” (vers. 25);
a partir dessas palavras é evidente o que é significado pela ‘caçada’ [ou ‘caça’].
[3] Daí vem que ‘caçar’ seja ensinar, bem como persuadir, e isso em um e outro sentido, a saber, pela afeição da vero, e pela afeição do falso: pela afeição do vero, em Jeremias:
“Reconduzi-los-ei à terra deles, a qual dei aos pais deles; eis que Eu envio a muitos pescadores, e pescá-los-ão; e depois disso, enviarei a muitos caçadores, e caça-los-ão de cima de todo monte, de cima de toda colina e das fendas das rochas” (16:15, 16);
os ‘pescadores’ estão pelos que ensinam pelos veros dos sentidos (n. 40, 991), e os ‘caçadores’, pelos que ensinam pelos veros dos conhecimentos e também pelos doutrinais; ‘de cima de toda montanha e de toda colina’ é ensinar os que estão na afeição do bem e na afeição do vero; que a ‘montanha’ e a ‘colina’ sejam essas coisas, foi visto (n. 795, 796, 1430); ‘caçar no campo’ envolve semelhante coisa, como em Gn. 27:3. ‘Caçar’ é persuadir pela afeição do falso em Ezequiel:
“Eis, Eu, quanto as vossas almofadas, com as quais vós caçais ali as almas para que voem, [e os arrancarei de sobre os vossos braços e enviarei de todos os lados as almas que vós caçais, para que voem as almas.] E dilacerarei o vosso véu, e retirarei o meu povo da vossa mão, e não estarão mais na vossa mão para caçada” (13:18, 19, 20, 21);
a respeito da significação da ‘caçada’ neste sentido, ver o n. 1178; mas a esse gênero de caçada ordinariamente se lhes atribuem redes.