ac 3322

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Por isso chamou o nome dele Edom’; que signifique daí a sua qualidade quanto ao bem ao qual foram adjuntos os doutrinais do vero, é o que se vê pela significação de ‘chamar o nome’ ou de ‘chamar pelo nome’, que é a qualidade (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3006); e pela representação de ‘Edom’. Na Palavra, aqui e ali se menciona Esaú depois também Edom, e por ‘Esaú’ é significado o bem do natural antes deles, a saber, dos doutrinais do vero terem sido assim conjuntos a esse bem, depois também o bem da vida proveniente do influxo oriundo do Racional; e por ‘Edom’ é significado o bem do natural ao qual foram adjuntos os doutrinais do vero. Porém, no sentido oposto, ‘Esaú’ significa o mal do amor de si, antes de a ele, a saber, a esse amor de si, terem sido assim adjuntos os falsos; e Edom significa o mal desse amor quando os falsos a ele foram adjuntos. A maior parte dos nomes na Palavra também têm um sentido oposto, como se tem mostrado muitas vezes; a causa é, porque as mesmas coisas que foram bens e veros nas igrejas degeneraram em males e falsos, na sucessão do tempo, por diversas adulterações.
[2] Que por ‘Esaú’ e ‘Edom’ sejam significadas essas coisas, é o que se pode ver por estas passagens: Em Isaías:
“Quem [é] este que vem de Edom, notável [com] vestimentas, de Bozra? honrável na sua vestidura, caminhando na multidão da sua força? ...Por que [estás] vermelho quanto à tua vestimenta, e as tuas vestimentas [estão] como [as] do que pisa o lagar? O lugar pisei só, e dentre os povos nenhum varão comigo; ... olhei ao redor, mas [não havia] ninguém que me ajudasse, e espantei-me, e [não havia] ninguém que me sustivesse, e salvou-Me o Meu braço” (63:1, 2, 3, 5);
aí, que ‘Edom’ seja o Senhor, é o que se vê claramente; e que ele seja o Senhor quanto ao Divino Bem do Divino Natural, é evidente, pois se trata da conjunção do bem e do vero no Humano do Senhor, e dos combates das tentações por meio dos quais Ele os conjungiu; as ‘vestimentas’ aí, que sejam os veros do homem natural, ou os veros relativamente inferiores, foi visto (n. 2576), e o ‘vermelho’, que seja o bem do natural, n. 3300; que o Senhor, por Seu próprio poder, por meio dos combates das tentações, tenha ali conjungido os veros ao bem, está descrito por meio disso: que “pisou o lagar só, e do povo [não havia] nenhum varão comigo; olhei ao redor, mas [não havia] ninguém que me ajudasse; e espantei[-Me] e [não havia] ninguém que Me sustivesse, e salvou-Me o Meu braço”. Que o braço seja o poder, n. 878.
[3] No Livro dos Juízes:
“Ó JEHOVAH, quando saíste de Seir, quando Tu partiste do campo de Edom, a terra tremeu; até os céus gotejaram, até as nuvens gotejaram, as montanhas se deslizaram” (5:4, 5);
‘sair do campo de Edom’ significa quase a mesma coisa que, em Isaías, ‘vir de Edom’. Igualmente em Moisés:
“JEHOVAH veio do Sinai, e levantou-Se de Seir para eles” (Dt. 33:2).
No mesmo:
“Vejo-O, e não já; avisto-O, e não próximo; elevar-se-á uma estrela de Jacó, e surgirá um cetro de Israel, ... e Edom será uma herança, e Seir será herança dos inimigos deles, e Israel fazendo força, e dominará [um] de Jacó, e destruirá o remanescente da cidade” (Nm. 24:17, 18, 19);
onde se trata do Advento do Senhor no mundo, de Quem a Essência Humana é dita ‘estrela [oriunda] de Jacó’ e ‘cetro [oriundo] de Israel’; ‘Edom’ e ‘Seir’, que são a ‘herança’, estão pelo Divino Bem do Divino Natural do Senhor, que ‘se tornará a herança de seus inimigos’, isto é, que sucederá no lugar das coisas que estavam anteriormente no Natural; o domínio então sobre os veros no natural é entendido por isso: que ‘Ele dominará sobre Jacó e destruirá o remanescente [ou resto] da cidade’. Que ‘Jacó’ seja o Vero do Natural, n. 3305, e que a ‘cidade’ seja o doutrinal, n. 402, 2268, 2449, 2712, 2943, 2116; diz-se que se domina sobre os veros quando eles foram subordinados e submetidos ao bem; e antes que assim tenha sucedido, eles são chamados ‘inimigos’, porque eles repelem continuamente, como acima se mostrou (n. 3321).
[4] Em Amós:
Nesse dia reerguerei a tenda de Davi, [que] caiu, e concertarei as suas rupturas, e restituirei as suas ruínas, e edificá-la-ei como nos dias de eternidade, para que possuam os remanescentes de Edom, e todas as nações sobre as quais foi chamado o Meu nome” (9:11, 12);
a ‘tenda de Davi’ está pela igreja e o culto do Senhor; os ‘remanescentes de Edom’ estão pelos que estão no bem dentro da igreja; as ‘nações sobre as quais foi chamado o nome d’Ele’ estão pelos que estão no bem fora da igreja. (Que as ‘nações’ sejam aqueles que estão no bem, n. 1250, 1260, 1416, 1849). Em Davi:
“Sobre Edom enviarei o meu sapato; [...] Quem me conduzirá à cidade fortificada? Quem me conduzirá até Edom? Não [serás] Tu, ó Deus?” (Sl. 60:10, 11, 12 [Em JFA, 60:8, 9, 10]);
‘Edom’ está pelo bem do natural; que seja o bem do natural, é evidente pela significação do ‘sapato’, que é o ínfimo natural (n. 1748).
[5] Em Daniel:
“No tempo do fim, lutará com ele o rei do sul; por isso, como uma tempestade, se arremessará contra ele o rei do norte com o carro, e inundará e penetrará; e quando vier para a terra da beleza, muitos se arruinarão; estes, todavia, serão arrebatados da mão dele: Edom e Moab; e as primícias dos filhos de Ammon” (11:40, 41);
aí se trata do último estado da igreja; o ‘rei do norte’ está pelos falsos, ou, o que é o mesmo, pelos que estão nos falsos; ‘Edom’ está pelos que estão no bem simples, que é o bem tal qual com aqueles que constituem a igreja externa do Senhor; igualmente com ‘Moab’ e com os ‘filhos de Amon’ (n. 2468); e como um e outro, a saber, Edom e Moab, significam aqueles que estão no bem, por isso em muitos lugares tanto um como o outro são nomeados ao mesmo tempo, mas há esta diferença, que ‘Edom’ é o bem natural ao qual foram adjuntos os doutrinais do vero, enquanto Moab é o bem natural tal qual ele está também naqueles com os quais esse doutrinais não foram conjuntos; uns e outros parecem semelhantes pela forma externa, mas não pela interna.
[6] Daí agora é claro por que foi dito que:
“Não abominarás o edomita, porque [é teu] irmão, nem o egípcio, porque foste peregrino na terra dele” (Dt. 23:8 [Em JFA, 23:7]).
Como pelo ‘edomita’ é significado o bem do natural, e pelo egípcio, o vero desse natural, que são os conhecimentos (n. 1164, 1165, 1186, 1462), por isso eles são nomeados, um e outro, no sentido bom. Daí é ainda evidente porque JEHOVAH tinha dito a Moisés que:
“não deviam misturar as mãos com os filhos de Esaú, e que não seria dado aos filhos de Jacó, da terra deles, nem mesmo uma pisada da sola do pé” (Dt. 2:4, 5, 6).
[7] Mas no sentido oposto, por ‘Esaú’ e ‘Edom’ são representados aqueles que desviam do bem por causa disso: que eles desprezam inteiramente o vero, e não querem que coisa alguma do vero da fé seja adjunto, o que ocorre principalmente por causa do amor de si; por essa razão, no sentido oposto, por ‘Esaú’ é por ‘Edom’ são significados esses. É mesmo o que foi representado por isto: que o rei de Edom saiu com um povo numeroso e com mão forte e recusou permitir que Israel passasse por seus limites (Nm. 20:14–22); esse mal, a saber, o mal do amor de si, que é tal que não admite os veros da fé, portanto, nem os doutrinais do vero, é descrito em diversas passagens na Palavra como Esaú e como Edom, e, ao mesmo tempo, é também descrito o estado da igreja quando ela se torna tal; por exemplo, em Jeremias:
“Contra Edom,... não há mais sabedoria alguma em Theman? Pereceu o conselho pelos inteligentes? Tornou-se fétida a sabedoria deles? Fugi, voltai e habitai em profundezas207, ó habitantes de Dedan, porque trarei sobre ele a calamidade de Esaú; ... Eu denudarei Esaú, revelarei as coisas ocultas dele, e não poderá se esconder; devastada está a semente dele, e os irmãos dele e os vizinhos dele; ... deixa os teus órfãos, Eu [os] vivificarei, e as tuas viúvas, sobre Mim confiam; ... estará Edom em devastação, todo aquele que passar por ela ficará estupefato e assobiará sobre todas as suas pragas” (49:7, 8, 10, 11, 17 e seguintes).
[8] Em Davi:
“Dizem... não se lembrarão mais do nome de Israel, porque consultam de um só coração; sobre ti firmaram aliança as tendas de Edom, e os ismaelitas, e Moab e os agarenos” (Sl. 83:5, 6, 7 [Em JFA, 83:4, 5, 6]).
Em Obadias:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH [a respeito de] Edom: Eis [que] te fiz pequeno entre as nações, tu [és] mui desprezado; a soberba do teu coração te enganou, [tu] que habitas nas fendas da rocha, na altura da tua sede, que diz no teu coração: Quem me derrubará por terra? Se te elevares como águia, e se puseres o [teu] ninho entre as estrelas, daí te derrubaria. ... Como foram procurados [os] de Esaú! [Como] foram investigadas as [coisas] secretas deles! ... Não [será] nesse dia que destruirei os sábios de Edom208 e os inteligentes da montanha de Esaú? E teus fortes estarão consternados, ó Temã, e o varão será cortado do monte de Esaú pela matança, por causa da violência do teu irmão Jacó, a vergonha te cobrirá, e serás cortado pela eternidade; ... [E] a casa de Jacó será um fogo, e a casa de José, uma chama, e a casa de Edom, palha, e abrasá-los-ão, e consumi-los-ão, e não haverá resíduo da casa de Esaú, ... E os do sul herdarão a montanha de Esaú” (1:2, 3, 4, 6, 8, 9, 10, 18, 19, 21);
aí ‘Edom’ e ‘Esaú’ estão pelo mal do homem natural, mal oriundo do amor de si, que despreza e rejeita todo vero, de onde resulta a sua devastação.
[9] Em Ezequiel:
“Filho do homem: Dirige as tuas faces contra a montanha de Seir, e profetiza contra ela, e dize-lhe: Assim disse o Senhor JEHOVIH: Eu [estou] contra ti, montanha de Seir, e estenderei a Minha mão contra ti, e entregar-te-ei à vastação e à devastação, ... porque tens uma inimizade de eternidade, e fazes correr [fluere] os filhos de Israel sobre as mãos da espada, no tempo da destruição deles, no tempo da iniquidade do fim, ... porque disseste das duas nações, e das duas terras: são minhas, e a herdaremos, e JEHOVAH aí está. ... E conhecerás que Eu, JEHOVAH, ouvi todos os teus ultrajes, que proferiste contra as montanhas de Israel; uma devastação será a montanha de Seir, e todo Edom inteiramente” (35:2–5, 8–10, 12, 15);
aí é manifestamente evidente que ‘Edom’, no sentido oposto, são aqueles que desprezam, rejeitam e cobrem de opróbrio os bens e os veros espirituais, que são as ‘montanhas de Israel’.
[10] No mesmo:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH: Se no fogo do Meu zelo não falei sobre os restos das nações, e sobre todo Edom, que deram a Minha terra para si em herança com o regozijo de todo coração, com o desprezo da alma” (Ez. 36:5);
semelhantemente, ‘dar para si a terra como herança’ está por devastar a igreja, isto é, o bem e o vero que pertencem à igreja.
[11] Em Malaquias:
“Palavra de JEHOVAH contra Israel: [Eu] vos amei – disse JEHOVAH –, e dizeis: Em que nos amaste? Não [é] Esaú irmão de Jacó? E amo Jacó, e de Esaú tenho ódio, e ponho a montanha dele em devastação” (1:1, 2, 3);
aí ‘Esaú’ é o mal do natural, o qual não admite o vero espiritual, que é ‘Israel’ (n. 3305), nem o doutrinal do vero, que é ‘Jacó’ (n. 3305), e é por isso que ele é devastado, o que é expresso por ‘ter-lhe ódio’. Que a expressão ‘ter ódio’ não significa outra coisa, é o que se faz evidente pelas coisas acima referidas a respeito de Esaú e de Edom alegadas da Palavra. Quando, portanto, o vero não se deixa ajuntar ao bem, então se diz a mesma coisa de Jacó, por exemplo, em Oseias:
“Para visitar sobre Jacó os seus caminhos, segundo as suas obras retribui-lo-á; no útero suplantou o seu irmão” (12:3, 4 [Em JFA, 12:2, 3]).

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