ac 3404

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Isaque semeou naquela terra’; que signifique os veros interiores aparentes para o racional, os quais procedem do Senhor, é o que se vê pela significação de ‘semear’, que é, no sentido supremo, o Divino Vero que procede do Senhor, Que é Quem semeia (n. 3038), no sentido interno é, no homem, o vero e bem que daí procede (n. 3373); e pela significação da ‘terra’, que são as coisas racionais, que, iluminadas pelo Senhor, são as aparências do vero (n. 3368), ou, o que é o mesmo, os veros interiores aparentes ao racional, os quais procedem do Senhor. Essas aparências ou esses veros são de um grau superior, pois até o vers. 14 se trata deles no sentido interno. Os anjos estão nessas aparências do vero, e elas são tais que transcendem imensamente o entendimento do homem, enquanto ele vive no mundo.
[2] Para que se possa ainda ver o que são as aparências do vero, seja também este exemplo: Sabe-se que o Divino é Infinito quanto ao Ser e Eterno quanto ao Existir, e que o finito não é capaz de compreender o Infinito, nem mesmo o Eterno, pois o Eterno é o Infinito quanto ao Existir; e como o Divino mesmo é Infinito e Eterno, também todas as coisas que procedem do Divino são infinitas e também eternas, e porque são infinitas, nunca podem ser compreendidas pelos anjos, visto que estes são finitos. É por isso que o que é infinito e eterno se apresenta diante deles em aparências, que são finitas; mas ainda assim em tais, que estão muitíssimo longe, acima da esfera de compreensão do homem. Por exemplo: o homem nunca pode ter ideia alguma do eterno senão a partir do tempo, e como não a pode ter, não pode compreender o que é ‘de eternidade’221, assim, o que é o Divino antes do tempo, ou, antes que o mundo fosse criado; e enquanto houver em seu pensamento alguma coisa oriunda da ideia de tempo, ele nunca pode outra coisa, se pensa a respeito disso, senão laborar em erros, dos quais é impossível se ver livre. Mas aos anjos, que estão não na ideia de tempo, mas sim na ideia de estado, quão excelentemente é concedido perceber isto, pois para eles o eterno não é o eterno do tempo, mas é o eterno do estado sem a ideia do tempo.
[3] Daí, é evidente em que aparências estão os anjos em comparação com o homem, e quanto as suas aparências estão acima das aparências que existem para o homem. De fato, o homem não pode ter sequer um só pensamento, por menor que seja, sem algum momento proveniente do tempo e do espaço, quando, entretanto, nos anjos nada provém daí, mas tudo provém do estado quanto ao ser e ao existir. A partir dessas poucas explicações, é possível ver quais são as aparências do vero de que se trata aqui, e que essas aparecias são de um grau superior. Nas explicações que seguem, trata-se, por ordem, das aparências do vero do grau inferior, também adequadas ao gênero humano.

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