Texto
. ‘E achou naquele ano cem medidas’; que signifique a abundância, é o que se vê pela significação do ‘ano’, que é o estado íntegro de que se trata, do qual se falou (n. 487, 488, 493, 893); pela significação de ‘cem’, que é muito e o pleno (n. 2636); e pela significação da ‘medida’, que é o estado da coisa quanto ao vero (n. 3104); estas coisas reunidas em um significam a abundância de vero. No sentido supremo, trata-se aqui, assim como em outros lugares, do Senhor, a saber, que Ele também tinha estado nas aparências do vero quando estava no humano materno, mas que, conformemente Ele despojou esse humano, Ele também despojou as aparências e revestiu o Divino mesmo Infinito e Eterno. Mas no sentido interno ou relativo se trata das aparências do grau superior, que estão com os anjos, como foi dito, e cuja abundância é significada por isto, que ‘achou naquele ano cem medidas’. Assim acontece com as aparências do vero, ou com esses veros que procedem do Divino: que as coisas que são de um grau superior excedem imensamente em abundância e em perfeição as que estão em um grau inferior, porquanto miríades e mesmo miríades de miríades de coisas, que são percebidas distintamente pelos que estão em um grau superior, aparecem apenas como uma entre aqueles que estão em um grau inferior. Com efeito, os inferiores não são compostos senão de superiores, como se pode concluir pelas memórias no homem, das quais a interior, porque está em um grau superior, excede tão imensamente em excelência a exterior, que está em um grau inferior (n. 2473, 2474). Daí se pode ver em que sabedoria estão os anjos em comparação com o homem, uma vez que os anjos do terceiro céu estão no quarto grau acima do homem. Por isso, a respeito dessa sabedoria, perante o homem, não se pode predicar senão o incompreensível, e mesmo o inefável.