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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E Ahuzzath, companheiro dele, e Ficol líder do exército dele’; que signifique os principais pontos da doutrina de fé deles, é o que se vê pela representação de ‘Abimeleque’, que é a Doutrina da fé visando as coisas racionais; daí, o ‘companheiro dele’ e o ‘líder de seu exército’ são essas coisas, e de fato as principais que pertencem à doutrina, porquanto o ‘líder’, do mesmo modo que o ‘príncipe’, significa as principais coisas (n. 1482, 2089), e o ‘exército’ mesmo significa as coisas doutrinais. Que o ‘exército’ signifique as coisas doutrinais que pertencem ao vero, ou as que são os veros inferiores, vem isso de que pela ‘milícia’, na Palavra, e pela ‘guerra’ são significadas as coisas que pertencem à milícia e à guerra espirituais (n. 1664, 1788, 2686), como também pelas armas, a saber, as ‘lanças’, ‘escudos’, ‘arcos’, ‘flechas’, ‘espadas’ e outras semelhantes, como se mostrou aqui e ali; e porque são veros ou os doutrinais por meio do quais se travam os combates espirituais, por isso pelos exércitos são significados esses veros ou os doutrinais, e também, no sentido oposto, os falsos ou as coisas heréticas.
[2] Que estes e aqueles sejam significados pelos ‘exércitos’ na Palavra, pode-se ver por várias passagens; por exemplo, em Daniel:
“Um chifre do bode das cabras cresceu muito para o sul, e para nascente, e para o esplendor. E cresceu até o exército dos céus, e lançou em terra [parte] do exército e das estrelas, e os pisou. E mesmo até ao Príncipe dos exércitos se elevou... O exército dele foi levado, sobre o [sacrifício] perpétuo, por causa da prevaricação; e lançou a verdade em terra. [...] Ouvi um santo [que], falando, ...disse: Até quando essa visão, do [sacrifício] perpétuo e da prevaricação devastadora, para entregar tanto o santo quanto o exército para serem pisados?” (8:9–13);
o ‘chifre que cresceu para o sul, o nascente e o esplendor’ é o poder do falso proveniente do mal (n. 2832); o ‘exército dos céus’ são os veros; o ‘príncipe do exército’ é o Senhor quanto ao Divino Vero; e porque o exército, no bom sentido, é o vero, diz-se que o ‘[chifre] lançou em terra [uma parte] do exército’, e depois, que ele ‘lançou a verdade em terra’.
[3] No mesmo:
“O rei do norte apresentará uma multidão grande maior do que a anterior, e sob o fim dos tempos dos anos, virá vindo com um exército grande, e com muitas riquezas; em seguida excitará as suas forças, e o seu coração contra o rei do sul com um exército grande; e o rei do sul se misturará na guerra com um exército grande e extremamente forte, mas não terá consistência, pois os que comem a comida dele quebrá-lo-ão, e o exército dele transbordará, e muitos cairão trespassados” (Dn. 11:13, 23, 26);
aí, em todo capítulo, se trata da guerra entre o rei do norte e o rei do sul; e pelo ‘rei do norte’ entendeu-se os falsos, assim também por ‘seu exército’; e pelo ‘rei do sul’ e por ‘seu exército’, os veros. É um [relato] profético acerca da vastação da igreja.
[4] Em João:
“Vi o céu aberto, quando, eis, um cavalo branco, e aquele que estava sentado sobre ele chamava-se fiel e verdadeiro; vestindo uma vestimenta tinta de sangue, e os exércitos d’Ele no céu O seguiram sobre cavalos brancos, vestidos de fino linho branco e limpo. Vi a besta e os reis da terra, e os exércitos deles reunidos para fazer guerra ao que estava sentado sobre o cavalo e contra o exército d’Ele” (Ap. 19:14, 19);
‘Aquele que estava sentado sobre o cavalo branco’ está em lugar do Senhor quanto à Palavra (n. 2760, 2761, 2762); os ‘Seus exércitos, que O seguiram no céu’ estão pelos veros que dali procedem, assim, por aqueles no céu que estão nos veros; a ‘besta’ são os males do amor de si; os ‘reis da terra’ e os ‘seus exércitos’ estão pelos falsos; ali se descrevem os combates dos falsos contra o vero.
[5] Em Davi:
“Pela palavra de JEHOVAH os céus foram feitos, e pelo espírito da boca d’Ele o exército deles” (Sl. 33:6);
o ‘exército deles’, ou seja, dos céus, estão pelos veros; como pelo exército são significados os veros, os ‘filhos do reino’ e os ‘anjos’, por causa dos veros em que estão, são chamados ‘exércitos dos céus’, como em Lucas:
“De súbito houve com um anjo uma multidão do exército celeste louvando a Deus” (2:13).
Em Davi:
“Bendizei a JEHOVAHtodos [vós], exércitos d’Ele” (Sl. 103:21).
No mesmo:
“Louvai a JEHOVAH [vós] todos, anjos d’Ele; louvai-O [vós] todos, exércitos d’Ele” (Sl. 148:2).
Em Isaías.
“Levantai para o alto os vossos olhos e vede quem criou essas coisas. Quem fez sair em número o exército deles; a todos pelo nome chama, da multidão dos poderosos e dos fortes um varão não faltará” (40:26).
No mesmo:
“Eu fiz a terra, e criei o homem sobre ela; Eu, as Minhas mãos estenderam os céus, e ordenei todos exércitos deles” (Is. 45:12);
o ‘exército dos céus’, aí, está pelos veros, portanto, pelos anjos, porque eles estão nos veros, como foi dito.
[6] No Primeiro Livro dos Reis:
“Vi JEHOVAH assentado sobre o seu trono, e todo o exército dos céus que estava perto d’Ele, à direita d’Ele e à esquerda d’Ele” (22:19).
Em Joel:
“JEHOVAH deu a Sua voz perante o Seu exército, porque muito grande [é] o acampamento d’Ele, porque [são] numerosos os que praticam a Sua palavra” (2:11).
Em Zacarias:
“Porei o acampamento de um exército para a minha casa, por causa de quem vai e vem, para que não passe mais sobre eles o exator. Exulta muito, ó filha de Sião; retumba, ó filha de Jerusalém, eis o teu Rei vem a ti” (9:8, 9);
aí se trata do Advento do Senhor; o ‘Seu exército’ está pelos veros Divinos; e porque somente o Senhor combate, em lugar do homem, contra os infernos, que estão em um contínuo esforço de se apoderar, daí vem que o Senhor, na Palavra, é tantas vezes chamado ‘JEHOVAH Zebaoth’, ‘Deus Zebaoth’, ‘Senhor Zebaoth’, isto é, ‘dos Exércitos’; por exemplo, em Isaías:
“A voz do tumulto dos reinos das nações reunidas, JEHOVAH Zebaoth conduz o exército para a guerra” (13:4);
os ‘reinos das nações’ estão pelos falsos provenientes dos males; ‘conduzir o exército para a guerra’ está por combater em lugar do homem.
[7] Como as ‘doze tribos de Israel’ representavam o Reino Celeste do Senhor, e as ‘tribos’, bem como o número ‘doze’ significavam todas as coisas da fé em um só complexo, isto é, todos os veros do Reino (n. 577, 2089, 2129, 2130, 3272), por isso elas também eram chamadas ‘Exércitos de JEHOVAH’ (como em Êx. 7:4; 12:17, 41, 51); e se ordenou que elas fossem conduzidas para fora do Egito ‘segundo os exércitos’ (Êx. 6:26); e que acampassem ‘segundo os exércitos’ (Nm. 1:52); e que fossem distribuídas ‘em exércitos’ (Nm. 2:1 ao fim).
[8] Que pelos ‘exércitos’ sejam significados os veros, também se vê em Ezequiel:
“A Pérsia, e Lud, e Put [eram], no teu exército, os teus varões de guerra, suspenderam em ti o escudo e o capacete, estes deram honra a ti; ... Os filhos de Arwad e o teu exército [estavam] sobre as tuas muralhas ao redor, e os gamaditas estiveram nas suas torres [...]” (27:10, 11);
onde se trata de Tiro, pela qual são significadas as cognições interiores do bem e do vero, assim, aqueles que estão nessas cognições (n. 1201); o ‘exército’ está em lugar dos veros mesmos. Que ‘Lud’ e ‘Put’ também sejam aqueles que estão nas cognições, foi visto (n. 1163, 1164, 1166, 1195, 1231); o ‘escudo’ e o ‘capacete’ são as coisas que pertencem ao combate ou à guerra espiritual.
[9] Que, no sentido oposto, os ‘exércitos’ sejam os falsos, é evidente em Isaías:
“Acontecerá nesse dia, [que] JEHOVAH visitará sobre o exército da altura na altura, e sobre os reis da terra sobre a terra” (24:21);
onde o ‘exército da altura’ está pelos falsos provenientes do amor de si. Em Ezequiel:
“Reduzir-te-ei, e porei ganchos nos teus queixos, e te farei sair, e todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, vestidos perfeitamente todos eles, assembleia grande com escudo e broquel, todos manejando espadas: virás do teu lugar, e dos lados do norte tu e muitos povos contigo, todos montando cavalos, assembleia grande, exército grande” (38:4, 15);
onde se trata de Gog, pelo qual é significado o culto externo separado do interno, assim tornado idolátrico (n. 1151); o ‘exército deles’ está no lugar dos falsos.
[10] Em Jeremias:
“Enviarei contra Babel o que aponta apontando o seu arco, o que eleva da sua couraça; não poupeis os jovens, devotai a destruição todo o exército dela” (51:2, 3).
‘Babel’ está pelo culto cujos externos se mostram santos, mas cujos interiores são profanos (n. 1182, 1283, 1295, 1304, 1306, 1307, 1308, 1321, 1322, 1326); o ‘seu exército’ são tais falsos; o mesmo acontece em outras passagens com o ‘exército de Babel’, por exemplo, em Jeremias 34:1, 21; 32:2; 39:1. Em Ezequiel:
“faraó os verá, e consolar-se-á sobre toda a sua multidão, transpassado pela espada, o faraó e todo o exército dele, porque porei o Meu terror na terra dos viventes” (32:31, 32).
onde se trata do Egito, pelo qual são significados aqueles que pervertem os veros por meio de raciocínios provenientes dos conhecimentos (n. 1164, 1165); o ‘exército dele’, ou o exército de faraó, está pelos falsos que daí provêm. O mesmo acontece em outras passagens com o ‘exército de faraó’, como em Jr. 37:5, 7, 11; 46:2; Ez. 17:17. Em Lucas:
“Quando virdes cercada pelo exército de Jerusalém, então sabei que está próxima a devastação” (21:20);
onde se trata da consumação do século, ou do último tempo da igreja, quando não há mais fé; que por ‘Jerusalém’ seja significada a igreja, foi visto (n. 2117); ela ‘está cercada pelo exército’ quando é tomada pelos falsos.
[11] Daí, é evidente que pelos ‘exércitos dos céus, que os judeus e os idólatras adoraram’, são significados, no sentido interno, os falsos, dos quais se trata no Segundo Livro dos Reis:
“Abandonaram todos os preceitos de seu Deus, e fizeram para si imagem de fundição [fusile], dois bezerros; e fizeram um bosque, e encurvaram-se a todo o exército dos céus” (17:16);
onde se trata dos israelitas; e um outro lugar onde se trata de Manassés: que
“Ele edificou altares a todo o exército dos céus” (2Rs. 21:5);
e que o rei Josias
“fez tirar do templo todos os vasos feitos para Baal, e para o bosque e para todo o exército dos céus” (2Rs. 23:4);
e em Jeremias, que:
“Os ossos dos príncipes, dos sacerdotes e dos profetas fossem expostos ao sol, à lua, e a todo o exército dos céus, que eles tinham amado, e aos quais serviram, e após os quais eles foram” (8:2);
e em outra passagem:
“Serão, a casa de Jerusalém e a casa dos reis de Judá, como tofeth, imundos, quanto a todas as casas, sobre cujos tetos fizeram perfumes a todo o exército dos céus, e libando libações aos deuses alheios” (19:13);
e em Sofonias:
“Estenderei a minha mão contra os que adoram sobre os tetos o exército dos céus” (1:5):
são, com efeito, as estrelas que principalmente são chamadas o ‘exército dos céus’, mas que pelas ‘estrelas’ sejam significados os veros, depois, no sentido oposto, os falsos, vejam-se os n. 1128, 1808.

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